Mundo

Kremlin diz que EUA declararam “guerra econômica” contra Rússia

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 09/03/2022
Kremlin diz que EUA declararam “guerra econômica” contra Rússia
Foto: CNN
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse, nesta quarta-feira (9), que os Estados Unidos declararam “guerra econômica” à Rússia. Ele classificou as sanções aplicadas pelo Ocidente como um ato hostil, que agitou os mercados globais. Peskov ainda disse que Moscou está considerando como irá responder à medida anunciada por Biden na terça-feira (8). Os EUA proibiram importações de petróleo e gás natural russos. Assista ao vivo acima a cobertura especial da CNN. A expectativa é de que o presidente russo, Vladimir Putin, reúna os membros do seu governo nesta quinta para discutir como minimizar o impacto das sanções econômicas sobre a economia do país. Também nesta quarta-feira (9), um novo cessar-fogo para a saída de civis da Ucrânia através de corredores humanitários foi informado pelos russos. A Rússia também disse que não têm como objetivo derrubar o governo de Kiev e que preferem alcançar a “meta de neutralidade da Ucrânia” através de negociações. As declarações sobre alcançar o objetivo pelas negociações foram da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova. Apesar do anúncio da Rússia do novo cessar-fogo, com interrupção desde às 9 horas local (4 horas de Brasília) desta quarta, as  Forças Armadas ucranianas divulgaram um comunicado afirmando ser “difícil confiar no ocupante”. Além da capital, Kiev, os corredores humanitários para pessoas estarão em Chernihiv, Sumy, Kharkiv e Mariupol. Apenas em Sumy, 5 mil pessoas deixaram a cidade na terça-feira. O prefeito de Sumy, Oleksandr Lysenko, confirmou que civis em carros particulares estavam deixando a cidade também nesta quarta-feira. Enquanto a saída dos civis acontece, as tropas russas seguem próximas da capital, Kiev.

Destaques das últimas 24 horas

  • Porta-voz do Kremlin diz que EUA declararam “guerra econômica” contra a Rússia
  • Putin se reunirá nesta quinta (10) com membros do governo para discutir como minimizar impacto das sanções
  • Rússia diz que cessar-fogo segue nesta quarta-feira para a retirada de civis
  • Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo negou que objetivo é derrubar governo ucraniano
  • Reino Unido afirma que defesa aérea ucraniana mostra eficiência contra jatos russos e anuncia doação de armas
  • Alemanha e Canadá pedem cuidado a países sobre quais armamentos entregar aos ucranianos
  • Kamala Harris deve iniciar viagem à Polônia e Romênia nesta quarta-feira (9)
  • Zelensky diz que não vai insistir para que a Ucrânia faça parte da Otan
  • Após Biden proibir petróleo russo, Putin ordena proibição de importação e exportação de matéria-prima
  • Moradores transformam Kiev em ‘fortaleza’ na tentativa de defender a cidade
  • Em carta aberta, primeira-dama da Ucrânia condena morte de crianças na guerra
  • AEIA diz que perdeu contato com transmissão de dados dos sistemas de monitoramento de salvaguardas de Chernobyl

Vídeo – Estação de trem em Lviv, na Ucrânia, tem 50 mil refugiados por dia

Reino Unido anuncia envio de mísseis para Ucrânia; Alemanha e Canadá pedem cautela

O Reino Unido está aumentando seu fornecimento de sistemas de armas para a Ucrânia em “resposta a novos atos de agressão da Rússia”, disse o ministro da Defesa britânico, Ben Wallace. Também nesta quarta, o Ministério da Defesa britânico destacou que a defesa aérea ucraniana está conseguindo reduzir o número de ataques aéreos dos aviões russos. O Reino Unido já forneceu 3.615 armas antitanque para a Ucrânia e em breve também fornecerá uma pequena remessa de mísseis antitanque Javelin, disse ele a parlamentares. Os primeiros-ministros da Alemanha e Canadá, Olaf Scholz e Justin Trudeau, respectivamente, avaliaram nesta quarta-feira (9) as medidas tomadas para auxiliar as forças ucranianas contra a invasão russa, ponderando que é necessário “cuidado” na análise sobre quais armamentos entregar. O chanceler alemão disse que não faz sentido uma solução militar para o conflito na Ucrânia e espera, em vez disso, que uma solução possa ser encontrada nas negociações do país com a Rússia.

Guerra na Ucrânia acende alerta sobre preocupações e ameaças de risco nuclear

A disputa pelo controle de usinas nucleares na Ucrânia e o gesto do presidente da RússiaVladimir Putin, de colocar em alerta as forças nucleares russas acenderam um sinal de preocupação na comunidade internacional. O clima de tensão na região trouxe a lembrança do período da Guerra Fria, quando as duas maiores potências nucleares do planeta, Estados Unidos e Rússia, mantinham a paz equilibrada na crença de que o inimigo não seria o primeiro a apertar o botão. Agora, a preocupação, de um lado, recai sobre a segurança das usinas nucleares ucranianas e, de outro, no arsenal nuclear russo, que responde por mais da metade das ogivas existentes no planeta. Neste episódio do E Tem Mais, Carol Nogueira apresenta um panorama sobre as preocupações de que a guerra na Ucrânia atinja instalações nucleares na região. Para esclarecer as dúvidas sobre a segurança e os riscos do quadro nuclear do conflito, participam deste episódio o físico Edilson Crema, professor da USP, e a pesquisadora Nathana Garcez, especialista em relações internacionais.

Mais retaliações contra a Rússia

O cessar-fogo ocorre em meio a novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia. O presidente norte-americano, Joe Biden, proibiu as importações de petróleo e gás natural da Rússia. Biden afirmou que a mais nova medida a impor custos à Rússia pela guerra foi tomada após consultar aliados, como países da União Europeia. Entretanto, o presidente disse entender que este movimento pode aumentar o preço dos combustíveis no mundo, incluindo nos Estados Unidos. Antes de o presidente norte-americano falar, o Reino Unido também anunciou novas medidas e decidiu encerrar até o final do ano a importação de petróleo russo. Os britânicos informaram que buscarão alternativas para o abastecimento e que as empresas devem se preparar para este período de transição para que os consumidores não sejam afetados.

Governo Putin contra-ataca

Em resposta às sanções anunciadas pelos Estados Unidos, o presidente Vladimir Putin emitiu ordem para restringir ou proibir importações e exportações de determinados produtos e matérias-primas da Rússia em 2022, segundo informou a mídia estatal RIA. A lista desses produtos que serão restritos e/ou proibidos ainda não foi definida pelo governo russo. O decreto sobre medidas econômicas estrangeiras especiais é destinado a garantir a segurança da Rússia. O governo terá que definir a lista de estados a serem abrangidos por essas decisões dentro de dois dias, diz a RIA, mas acrescenta que essas restrições não abrangerão produtos ou matérias-primas transportados pelos cidadãos para suas necessidades pessoais.

Brasil não vai aderir a sanções contra Rússia

O governo brasileiro descarta adotar sanções econômicas contra a Rússia. A avaliação no Palácio do Planalto, endossada pela diplomacia brasileira, é de que as sanções acabam por agravar a situação econômica mundial, em especial dos países menos desenvolvidos, como o Brasil. Além disso, há a leitura de que sanções unilaterais são ilícitas e incompatíveis com os princípios da Carta das Nações Unidas. Não tem havido, contudo, indisposição dos países que lideram as sanções, como Estados Unidos, Japão e União Europeia a respeito da posição brasileira sobre rejeitar sanções a Rússia, segundo fontes do governo. Mesmo porque, segundo estas fontes, essa tem sido uma posição histórica brasileira. Por exemplo, ao condenar sanções dos Estados Unidos a Cuba. Mais recentemente, o embaixador do Brasil nas Nações Unidas, Ronaldo Couto Filho, posicionou-se contra sanções ao Iêmen, envolvido em conflito com países vizinhos. Em outra frente, o Brasil também tem se manifestado contra uma proposta de resolução apresentada pela França e pelo México no Conselho de Segurança da ONU que trata de questões humanitárias na guerra da Ucrânia.
Imagem noturna do Palácio do Itamaraty, em Brasília
Imagem noturna do Palácio do Itamaraty, em Brasília / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

China se oferece para fazer mediação

presidente Xi Jinping disse que a China está disposta a “trabalhar ativamente” com a comunidade internacional para mediar a guerra na Ucrânia, mas não deu detalhes e reiterou sua oposição às sanções ocidentais contra a Rússia. Durante uma ligação com o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, Xi disse que a situação na Ucrânia era “preocupante” e a China estava “profundamente entristecida pela eclosão da guerra novamente no continente europeu”, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

Situação em Chernobyl

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse na terça-feira (8) que perdeu o contato com a transmissão remota de dados dos sistemas de monitoramento de salvaguardas instalados na usina nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia, que foi tomada pelas forças russas no mês passado. Desde o desastre nuclear de 1986, a usina foi desativada. No entanto, o trabalho das equipes ainda é fundamental para garantir a segurança do local. Após a invasão russa, 210 funcionários de Chernobyl permanecem vivendo e trabalhando na antiga usina, sem revezamento da equipe. “A Agência está analisando o status dos sistemas de monitoramento de salvaguardas em outros locais da Ucrânia e fornecerá mais informações em breve”, disse a AIEA em comunicado.
Vista da extinta usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia / 03/04/2021 REUTERS/Gleb Garanich

“Não desistiremos e não perderemos”, diz Zelensky

Em um pronunciamento feito por videoconferência ao Parlamento do Reino Unido, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que os ucranianos “não desistirão” e “não perderão” a guerra, que foi iniciada com a invasão russa no dia 24 de fevereiro. Dirigindo-se ao parlamento britânico e ovacionado de pé em uma câmara lotada de legisladores, Zelensky documentou a invasão russa dia a dia, listando as armas usadas, os civis mortos e aqueles que ficaram sem comida e água. Falando diretamente ao premiê, após agradecer a ajuda já enviada, Zelensky cobrou que Johnson imponha sanções mais duras e reconheça a Rússia como um Estado terrorista.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, discursa ao Parlamento do Reino Unido
O presidente Volodymyr Zelensky discursa ao Parlamento do Reino Unido. / Reprodução/CNN Brasil (8.mar.2022)

Ucrânia diz que não vai insistir para entrar na Otan

Também na terça, em entrevista ao canal de televisão ABC, dos Estados Unidos, Zelensky afirmou que não vai insistir para que Ucrânia faça parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A possível adesão do país ao bloco ocidental é uma das principais questões que levaram à invasão do território ucraniano pelo exército da Rússia. “Quanto à Otan, moderei a minha posição sobre essa questão há algum tempo, quando percebi que a Otan não estava pronta para aceitar a Ucrânia”, disse o presidente ucraniano. Zelensky explicou que não quer ser visto como o presidente de um “país que implora de joelhos” para ingressar na aliança militar do ocidente. De acordo com ele, “a aliança tem medo de tudo o que seja controverso e de um confronto com a Rússia“.

Civis transformam Kiev em ‘fortaleza’

Em Kiev, capital da Ucrânia, civis estão atuando como soldados voluntários e estão contribuindo para proteger a cidade contra a invasão dos russos. Ao longo da estrada que leva Kiev à região sul do país, enormes barreiras de metal antitanque, conhecidas como “ouriços” por causa de sua forma pontiaguda, são colocadas em intervalos regulares. E bloqueios improvisados ​​feitos de sacos de areia e enormes blocos de concreto estão em todas as saídas. Quase 40 mil voluntários se juntaram às Forças de Defesa Territoriais nos primeiros dois dias após o início da invasão, de acordo com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas ucranianas. Só em Kiev, 18 mil pessoas pegaram em armas quando as autoridades pediram voluntários e reservistas para fazê-lo. Quem não foi para a linha de combate ajuda como pode, fazendo coquetéis molotov, costurando redes de camuflagem para barricadas, distribuindo comida, bebidas quentes e cigarros para os combatentes. Os civis também estão arrecadando dinheiro para os militares, construindo mais bloqueios nas estradas e até pintando sinais de trânsito na tentativa de confundir as forças invasoras.

Resistência em Kharkhiv

O prefeito de Kharkiv, Ihor Terekhov, disse à CNN que está “absolutamente confiante” de que sua cidade derrotará as forças russas. Sob o cerco de constantes bombardeios russos, a segunda maior cidade da Ucrânia ainda resiste e pode continuar com vida, disse Terekhov. Os bombardeios de artilharia pesada, ataques aéreos e incêndios em bairros residenciais deixaram a cidade do nordeste devastada, mas ainda não caiu nas mãos dos russos e “resistirá” graças ao exército ucraniano, insistiu Terekhov.
Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana, está sob ataques desde início da invasão
Kharkiv, segunda maior cidade ucraniana, está sob ataques desde início da invasão / NurPhoto via Getty Images

Estados Unidos enviam mísseis à Polônia

Os Estados Unidos estão enviando duas baterias de mísseis Patriot para a Polônia como um “desdobramento defensivo” para combater qualquer ameaça potencial aos aliados da Otan durante a invasão da Rússia na Ucrânia, segundo informações de um porta-voz do Comando Europeu nos EUA, na noite de terça-feira (8). Os mísseis Patriot são sistemas de mísseis de defesa aérea. Eles são projetados para combater e destruir mísseis balísticos de curto alcance, aeronaves avançadas e mísseis de cruzeiro. “Esta é uma medida prudente de proteção de forças que sustenta nosso compromisso com o Artigo 5º e não apoiará de forma alguma operações ofensivas”, declarou o capitão Adam Miller, dos Estados Unidos, em uma declaração, referindo-se ao princípio de que um ataque a um membro da Otan é um ataque a todos os membros.

Polônia coloca aviões militares à disposição

Aeronave militar Mig-29
Aeronave militar Mig-29 / Getty Images
A Polônia anunciou que está pronta para posicionar todos os seus caças MiG-29 de forma imediata e gratuita na Base Aérea de Ramstein, na Alemanha, da Força Aérea dos EUA. Os aviões serão colocados à disposição de Washington para fornecê-los à Ucrânia, de acordo com uma declaração do Ministério das Relações Exteriores do país. “Ao mesmo tempo, a Polônia solicita aos Estados Unidos que nos forneçam aeronaves usadas com capacidades operacionais correspondentes. A Polônia está pronta para estabelecer imediatamente as condições de compra dos aviões”, acrescentou.

Refugiados

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de refugiados da guerra passou dos 2 milhões. A União Europeia estima que o número possa chegar a 5 milhões se a guerra continuar. “Há centenas de milhares de pessoas em movimento, tentando fugir da zona de combate e buscar refúgio primeiro dentro da Ucrânia nas zonas seguras. Mas o espaço seguro está diminuindo e as pessoas estão inevitavelmente tentando cruzar as fronteiras”, disse ele. Quase todos os refugiados são mulheres, crianças e idosos, segundo Grandi, que disse não ter visto tamanha preponderância em toda a sua carreira. “É uma população muito específica. É significativo que no Dia Internacional da Mulher, os homens façam a guerra e as mulheres paguem as consequências”, complementou.