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Cidade de Kherson, na Ucrânia, é tomada por forças russas, diz prefeito

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 02/03/2022
O prefeito da cidade ucraniana de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou nesta quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade”, indicando que agora ela está sob controle da Rússia. O anúncio foi feito por meio de uma postagem no Facebook e acontece após vários dias de pressão pelas forças russas que cercaram a cidade. Kherson é uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes.

Míssil em Kiev

Os destroços da um míssil de longo alcance disparado pela Rússia atingiram uma estação ferroviária em Kiev, capital da Ucrânia, provocando uma grande explosão na tarde desta quarta-feira (2). A estação de trem estava sendo utilizada para receber mulheres e crianças que procuravam abrigo em meio ao conflito. Segundo informações preliminares cedidas pelo prefeito de Kiev, não há registro de vítimas. De acordo com um conselheiro do Ministério do Interior da Ucrânia, as forças ucranianas interceptaram o míssil. Até o momento, ainda não há a confirmação de qual seria o alvo original da ofensiva russa. O ataque teria cortado o fornecimento de aquecimento para partes da capital ucraniana em meio a temperaturas congelantes do inverno europeu, disse o assessor do Ministério do Interior, Anton Herashchenko, em uma publicação. Enquanto os confrontos continuam no território ucraniano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que reconhece o presidente Volodymyr Zelensky como líder da Ucrânia. Lavrov afirmou ainda que os negociadores russos estão prontos para a segunda rodada de conversas. Em publicação nas redes sociais, o Kremlin afirmou que o presidente Vladimir Putin conversou com o primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, sobre a operação militar na Ucrânia. A quarta-feira também foi marcada pela aprovação da resolução da ONU, condenando a invasão russa à Ucrânia. Durante esta tarde, a Casa Branca anunciou novas sanções à Rússia e Belarus, incluindo medidas para dificultar o acesso dos países a mais material bélico e tecnologia. Os EUA e aliados também trabalham para identificar 22 entidades russas relacionadas ao setor de Defesa, que ajudam na operação contra a Ucrânia. Ainda nesta quarta, porém, o departamento de polícia regional de Kharkiv e a Universidade Nacional de Kharkiv foram alvo de um ataque militar, de acordo com o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia e imagens geolocalizadas pela CNN. O conselho da cidade de Mariupol também disse que a cidade ao sul estava sob controle ucraniano, mas travada em batalhas com tropas russas. O Ministério da Defesa russo também anunciou nesta quarta que as forças armadas tomaram a cidade de Kherson. Autoridades ucranianas rebateram e afirmaram que ainda estão no controle da região, que fica ao sul.

Destaques das últimas 24 horas

Vídeo: Mapa mostra ocupação militar na Ucrânia

Números da guerra

Mais de 2.000 civis ucranianos foram mortos até esta quarta-feira durante a invasão da Rússia, segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia.

Outras informações sobre as vítimas circulam simultaneamente. A Missão de Monitoramento de Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia disse que registrou 752 baixas civis na Ucrânia desde o início da invasão. Segundo último informe da agência de Direitos Humanos das Nações Unidas, os números eram outros — apesar da ponderação de que poderiam ser “muito maiores” de antemão. Neste levantamento, foi constatado que pelo menos 136 civis foram mortos, incluindo 13 crianças, e 400 ficaram feridos. O número de soldados russos mortos no conflito foi de 498, segundo o Ministério da Defesa da Rússia. Também há outros 1.597 feridos até o momento. A Ucrânia, por outro lado, aponta 7 mil mortes de soldados russos.

Ataque em Kiev

De acordo com um conselheiro do Ministério do Interior da Ucrânia, as forças ucranianas interceptartam um míssil de longo alcance disparado pela Rússia na tarde desta quarta-feira (2). Até o momento, ainda não há a confirmação de qual seria o alvo original do ataque russo. Os destroços da artilharia acabaram causando uma grande explosão em uma estação ferroviária em Kiev. A estação de trem estava sendo utilizada para receber mulheres e crianças que procuravam abrigo em meio ao conflito. Segundo informações preliminares cedidas pelo prefeito de Kiev, não há registro de vítimas. De acordo com o governo, as baterias antiaéreas das forças de interceptação de mísseis da Ucrânia realizaram o ataque defensivo no momento em que o projétil russo ainda estava em sua trajetória. O ataque teria cortado o fornecimento de aquecimento para partes da capital ucraniana em meio a temperaturas congelantes no inverno, disse o assessor do Ministério do Interior, Anton Herashchenko, em uma publicação. A empresa ferroviária estatal ucraniana Ukrzaliznytsya afirmou que o prédio da estação sofreu pequenos danos e os trens continuam operando.

Zelensky sobre resolução da ONU: “Vocês escolheram o lado certo da história”

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky comemorou, nas redes sociais, a aprovação da resolução crítica à invasão russa pela maioria dos países da ONU. “Eu louvo a aprovação da Assembleia Geral da ONU com uma maioria sem precedentes de votos a uma resolução com fortes exigências à Rússia para que pare imediatamente o ataque traiçoeiro a Ucrânia. Sou grato a todos e a todos os estados que votaram a favor”, escreveu Zelensky. “Os resultados destrutivos da votação mostram de forma convincente que uma coalizão global anti-Putin foi formada e está funcionando. O mundo está conosco. A verdade está do nosso lado. A vitória será nossa”, concluiu.

Aprovação da resolução da ONU

Mais cedo, com apoio do Brasil, a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução contra a invasão russa à Ucrânia. No sétimo dia da guerra, os russos prosseguem com os ataques em diversas cidades ucranianas. A reunião foi convocada pelo Conselho de Segurança e feita de forma emergencial para discutir a situação no Leste Europeu. Para a aprovação, foi necessário maioria de 2/3 dos votantes. Foram 141 votos a favor, cinco contrários e 35 abstenções.

Brasil justifica voto a favor de resolução da ONU

O Brasil votou a favor da resolução da ONU que condenou os ataques à Rússia. Na justificativa, o embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Ronaldo Costa Filho, disse que a resolução, porém, não vai “longe o suficiente” para uma paz sustentável. “A paz exige a retirada de tropas e um trabalho amplo das partes. A resolução não pode ser entendida como algo que permita a aplicação indiscriminada de sanções”, afirmou. “Pedimos a todos os atores que o engajamento em um acordo diplomático”, acrescentou.

“Não estamos em guerra com a Rússia”, enfatiza presidente francês

“Não estamos em guerra com a Rússia“, disse o presidente francês, Emmanuel Macron, em um discurso à nação nesta quarta-feira (2), Macron disse que a guerra contra a Ucrânia criou uma “ruptura” na Europa. O presidente francês acrescentou que dá importância à manutenção de contato com Volodymyr Zelensky e o presidente russo Vladimir Putin. O líder francês disse que manteve contato com Putin para tentar “convencê-lo a largar as armas” e também para evitar a “ampliação do conflito”.

ONU: quase 836 mil refugiados deixaram a Ucrânia

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados disse, nesta quarta (2), que 835.928 refugiados deixaram a Ucrânia desde 24 de fevereiro. Mais da metade deles (453.982) fugiram pela Polônia. Outros 116.348 foram para a Hungria, afirma o ACNUR. Outras 96.000 pessoas se mudaram para a Federação Russa das regiões de Donetsk e Luhansk entre 18 e 23 de fevereiro. Essas duas regiões são controladas por separatistas apoiados pela Rússia. O Kremlin, em fevereiro, os reconheceu como estados independentes.