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Chefe de política da ONU diz que ofensiva russa a usinas nucleares contraria lei internacional

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PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 04/03/2022
A chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, disse nesta sexta-feira (4) ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que as operações militares em torno de instalações nucleares contrariam a legislação internacional. “Os ataques a instalações de energia nuclear são contrários ao direito internacional humanitário… Todo esforço deve ser feito para evitar um incidente nuclear catastrófico”, afirmou. O Conselho de Segurança da ONU realiza nesta sexta-feira (4) uma reunião de emergência após a tomada da usina nuclear de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia. As forças russas seguem com as operações militares no país, neste nono dia da guerra, e estão cercando a capital ucraniana, Kiev – assista ao vivo acima a cobertura especial da CNN. A tomada do controle da usina, a maior de energia nuclear da Europaaconteceu após um incêndio que durou quatro horas num prédio de treinamento do lado de fora do complexo do reator principal. O Serviço de Emergência da Ucrânia conseguiu controlar o fogo às 6h20 no horário local (1h20 no horário de Brasília). Os níveis de radioatividade não foram alterados, segundo informação do órgão regulador ucraniano repassada à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na reunião, o representante russo disse que Kiev cria “narrativas artificiais”. Ele endossou a posição de Moscou de que “sabotadores ucranianos” teriam entrado em conflito com forças russas, que, segundo o embaixador da Rússia, está sob tutela russa desde 28 de fevereiro. O embaixador brasileiro, em sua fala, afirmou estar “quase constrangido em reiterar que encaramos circunstancias extremamente sérias”, e pediu por um cessar-fogo na região. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou as forças russas de atacarem intencionalmente a usina nuclear e pediu aos líderes mundiais que detenham as forças russas “antes que isso se torne um desastre nuclear”. Os russos, por outro lado, acusam “sabotadores” ucranianos de serem os responsáveis pelo incêndio, um ato de “monstruosa provocação”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov. Logo após a confirmação da ocorrência, havia o temor de que o fogo provocasse um vazamento de material radioativo, o que não foi reportado. Em 1986, a Ucrânia viveu o catastrófico acidente nuclear ocorrido na usina de Chernobyl. O porta-voz da usina de Zaporizhzhia, Andrii Tuz, afirmou que a central não sofreu nenhum dano crítico, embora apenas uma unidade de geração de energia entre seis esteja operando.

Destaques das últimas 24 horas

  • ONU realiza reunião de emergência no Conselho de Segurança após Rússia tomar usina
  • Putin diz que 3ª rodada de negociações acontecerá neste fim de semana
  • Otan não implementará zona de exclusão aérea na Ucrânia, diz secretário-geral
  • Níveis de radiação de Zaporizhzhia não sofreram grandes alterações, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica
  • Presidente ucraniano pediu aos líderes mundiais que detenham as forças russas “antes que um desastre nuclear aconteça”
  • Mariupol, no sul do país, ainda está sob controle ucraniano, mas “está cercada por forças russas”
  • Banco Central da Rússia informou que a Bolsa de Valores de Moscou não vai operar nesta sexta, completando uma semana de inatividade
  • Brasil autorizou concessão de visto humanitário para ucranianos
  • Casa Branca anuncia sanções a “companheiros de Putin e seus familiares”
Além do cerco a Kiev, no restante do país, as forças russas seguem avançando e ameaçando importantes cidades ucranianas. Mariupol, no sul, ainda está sob controle ucraniano, mas “provavelmente cercada por forças russas”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido. Em Kharkiv, segunda maior cidade do país, 33 civis morreram vitimas dos ataques russos nas últimas 24 horas.

Números da guerra

Segundo informação das Forças Armadas da Ucrânia, até esta sexta-feira (4), 9166 russos perderam a vida no confronto. 251 tanques e 33 aeronaves (não especificadas) foram abatidas pelos ucranianos. Os russos também teriam perdido 37 helicópteros e 939 veículos blindados.

A Rússia não confirma os números. Informações do Ministério da Defesa russo divulgadas no dia 2 de março dão conta de 498 mortes confirmadas.

Também há um monitoramento das mortes fora das forças armadas. O escritório de direitos humanos da ONU disse, nesta sexta-feira, que 331 civis foram mortos e 675 feridos na Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, acrescentando que o número real provavelmente foi muito maior. Entre os 331 mortos, estavam 19 crianças, afirma a ONU.

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