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Rotas de fuga de civis são abertas na Ucrânia com cessar-fogo temporário

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08/03/2022
Rotas de fuga de civis são abertas na Ucrânia com cessar-fogo temporário
Foto: CNN
O Ministério de Defesa da Rússia informou, nesta terça-feira (8), que corredores humanitários foram abertos em cinco cidades ucranianas, entre elas a capital, Kiev. As forças russas afirmaram que interromperam os ataques nos locais das rotas por volta de 9 horas no horário local — 4 horas de Brasília. Além de Kiev, os corredores estão localizados em Sumy, Cherhihiv, Kharkiv e Mariupol. Autoridades do Ministério da Defesa da Ucrânia também confirmaram que o resgate em alguns dos corredores está acontecendo. Estudantes estrangeiros estão sendo levados de Sumy para Poltava. No entanto, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Oleg Nikolenko, afirmou no Twitter nesta terça que forças russas bombardearam uma rota de evacuação para civis presos em Mariupol. “8 caminhões + 30 ônibus prontos para entregar ajuda humanitária a Mariupol e evacuar civis para Zaporizhzhia. A pressão sobre a Rússia DEVE aumentar para que ela cumpra seus compromissos”, escreveu. A Rússia não se manifestou sobre a acusação.

Invasão russa da Ucrânia revela conflito de interesses de China e Índia

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o chamou de “querido amigo”. O líder chinês, Xi Jinping, deu um passo adiante, chamando-o de seu “melhor amigo do peito”. Mas o ataque do líder russo, Vladimir Putin, à Ucrânia colocou em questão as relações anteriormente calorosas da Rússia com as potências asiáticas. Tanto a China quanto a Índia se recusaram a condenar a invasão brutal da Rússia, e ambas se abstiveram de votar nas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Assembleia Geral exigindo que Moscou pare imediatamente seu ataque à Ucrânia. Mas com os Estados Unidos deixando claro que veem os países que não condenam a guerra de Putin como alinhados com a Rússia, as duas nações mais populosas do mundo estão enfrentando crescente pressão internacional para se manifestar – ou correm o risco de serem vistas como cúmplices.
O premiê indiano Narendra Modi e o presidente chinês Xi Jinping
O premiê indiano, Narendra Modi, e o presidente chinês, Xi Jinping / Foto: Twitter/ Reprodução

Guerra na Ucrânia alimenta incerteza e preocupações para economia mundial

A invasão da Rússia à Ucrânia provocou reações na comunidade internacional, e a principal delas foram as sanções impostas ao governo de Vladimir Putin. Desde o início do conflito, a instabilidade aumentou nas bolsas ao redor do mundo, assim como os preços do gás, do petróleo e de seus derivados, que têm a Rússia como importante exportador, e de alimentos como trigo e milho. As restrições econômicas à Rússia também afetam as cadeias do comércio global e geram incerteza sobre o futuro dessas transações. O possível isolamento de instituições financeiras russas tende a influenciar os setores da economia mundial em que o país tem forte participação. Neste episódio do E Tem Mais, Carol Nogueira apresenta um balanço dos impactos econômicos da guerra na Ucrânia. Para dimensionar a extensão dos efeitos econômicos do conflito e até que ponto a economia brasileira também pode ser afetada, participam deste episódio o economista Clemens Nunes, professor da FGV, e a analista de economia da CNN Brasil Raquel Landim.

Rodada de negociações

Uma nova rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia ocorreu na segunda-feira (7) em Brest, cidade de Belarus, onde foi alcançado um “pequeno avanço” em relação à logística de corredores humanitários na Ucrânia, disse um dos negociadores ucranianos. “Continuaram as consultas intensivas sobre o bloco político básico dos regulamentos, juntamente com um cessar-fogo e garantias de segurança”, complementou Mykhailo Podoliyak, conselheiro da Presidência ucraniana, no Twitter. Do outro lado, o russo Vladimir Medinsky avaliou que as negociações “não são fáceis”, e que “é muito cedo para falar sobre algo positivo”, declarou o integrante da comitiva. “Espero que da próxima vez possamos dar um passo maior em frente”, disse. Também nesta segunda, a Rússia impôs novas condições para cessar a guerra na Ucrânia, sugerindo uma mudança da Constituição do país vizinho para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes, afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Danos em infraestrutura chegam a US$ 10 bilhões

A Ucrânia sofreu cerca de US$ 10 bilhões em danos à infraestrutura desde que a Rússia invadiu o país, disse o ministro da Infraestrutura, Oleksander Kubrakov, na segunda-feira. “A maioria das estruturas [danificadas] serão reparadas em um ano, e as mais difíceis em dois anos”. Kubrakov disse que 40 mil pessoas foram evacuadas da cidade de Kharkiv, no leste, no domingo (6). Mas a Ucrânia apelou à Rússia para deixar os civis deixarem outras cidades e um funcionário do Ministério do Interior, Vadym Denysenko, disse que 4.000 civis ainda precisam ser evacuados dos arredores da capital Kiev. “A Rússia está fazendo todo o possível para evitar corredores [humanitários]”, acrescentou Denysenko.

Boris Johnson anuncia nova ajuda a Ucrânia, e Canadá impõe sanções a oligarcas russos

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse na segunda-feira que seu governo está prometendo mais 175 milhões de libras (R$ 1,16 bilhão) em ajuda à Ucrânia para lidar com a crescente crise humanitária causada pela guerra. O financiamento extra eleva o apoio britânico à Ucrânia para cerca de 400 milhões de libras, disse ele em uma coletiva de imprensa junto a Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, e Mark Rutte, premier da Holanda. Trudeau, que se encontrou na segunda com a Rainha Elizabeth, afirmou que seu país imporia sanções a oligarcas russos. “Hoje o Canadá está anunciando novas sanções a 10 indivíduos cúmplices dessa invasão injustificada, incluindo antigos e atuais altos funcionários do governo, oligarcas e apoiadores da liderança russa. Os nomes desses indivíduos vêm de uma lista compilada pelo líder da oposição preso, Alexei Navalny“, declarou Trudeau.

Sensação de medo aumentou em quem tenta deixar Kiev, diz correspondente da CNN

Os cidadãos de Kiev, capital ucraniana, estão cada vez mais desesperados para deixar a cidade rumo ao leste, afirmou a correspondente da CNN Internacional Clarissa Ward, que acompanhou o embarque de pessoas nos trens que deixam o local. “É uma cena que a gente já viu acontecer no país. Estávamos na estação há uma semana e há uma intensificação de urgência, porque estão vendo que as partes norte e oeste da cidade estão cada vez mais afetadas”, afirmou Ward.
“As pessoas estão com mais medo porque os russos estão se aproximando mais, chegando também pelo sul, o que significa que a cidade está cercada. Elas estão desesperadas para sair o quanto antes. É terrível ver o medo no olho das pessoas”, afirmou.

Moeda ucraniana foi a que mais perdeu valor em fevereiro, aponta levantamento

Os refugiados ucranianos que conseguiram deixar o país em meio à invasão russa, segundo dados do Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), terão um desafio a mais para se estabelecer em seus novos destinos. Os poucos que tenham conseguido levar algum dinheiro terão que lidar com a desvalorização da grívnia ucraniana, moeda que mais perdeu valor em fevereiro de 2022: uma queda de 6,6% em relação ao dólar, de acordo com um estudo da agência de classificação de risco Austin Rating elaborado a pedido do CNN Brasil Business.
Ucrânia grívnia
Grívnia, moeda da Ucrânia / Roman Synkevych/Unsplash

Vídeo – Jornalistas registram momento de ataque em cidade perto de Kiev

Um grupo de profissionais da imprensa registrou o momento no qual a cidade de Irpin, próxima a Kiev, é atingida por um bombardeio. O local é um dos pontos de saída de civis da cidade. Veja abaixo.

Planos para governo ucraniano no exílio

Autoridades norte-americanas e europeias têm discutido como o Ocidente apoiaria um governo no exílio dirigido pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, caso ele tivesse que fugir de Kiev, disseram autoridades ocidentais à CNN. As discussões vão desde o apoio a Zelensky e às principais autoridades ucranianas em uma possível mudança para Lviv, no oeste da Ucrânia, até a possibilidade de Zelensky e seus assessores serem forçados a fugir da Ucrânia e estabelecer um novo governo na Polônia, segundo as autoridades. As discussões são apenas preliminares e nenhuma decisão foi tomada, disseram as fontes.

Relatórios indicam crimes de guerra da Rússia, dizem EUA

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse em entrevista exclusiva à CNN, que os Estados Unidos receberam “relatórios confiáveis” que indicam que a Rússia cometeu crimes de guerra durante a invasão à Ucrânia. “Vimos alguns relatórios bastante seguros que indicam ataques deliberados a civis, que constituem um crime de guerra. São bastante críveis”, afirmou Blinken ao programa “State of the Union”, da CNN. “O que estamos fazendo agora é documentar tudo isso, juntar tudo, olhar para isso e garantir que, à medida que as pessoas e as organizações e instituições apropriadas investiguem se crimes de guerra foram ou estão sendo cometidos, podemos apoiar o que elas [organizações] estão fazendo”, acrescentou. “Estamos analisando esses relatórios. Eles são bem embasados, e nós estamos documentando tudo.” Blinken também confirmou que Estados Unidos e a Polônia estão avaliando a possibilidade de os poloneses fornecerem caças para a Ucrânia. A informação já havia sido divulgada por um porta-voz da Casa Branca.

Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?

A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. “É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
  • ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões Rússia: US$ 45,3 bilhões
  • TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados Rússia: 840 mil soldados
  • AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170 Rússia: 1.212
  • HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170 Rússia: 997
  • TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302 Rússia: 3.601
  • ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555 Rússia: 5.613

Resumo para entender o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país. O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência). O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev. Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.
Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos. A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país. Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito. A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou. A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.