Reunião entre chanceleres não tem avanço por cessar-fogo de 24 horas; Mariupol tem batalhas
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10/03/2022
Foto: CNN
A reunião entre os principais diplomatas das duas nações envolvidas na guerra não teve avanço na questão de um cessar-fogo de 24 horas para ajuda aos civis. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontrou o chanceler russo, Sergey Lavrov, no sul da Turquia nesta quinta-feira (10).
A guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou na terceira semana. Os conflitos mais intensos seguem na cidade de Mariupol, onde os russos disserem que assumiram parte do controle. A saída de civis por corredores humanitários prossegue nesta quinta-feira (10), enquanto repercute um bombardeio a um hospital infantil e maternidade.
Sobre a reunião, Kuleba disse em entrevista coletiva que a situação mais difícil estava na cidade de Mariupol e que Lavrov não se comprometeu com um corredor humanitário no local.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou os ataques ao hospital em Mariupol. Os russos alegaram que as notícias sobre o bombardeio são falsas. “É assim que nascem as notícias falsas”, disse no Twitter Dmitry Polyanskiy, primeiro representante permanente adjunto da Rússia nas Nações Unidas.
As batalhas em Mariupol prosseguem. O Ministério da Defesa da Rússia, através da agência russa Tass, disse que assumiu parte do controle da cidade e que 2911 instalações militares ucranianas já foram destruídas desde o início da guerra. As perdas russas, no entanto, podem ter passado de 6 mil soldados.
Também nesta quinta, a Ucrânia está abrindo sete “corredores humanitários” para que civis deixem cidades sitiadas por forças russas, informou a vice-primeira-ministra, Iryna Vereshchuk.
Os civis já começaram a deixar a cidade de Sumy, no nordeste do país, sob um cessar-fogo local, disse o governador regional. Na quarta, segundo Zelensky, quase 35 mil pessoas foram resgatadas” através dos corredores humanitários.
Destaques das últimas 24 horas
Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontra o chanceler russo, Sergey Lavrov; reunião não tem avanço na questão de um cessar-fogo de 24 horas
Pentágono diz que EUA não apoiam transferência de caças para a Ucrânia
Sete corredores humanitários serão abertos nesta quinta-feira (10) para a saída de civis
Putin se reunirá nesta quinta-feira (10) com membros do governo para discutir como minimizar impacto das sanções
Rússia diz ter assumido parte do controle da cidade de Mariupol, batalhas prosseguem no local
Ucranianos acusam Rússia de bombardeio em maternidade na cidade de Mariupol; Russos alegam fake news
Vídeo – Repórter da CNN mostra fuga de milhares de ucranianos de Kiev
Comboio russo ao redor de Kiev tem feito poucos progressos
Como Putin ‘destruiu’ o rublo e levou a Rússia à beira da inadimplência
A Rússia proibiu seus cidadãos de comprar dólares americanos, completando o isolamento de uma economia que já teve ambições de se juntar ao clube global das potências financeiras.
Tão recentemente quanto a crise financeira global de 2008, o presidente russo Vladimir Putin e seus tenentes promoveram o rublo como uma alternativa potencial ao dólar americano, argumentando que deveria ser parte integrante do sistema financeiro global. A Rússia se tornaria uma das cinco maiores economias do mundo, afirmaram.
A busca de Putin para dominar seus vizinhos, começando com seu ataque à Geórgia em 2008, e continuando com a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia no mês passado, destruiu o que restava dos sonhos econômicos do líder autoritário.
No início de 2008, um dólar americano compraria cerca de 25 rublos. A moeda russa se desvalorizou significativamente desde então, e as sanções ocidentais impostas em resposta à invasão da Ucrânia a levaram à queda livre.
Uma nota de rublo russo / Reuters
Imagens de satélite mostram casas, prédios, mercearias e shoppings destruídos em Mariupol
À medida que as nuvens densas que cobrem a cidade de Mariupol, ao sul da Ucrânia, se dissipam, a destruição da invasão russa na cidade começa a ser capturada em novas imagens de satélite da Maxar Technologies.
Nas imagens, que foram tiradas nesta quarta-feira (9) às 10h16, no horário local (5h16 no horário de Brasília), várias casas, prédios, mercearias e shopping centers foram danificados nos combates.
Em uma área residencial no centro de Mariupol, várias casas sofreram danos e pelo menos duas foram completamente destruídas.
Imagens de satélite Maxar mostram destruição de mercearias e shopping centers no oeste de Mariupol, Ucrânia / Satellite image (c) 2022 Maxar Technologies/Getty Images
Prestes a fechar, loja do McDonald’s em Moscou já foi a maior da rede no mundo
A inauguração da primeira lanchonete do McDonald’s na Rússia, em 31 de janeiro de 1990, foi um marco bastante simbólico da gradual chegada do capitalismo a uma comunista União Soviética que ainda estava de pé, mas com os dias contados para acabar.
A dissolução terminal do bloco, que já vinha de uma mistura de transição com decadência ao longo dos anos de 1980, seria oficializada em 25 de dezembro de 1991, com a renúncia de Mikhail Gorbachev à presidência.
A abertura da primeira loja do McDonald’s na Rússia, na Praça Pushkin, a dois quilômetros do Kremlin em Moscou, foi marcada por uma fila de mais de 400 metros televisionada por todo o mundo.
McDonald’s em Moscou: Rússia responde por 9% da receita da rede no mundo / Anadolu Agency via Getty Images (29/10/2021)
Era formada por russos ansiosos por experimentarem pela primeira vez um hamburguer e milk shake à moda americana e o “Bolshoi Mak”, nome que o Big Mac ganhou na Rússia (“bolshoi”, em russo, significa “grande”).
A inauguração também já acontecia com um recorde: com 900 lugares, a loja de Moscou já nascia sendo a maior da rede no mundo, e até hoje permanece entre as mais amplas da cadeia.
Aos 32 anos e um mês de vida, o McDonald’s da Praça Pushkin é uma das 847 lanchonetes que a rede possui hoje na Rússia e que fecharão nos próximos dias.
OMS: desafios de saúde na Ucrânia são hipotermia e falta de tratamento para doenças
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), alguns dos principais desafios de saúde na Ucrânia atualmente são hipotermia e falta de tratamento para doenças cardiovasculares, câncer e questões mentais.
“A única solução real para essa situação é a paz. A OMS continua pedindo à Rússia que encontre uma solução pacífica e conceda acesso humanitário às cidades”, disse Tedros Adhanom, diretor-geral da organização, em coletiva de imprensa na quarta-feira (9).
Tedros informou que foram registrados 18 ataques a hospitais, centros de saúde e ambulâncias, o que resultou em 10 mortes e 16 feridos.
Mark Ryan, diretor-executivo da OMS, complementou afirmando que hospitais foram abandonados devido à proximidade com a zona de conflito e falta de profissionais e equipamentos.
EUA não enviarão caças à Ucrânia
Os EUA não apoiam a transferência de aeronaves de combate para a Ucrânia, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, nesta quarta-feira (9).
O secretário de Defesa Lloyd Austin disse ao ministro da Defesa polonês que os EUA não apoiam a transferência de caças MiG-29 para a força aérea ucraniana “neste momento”, seja pela Polônia transferindo-os para a Ucrânia com os EUA preenchendo a frota da Polônia ou pela Polônia transferindo os MiG-29 para os EUA para depois entregá-los à Polônia.
Autoridades ucranianas acusam russos de bombardear maternidade em Mariupol
O conselho da cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, postou um vídeo de uma maternidade devastada na cidade e acusou as forças russas de lançar, na quarta-feira (9), várias bombas em ataques aéreos.
“Uma maternidade no centro da cidade, uma ala infantil e um departamento de medicina interna. Tudo isso foi destruído durante o ataque aéreo russo em Mariupol. Agora mesmo”, disse Pavlo Kyrylenko, governador da região de Donetsk.
Imagens divulgadas no perfil oficial do Twitter do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia mostram a fachada de um prédio com marcas de explosão.
A CNN não conseguiu verificar de forma independente se o hospital estava em operação e se havia pessoas no local.
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse na terça-feira (8) que perdeu o contato com a transmissão remota de dados dos sistemas de monitoramento de salvaguardas instalados na usina nuclear de Chernobyl, no norte da Ucrânia, que foi tomada pelas forças russas no mês passado.
Desde o desastre nuclear de 1986, a usina foi desativada. No entanto, o trabalho das equipes ainda é fundamental para garantir a segurança do local.
Após a invasão russa, 210 funcionários de Chernobyl permanecem vivendo e trabalhando na antiga usina, sem revezamento da equipe.
“A Agência está analisando o status dos sistemas de monitoramento de salvaguardas em outros locais da Ucrânia e fornecerá mais informações em breve”, disse a AIEA em comunicado.
Vista da extinta usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia / 03/04/2021 REUTERS/Gleb Garanich
Primeira-dama condena morte de crianças
A primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, publicou uma carta aberta em sua página do Facebook na terça-feira (8) refletindo sobre o que aconteceu com a Ucrânia nas últimas duas semanas desde a invasão russa.
“Apesar das garantias dos meios de propaganda apoiados pelo Kremlin, que chamam isso de ‘operação especial’ — é, de fato, o assassinato em massa de civis ucranianos”, disse Zelenska.
Na longa e sentimental carta, ela acrescentou: “Talvez o mais aterrorizante e devastador desta invasão sejam as vítimas infantis. Alice, de oito anos, que morreu nas ruas de Okhtyrka enquanto seu avô tentava protegê-la. Ou Polina, de Kiev, que morreu no bombardeio com seus pais. Arseniy, de 14 anos, foi atingida na cabeça por destroços e não pôde ser salva porque uma ambulância não conseguiu chegar a tempo por causa dos intensos incêndios”.
Primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska / Foto: Anna Moneymaker/Getty Images
Animais abandonados
Além da crise humanitária envolvendo os refugiados, milhares de animais de estimação estão sendo deixados para trás na fuga de civis da Ucrânia. Carregando o que conseguem e às pressas, muitas pessoas precisam deixar seus companheiros em abrigos ou na fronteira.
O enviado especial da CNN Brasil à Ucrânia, Mathias Brotero, visitou um dos locais que está funcionando 24 horas por dia para receber animais em Lviv, cidade próxima à fronteira com a Polônia.
Muitos deles são resgatados por voluntários e chegam doentes, machucados e com fome. Outros estavam em centros de reabilitação.
Ainda não há um balanço de quantos animais foram acolhidos nestes abrigos em toda a Ucrânia, mas uma voluntária destaca que a maior parte dos que foram resgatados são gatos, que chegam estressados, necessitando cuidados especiais.
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Um cachorro e um carrinho são vistos enquanto civis deixam a cidade de Irpin durante a evacuação durante a Guerra Rússia-Ucrânia, em 7 de março de 2022 (Foto de Andrea Filigheddu/NurPhoto via Getty Images)
Crédito: NurPhoto via Getty Images
Abrigo em Lviv
A situação em cidades mais ao oeste da Ucrânia, para onde a maioria dos refugiados se dirige primeiramente, não é mais confortável. Segundo o prefeito do município de Lviv, a cidade está lutando para fornecer comida e moradia para cerca de 200 mil ucranianos deslocados.
“Cerca de 200 mil ucranianos já chegaram a Lviv. Mulheres, crianças, idosos, fugindo de bombardeios, foram forçados a fugir de suas casas. Nós acomodamos a todos, fornecemos comida e tudo o que for necessário”, disse o prefeito Andriy Sadovyi em um comunicado em vídeo.
“Precisamos de centros móveis de permanência temporária com banheiros equipados e postos de alimentação. Apoio médico e psicológico, remédios, coletes à prova de balas e capacetes. Hospitais móveis para crianças e adultos”, complementou.
Pessoas esperam na estação ferroviária da cidade ucraniana ocidental de Lviv para embarcar em um trem para deixar o país em 7 de março de 2022, enquanto os ataques russos continuam / Anadolu Agency via Getty Images
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.