Chefe de política da ONU diz que ofensiva russa a usinas nucleares contraria lei internacional
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN04/03/2022
A chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, disse nesta sexta-feira (4) ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que as operações militares em torno de instalações nucleares contrariam a legislação internacional.
“Os ataques a instalações de energia nuclear são contrários ao direito internacional humanitário… Todo esforço deve ser feito para evitar um incidente nuclear catastrófico”, afirmou.
O Conselho de Segurança da ONU realiza nesta sexta-feira (4) uma reunião de emergência após a tomada da usina nuclear de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia. As forças russas seguem com as operações militares no país, neste nono dia da guerra, e estão cercando a capital ucraniana, Kiev – assista ao vivo acima a cobertura especial da CNN.
A tomada do controle da usina, a maior de energia nuclear da Europa, aconteceu após um incêndio que durou quatro horas num prédio de treinamento do lado de fora do complexo do reator principal. O Serviço de Emergência da Ucrânia conseguiu controlar o fogo às 6h20 no horário local (1h20 no horário de Brasília). Os níveis de radioatividade não foram alterados, segundo informação do órgão regulador ucraniano repassada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na reunião, o representante russo disse que Kiev cria “narrativas artificiais”. Ele endossou a posição de Moscou de que “sabotadores ucranianos” teriam entrado em conflito com forças russas, que, segundo o embaixador da Rússia, está sob tutela russa desde 28 de fevereiro.
O embaixador brasileiro, em sua fala, afirmou estar “quase constrangido em reiterar que encaramos circunstancias extremamente sérias”, e pediu por um cessar-fogo na região.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou as forças russas de atacarem intencionalmente a usina nuclear e pediu aos líderes mundiais que detenham as forças russas “antes que isso se torne um desastre nuclear”.
Os russos, por outro lado, acusam “sabotadores” ucranianos de serem os responsáveis pelo incêndio, um ato de “monstruosa provocação”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.
Logo após a confirmação da ocorrência, havia o temor de que o fogo provocasse um vazamento de material radioativo, o que não foi reportado. Em 1986, a Ucrânia viveu o catastrófico acidente nuclear ocorrido na usina de Chernobyl.
O porta-voz da usina de Zaporizhzhia, Andrii Tuz, afirmou que a central não sofreu nenhum dano crítico, embora apenas uma unidade de geração de energia entre seis esteja operando.
Destaques das últimas 24 horas
ONU realiza reunião de emergência no Conselho de Segurança após Rússia tomar usina
Putin diz que 3ª rodada de negociações acontecerá neste fim de semana
Otan não implementará zona de exclusão aérea na Ucrânia, diz secretário-geral
Níveis de radiação de Zaporizhzhia não sofreram grandes alterações, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica
Presidente ucraniano pediu aos líderes mundiais que detenham as forças russas “antes que um desastre nuclear aconteça”
Mariupol, no sul do país, ainda está sob controle ucraniano, mas “está cercada por forças russas”
Banco Central da Rússia informou que a Bolsa de Valores de Moscou não vai operar nesta sexta, completando uma semana de inatividade
Brasil autorizou concessão de visto humanitário para ucranianos
Casa Branca anuncia sanções a “companheiros de Putin e seus familiares”
Além do cerco a Kiev, no restante do país, as forças russas seguem avançando e ameaçando importantes cidades ucranianas. Mariupol, no sul, ainda está sob controle ucraniano, mas “provavelmente cercada por forças russas”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido. Em Kharkiv, segunda maior cidade do país, 33 civis morreram vitimas dos ataques russos nas últimas 24 horas.
Números da guerra
Segundo informação das Forças Armadas da Ucrânia, até esta sexta-feira (4), 9166 russos perderam a vida no confronto. 251 tanques e 33 aeronaves (não especificadas) foram abatidas pelos ucranianos. Os russos também teriam perdido 37 helicópteros e 939 veículos blindados.
A Rússia não confirma os números. Informações do Ministério da Defesa russo divulgadas no dia 2 de março dão conta de 498 mortes confirmadas.
Também há um monitoramento das mortes fora das forças armadas. O escritório de direitos humanos da ONU disse, nesta sexta-feira, que 331 civis foram mortos e 675 feridos na Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, acrescentando que o número real provavelmente foi muito maior. Entre os 331 mortos, estavam 19 crianças, afirma a ONU.
Guerra da Rússia contra a Ucrânia chega ao 9º dia
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Rússia quer 3ª rodada de negociações com a Ucrânia neste fim de semana
Vladimir Putin disse ao chanceler alemão, Olaf Scholz, que uma terceira rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia está marcada para este fim de semana.
A segunda rodada de negociações realizada na quinta-feira não apresentou os resultados que a Ucrânia precisava, disse um negociador ucraniano após o término das negociações. No entanto, os corredores humanitários para civis foram acordados.
Rússia culpa ucranianos por ataque à região da usina nuclear
O Ministério da Defesa da Rússia culpou sabotadores ucranianos por um ataque no local onde fica a usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, chamando-o de “monstruosa provocação”.
“Em 4 de março, por volta das 2h, durante uma patrulha de guardas no território adjacente à usina nuclear de Zaporizhzhia, uma patrulha móvel da Guarda Nacional foi atacada por um grupo de sabotagem ucraniano”, disse o porta-voz da pasta, Igor Konashenkov.
Usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, é a maior desse tipo na Europa / Dmytro Smolyenko/Future Publishing via Getty Images
“Para provocar um incêndio no edifício, foi aberto fogo com um forte ataque com armas leves contra os soldados da Guarda Nacional Russa a partir das janelas de vários andares de um complexo de treinamento localizado fora da central elétrica.”
Ele disse que a patrulha russa revidou os disparos para suprimir o ataque, e o “grupo de sabotagem” abandonou o complexo de treinamento, incendiando-o enquanto saíam.
Vídeo: Interesse russo em usina nuclear é asfixiar energia da Ucrânia, diz especialista
Entenda os efeitos da exposição à radiação para a saúde humana
Os bombardeios russos na região da usina nuclear de Zaporizhzhia, na cidade ucraniana de Enerhodar, colocaram o mundo em alerta. A preocupação se concentrou na ameaça de um novo desastre nuclear diante de um incêndio que durou quatro horas em um prédio de treinamento do lado de fora do complexo do reator principal.
Na edição desta sexta-feira do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como a radiação pode ser utilizada na medicina e como a exposição a altos níveis de radioatividade pode prejudicar o organismo humano.
“A radiação consegue interferir no material genético da célula. Se eu tenho uma exposição muito grande à radiação, muito mais do que o organismo consegue tolerar, vou ter um impacto na saúde nitidamente”, afirma Gomes.
Horário de Brasília aponta possíveis desdobramentos da guerra na Ucrânia
As mais recentes reações e os possíveis desdobramentos da guerra na Ucrânia, após quase dez dias de ataques das forças russas ao país vizinho, estão entre os principais temas do episódio desta sexta-feira (4) do podcast Horário de Brasília.
Apresentado por Daniela Lima e Renata Agostini, o Horário de Brasília é transmitido ao vivo e com vídeo no site da CNN Brasil e no canal da emissora no YouTube, às sextas-feiras, a partir de 12h30. Depois, os episódios podem ser acessados on demand nas principais plataformas de podcast: Apple Podcasts, Spotify, Amazon Podcasts e Deezer. Assista abaixo:
Não somos parte do conflito, não vamos mover tropas, diz chefe da Otan à CNN
O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, disse que a aliança militar não faz parte do conflito da guerra na Ucrânia e não moverá tropas.
Em entrevista exclusiva ao âncora da CNN, John Berman, o chefe da aliança militar declarou: “Somos uma aliança defensiva e não vamos mover tropas da Otan ou Forças aéreas da Otan na Ucrânia.”
Ele disse que os países aliados do Ocidente têm a “responsabilidade de garantir que este conflito não saia do controle e vá além da Ucrânia e se transforme em uma guerra em plena Europa”.
“Isso causará ainda mais sofrimento, ainda mais mortes, ainda mais civis mortos. Portanto, damos apoio, estamos intensificando o apoio, mas também deixamos claro que não fazemos parte do conflito”, acrescentou.
Em coletiva, Stoltenberg também disse nesta sexta-feira que a Otan não criará uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia.
“Esta é a guerra do presidente Putin, uma guerra que ele escolheu, planejou e está travando contra um país pacífico. Pedimos ao presidente Putin que pare imediatamente esta guerra, retire todas as suas forças sem condições e se engaje agora em uma verdadeira diplomacia.”
Câmara russa aprova projeto que impõe pena a quem divulgar “notícias falsas” sobre o Exército
A câmara alta do Parlamento russo aprovou, nesta sexta-feira (4), um projeto de lei que impõe uma pena de prisão de até 15 anos para pessoas que divulgarem intencionalmente informações “falsas” sobre as Forças Armadas da Rússia, informou a agência de notícias TASS.
O projeto de lei se tornará lei assim que o presidente Vladimir Putin o assinar, como se espera que ele faça. Moscou diz que está lutando contra o que considera uma guerra de informação com o Ocidente sobre o conflito na Ucrânia.
Membros das Forças Armadas russas durante exercícios militares na região de Leningrado / 14/02/2022 Ministério da Defesa da Rússia/Divulgação via REUTERS
União Europeia suspende programas de cooperação e pesquisa com Rússia e Belarus
A Comissão Europeia disse, nesta sexta-feira, que suspendeu a cooperação e os programas de pesquisa com a Rússia e Belarus por causa da invasão russa da Ucrânia.
A UE está atualmente financiando oito programas de cooperação com a Rússia, contribuindo com um total de 178 milhões de euros (R$ 987 milhões), destinados a apoiar o desenvolvimento sustentável nas regiões fronteiriças.
Em relação a Belarus, foram interrompidos dois programas de cooperação, que tinham um orçamento combinado de 257 milhões de euros (1.4 bilhão de reais).
Especialista explica diferenças entre Zaporizhzhia e Chernobyl
Pesquisador em ciência e tecnologia do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN-SP), Luís Antônio Albiac, falou à CNN após o ataque das forças russas contra o complexo onde fica localizada usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia. O especialista analisou as diferenças entre o complexo atingido pelos russos e a usina de Chernobyl, que sofreu acidente em 1986.
Após pesquisa realizada na base de dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o especialista esclareceu que a usina de Zaporizhzhia é uma integrada por seis reatores nucleares – cada um deles produz 3.000 megawatts térmicos, a partir dos quais são obtidos 950 megawatts elétricos – e tem características diferentes de Chernobyl, também na Ucrânia.
“São reatores diferentes do tipo de Chernobyl. Todos os seis são reatores refrigerados a água pressurizada, enquanto os quatro reatores de Chernobyl eram refrigerados a água fervente e moderados a grafite. Era outro tipo de reator”, explica.
O ataque das forças russas não alterou os níveis de radioatividade no local, segundo informação enviada do órgão regulador ucraniano à AIEA.
Presidente da Ucrânia pede que russos protestem contra tomada de usina nuclear
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou aos russos, nesta sexta-feira (4), para realizar protestos contra a tomada da maior usina nuclear da Europa.
“Povo russo, quero apelar para você: como isso é possível? Afinal, lutamos juntos em 1986 contra a catástrofe de Chernobyl”, disse ele em um discurso televisionado, evocando memórias do pior desastre nuclear do mundo.
“Vocês têm que ir às ruas e dizer que você quer viver, você quer viver na Terra sem contaminação radioativa. A radiação não sabe onde está a Rússia, a radiação não sabe onde estão as fronteiras do seu país.”
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / Presidência da Ucrânia
Forças russas estão focadas em cercar Kiev
As forças russas estão focadas em cercar Kiev, disse o Ministério da Defesa da Ucrânia em comunicado. O comunicado diz que as tropas russas foram “bloqueadas e paradas na área de Makarov”, que fica a cerca de 60 km da capital ucraniana.
O ministério disse que as Forças Armadas da Rússia esgotaram a maior parte de suas reservas operacionais e iniciaram “preparações para a transferência de forças e recursos adicionais dos distritos militares do sul e do leste”.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse na quinta-feira (3) que a guerra na Ucrânia está “correndo conforme o planejado”, apesar das avaliações de outros países de que a invasão do Kremlin não ocorreu conforme o planejado. O órgão da Defesa ucraniana disse que as forças russas continuam se preparando para desembarques na costa do Mar Negro.
Corredores humanitários
A investida russa contra a central nuclear de Zaporizhzhia ocorreu poucas horas depois da realização da segunda rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia, que ocorreu em Belarus nesta quinta-feira (3). Os dois países concordaram em promover a criação de corredores humanitários com cessar-fogo em torno deles, de modo a permitir a fuga de civis. A informação foi passada pelo principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”.
Apesar do avanço, o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana.
Sanções aos "companheiros de Putin e seus familiares"
A Casa Branca anunciou novas sanções aos oligarcas russos. Segundo boletim divulgado pelo governo norte-americano, os "companheiros de Putin e seus familiares" sofrerão consequências.
Os nomes listados serão cortados do sistema financeiro dos EUA e terão seus ativos congelados no país. Além disso, suas propriedades serão bloqueadas para uso.
Haverá ainda sanções de bloqueio total a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Os EUA também colocarão restrições de visto a 19 oligarcas e 47 de seus familiares e associados próximos.
Essa medida terá como alvo os oligarcas "conhecidos por dirigir, autorizar, financiar, apoiar significativamente ou realizar atividades malignas em apoio à política externa desestabilizadora da Rússia".
Brasil concede visto humanitário a ucranianos
Uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União e assinada pelos ministros das Relações Exteriores, Carlos França, e da Justiça, Anderson Torres, autoriza a concessão de visto humanitário para ucranianos.
A medida foi estabelecida em razão do conflito armado que ocorre há oito dias na Ucrânia. Segundo a portaria, a autorização se estende a quaisquer ucranianos que desejem vir ao país.
O visto valerá por 180 dias e, durante esse período, os beneficiários podem requisitar autorização para residência –que poderá ter período determinado de até dois anos ou período indeterminado.
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Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na Polônia
Crédito: Sean Gallup/Getty Images
Entenda por que o preço do petróleo disparou com a guerra entre Ucrânia e Rússia
O preço do barril de petróleo fechou aos US$ 110 na quinta-feira (3) no mercado britânico, depois de chegar a encostar nos US$ 120 durante a sessão. O patamar atual não era registrado desde 2014 e foi retomado a partir da invasão russa à Ucrânia.
A escalada do preço ocorre conforme crescem as preocupações de que as sanções, tendo a Rússia como alvo, prejudiquem o fornecimento de energia para o restante do mundo.
Não por acaso, o recorde anterior, em 2014, ocorreu durante um episódio geopolítico envolvendo o país eslavo. Foi o ano da anexação da Crimeia, uma península da Ucrânia por parte da Rússia. O movimento do presidente russo, Vladimir Putin, fez com que o valor do barril alcançasse o pico no dia 30 de outubro, quando foi cotado em US$ 87, equivalente a US$ 112 com a correção dos valores atuais, segundo o especialista da Valor Investimentos, Davi Lelis.
No contexto atual, mesmo antes da invasão da Ucrânia, a oferta mundial de petróleo já não conseguia acompanhar a demanda na retomada da atividade econômica, à medida que as medidas restritivas contra a Covid-19 eram flexibilizadas.
Conflito no Leste Europeu tem gerado impactos nos preços do barril de petróleo / 22/08/2018 REUTERS/Nick Oxford
Como a invasão russa à Ucrânia mudou a economia mundial em uma semana
A primeira semana de guerra na Ucrânia abalou a economia mundial, quando rápidas sanções ocidentais isolaram a Rússia, colapsaram sua moeda e ativos financeiros e elevaram os preços de energia e alimentos.
A economia de US$ 1,5 trilhão da Rússia é a 11ª maior do mundo, segundo dados do Banco Mundial. Uma semana atrás, o país estava fazendo um ótimo comércio de energia, exportando milhões de barris de petróleo por dia, com a ajuda das grandes companhias petrolíferas. As marcas ocidentais estavam fazendo bons negócios e os investidores realizavam empréstimos para as suas empresas.
Agora, uma enxurrada de sanções tornou os maiores bancos da Rússia arriscados, comerciantes evitam barris de petróleo bruto dos Urais e empresas ocidentais estão fugindo do país ou fechando suas lojas.
As ações russas foram empurradas para fora dos índices globais e as negociações de algumas empresas russas foram interrompidas em Nova York e Londres.
Bombardeios em Kharkiv, na Ucrânia / 02/03/2022 Serviço de Imprensa do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Jogos de Inverno: Atletas da Rússia e de Belarus são banidos
O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) anunciou que decidiu banir atletas russos e belarussos dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022, que começam nesta sexta-feira (4).
“No IPC, acreditamos firmemente que esporte e política não devem se misturar. No entanto, não por culpa própria, a guerra chegou a esses Jogos e, nos bastidores, muitos governos estão influenciando nosso querido evento”, declarou o presidente do Comitê, Andrew Parsons, em comunicado.
Também era uma questão de segurança e proteção, com a situação na vila dos atletas se tornando “insustentável” à medida que as tensões aumentam, disse Parsons.
Fórmula 1 rompe contrato com organização de GP da Rússia
A Fórmula 1 anunciou que não realizará mais corridas na Rússia, após romper o contrato com a organização do evento. A medida aconteceu dias após a realização do GP da Rússia ser suspensa por conta da guerra na Ucrânia.
“A Fórmula 1 pode confirmar que rescindiu seu contrato com o organizador do Grande Prêmio da Rússia, o que significa que a Rússia não terá uma corrida no futuro”, disse um porta-voz da categoria à CNN.
A corrida, que tradicionalmente acontecia no circuito na cidade de Sóchi, deveria ser transferido para São Petersburgo a partir de 2023. Com o anúncio desta quinta (3), os planos estão cancelados.
Yuki Tsunoda, da Alphatauri, durante Grande Prêmio da Rússia de Fórmula 1 / Reuters
Mila Kunis e Ashton Kutcher prometem doar US$ 3 milhões para refugiados ucranianos
A “orgulhosa ucraniana” Mila Kunis e seu marido, Ashton Kutcher, prometeram doar até US$ 3 milhões para ajudar os refugiados que fogem de seu país natal em meio ao conflito com a Rússia.
O casal de Hollywood lançou uma campanha “Fique com a Ucrânia”, da GoFundMe, nessa quinta-feira (3), que tem como objetivo arrecadar US$ 30 milhões para Flexport.org e Airbnb.org, que, segundo eles, são “duas organizações que estão fornecendo ativamente ajuda imediata para aqueles que mais precisam”.
Ashton Kutcher e Mila Kunis: ajuda aos refugiados ucranianos / Reprodução/Instagram
Russos estão criando uma catástrofe humanitária, diz prefeito de Mariupol
O prefeito da cidade sitiada de Mariupol, no sul da Ucrânia, Vadym Boichenko, disse que os militares russos estão criando uma “catástrofe humanitária” na cidade.
Em um post em sua conta do Telegram, o prefeito declarou: “eles estão bloqueando o fornecimento e o reparo de eletricidade, água e aquecimento. Também danificaram as ferrovias.”
“Destruíram pontes e esmagaram trens para que não possamos retirar mulheres, crianças e idosos de Mariupol”, acrescentou.
A Rússia está interrompendo o fornecimento de alimentos, “bloqueando-nos como na antiga Leningrado [na Segunda Guerra Mundial], destruindo deliberadamente a infraestrutura crítica de suporte à vida da cidade nos últimos sete dias”, disse o prefeito, que acrescentou que a cidade não tinha luz, água ou calor.
Tanques entram em Mariupol, na Ucrânia / Carlos Barria/Reuters
Mães e crianças se abrigam em porão de hospital em Kiev
No porão do Hospital Infantil Ohmatdyt, em Kiev, na Ucrânia, mães e bebês buscam conforto em camas improvisadas e cobertores dispostos em ambos os lados de um corredor de concreto.
Crianças mais velhas que estão muito debilitadas para ir para casa ou fugir da capital com suas famílias após a invasão da Ucrânia pela Rússia também estão se adaptando à vida sitiada, ficando longe de janelas e deitadas em corredores enquanto recebem tratamento intravenoso.
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma "operação militar especial" na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.