Rússia promete corredores humanitários diários para territórios sob seu controle
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN10/03/2022
Foto: CNN
A Rússia prometeu nesta quinta-feira (10) que irá abrir rotas de evacuação diárias para civis na Ucrânia. Os corredores humanitários levarão os cidadãos para território russo e funcionarão diariamente a partir das 10h, no horário local. A informação foi dada pelo coronel-general Mikhail Mizintsev, do Ministério da Defesa russo, nesta quinta-feira (10).
“Garantimos total segurança nos territórios controlados pelas Forças Armadas russas”, disse Mizintsev. Não está claro se há um prazo final para essas rotas abertas.
O ministério do Interior da Ucrânia diz que mais de 400 mil pessoas foram evacuadas na ucrânia, sendo que a maioria veio de zonas onde há combate em andamento.
Reunião entre Rússia e Ucrânia
A reunião entre os principais diplomatas das duas nações envolvidas na guerra no Leste Europeu não teve avanço no estabelecimento de um cessar-fogo de 24 horas para ajuda aos civis. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontrou o chanceler russo, Sergey Lavrov, no sul da Turquia nesta quinta-feira (10).
A guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou na terceira semana e as consequências financeiras para os russos foram abordadas em uma reunião entre ministros do governo nesta quinta. O presidente Vladimir Putin afirmou que as sanções ocidentais contra a Rússia não são legítimas e destacou que o país resolveria seus problemas “com calma”.
“Temos os recursos que podemos e estamos prontos para fornecer aos nossos parceiros estrangeiros. Deixe-me repetir: se eles criarem algum tipo de problema para nós, as consequências negativas para esta área da economia são inevitáveis. Elas são inevitáveis. O preço vai subir ainda mais”, acrescentou o presidente russo.
Continua a repercutir nesta quinta um bombardeio a um hospital infantil e maternidade que deixou três mortos. A Rússia disse que uma alegação ucraniana de que forças russas bombardearam as unidades de saúde em Mariupol é falsa e equivale a “terrorismo de informação”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou os ataques ao hospital em Mariupol. Os russos alegaram que as notícias sobre o bombardeio são falsas.
“É assim que nascem as notícias falsas”, disse no Twitter Dmitry Polyanskiy, primeiro representante permanente adjunto da Rússia nas Nações Unidas. “Isso é terrorismo de informação”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ao comentar sobre o caso.
Nesta quinta, o Twitter removeu postagens da Embaixada da Rússia no Reino Unido sobre o bombardeio ao hospital infantil. “Tomamos medidas de fiscalização contra os tweets que você mencionou por violarem as regras do Twitter, especificamente nossas políticas de conduta odiosa e comportamento abusivo relacionadas à negação de eventos violentos”, disse um porta-voz do Twitter.
Destaques das últimas 24 horas
Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontra o chanceler russo, Sergey Lavrov; reunião não tem avanço na questão de um cessar-fogo de 24 horas
Brasileiros que fugiram da guerra na Ucrânia chegam em Brasília
Pentágono diz que EUA não apoiam transferência de caças para a Ucrânia
Sete corredores humanitários serão abertos nesta quinta-feira (10) para a saída de civis
Kiev, capital ucraniana, está cercada por áreas com fortes combates, diz Prefeitura
Putin se reunirá com membros do governo para discutir como minimizar impacto das sanções
Rússia diz ter assumido parte do controle da cidade de Mariupol; batalhas prosseguem no local
Ucranianos acusam Rússia de bombardeio em maternidade de Mariupol; Russos alegam fake news
Resgate de brasileiros
O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que viajou para a Polônia para resgatar brasileiros e familiares que saíram da Ucrânia fugindo da guerra pousou em Brasília no início da tarde desta quinta. A aeronave saiu de Varsóvia, no país europeu, na quarta-feira (9).
O KC-390 Millennium chegou ao Brasil na manhã desta quinta, com uma parada técnica em Recife. O evento de recepção contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL). No total, 42 brasileiros, 20 ucranianos, cinco argentinos, um colombiano, oito cachorros e dois gatos saíram da Polônia com a aeronave.
Vídeo – Ucrânia diz que abriu rotas de fuga
Situação em Chernobyl
O Ministério da Energia da Rússia disse nesta quinta-feira que especialistas de Belarus restauraram o fornecimento de eletricidade para a usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia.
O ministro da Energia ucraniano, Herman Halushchenko, disse ter pedido oficialmente para os russos a abertura de passagem para o conserto das linhas afetadas. Ele afirmou que a planta estava funcionando por meio de geradores reserva a diesel.
Vista de local de confinamento da extinta usina nuclear de Chernobyl na Ucrânia / 05/04/2017 REUTERS/Gleb Garanich
Na terça-feira (8), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que havia perdido o contato com a transmissão remota de dados dos sistemas de monitoramento de salvaguardas instalados na usina.
Desde o desastre nuclear de 1986, a usina foi desativada. No entanto, o trabalho das equipes ainda é fundamental para garantir a segurança do local. Após a invasão russa, 210 funcionários de Chernobyl permanecem vivendo e trabalhando na antiga usina, sem revezamento da equipe.
Operação nas usinas nucleares
Após encontros com os ministros das Relações Exteriores de Rússia e Ucrânia nesta quinta-feira (10), o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, disse que é necessário “agir rápido” para normalizar as operações em Chernobyl e Zaporizhzhia.
“Talvez a gravidade do meu tom tenha a ver com a gravidade da situação, porque é uma situação muito terrível e precisamos agir rápido. E estou ciente da responsabilidade que temos e das expectativas que existem”, afirmou Grossi em coletiva de imprensa.
Usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, é a maior desse tipo na Europa / Dmytro Smolyenko/Future Publishing via Getty Images
Danos de guerra superam R$ 100 bilhões
O principal assessor econômico do governo da Ucrânia, Oleg Ustenko, disse nesta quinta-feira que as forças invasoras russas destruíram até agora pelo menos US$ 100 bilhões em infraestrutura, edifícios e outros ativos físicos.
Ustenko, conselheiro econômico do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, declarou em um evento online organizado pelo Instituto Peterson de Economia Internacional que a guerra fez com que 50% das empresas ucranianas fechassem completamente, enquanto a outra metade está operando bem abaixo de sua capacidade.
Danos causados ao gabinete do governador de Kharkiv após o ataque com mísseis do exército russo / Anadolu Agency via Getty Images
Kiev continua na batalha contra cerco
A administração regional de Kiev afirma que existem várias rotas, além da capital ucraniana, que estão perigosas por causa de combates intensos, incluindo na principal rodovia para o oeste de Zhytomyr e a cidade de Makariv.
O órgão da prefeitura disse que as áreas ao norte permanecem entre as mais arriscadas, incluindo os subúrbios das cidades de Bucha, Irpin e Gostomel, bem como o distrito de Vyshorod, mais ao norte da capital.
Moradores deixam a cidade de Irpin, próximo a Kiev, que é alvo de ataques atribuídos aos russos / Anadolu Agency via Getty Images
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, também falou sobre os refugiados que saíram da capital. “Um a cada dois moradores de Kiev deixaram a cidade. Há pouco menos de dois milhões de habitantes agora em Kiev”, afirmou o prefeito. “Agora Kiev se tornou uma fortaleza, todas as ruas e todos os edifícios”, destacou.
Nesta quinta, o Ministério da Defesa do Reino Unido disse que o comboio russo a noroeste de Kiev fez poucos progressos em mais de uma semana e está sofrendo perdas contínuas.
Biden cita inflação como consequência da guerra
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (10) pela Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, destacou que a população norte-americana “começa a sentir os impactos da agressão” da Rússia à Ucrânia com o aumento de preços, ao comentar a alta de 7,9% do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) em fevereiro, maior aumento anual em 40 anos.
“Um grande contribuinte para a inflação neste mês foi o aumento dos preços de gás e energia, à medida que os mercados reagiram às ações agressivas do presidente da Rússia, Vladimir Putin”, afirmou Biden, que também destacou o inevitável “custo doméstico” das sanções impostas a Moscou.
Presidente dos EUA, Joe Biden, faz discurso do Estado da União no Capitólio / 01/03/2022 Saul Loeb/Pool via REUTERS
Vice-presidente dos EUA na Polônia
A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, se reuniu com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, na manhã desta quinta-feira (10). A reunião estava cercada de incertezas sobre um plano ocidental de fornecimento de caças à Ucrânia, que não deve acontecer neste momento.
“O que está em jogo, neste exato momento, são alguns dos princípios orientadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte [Otan]. E, em particular, a questão da importância de defender a soberania e a integridade territorial e, neste caso, da Ucrânia”, disse Harris na entrevista coletiva, na qual também afirmou que os “EUA estão prontos para defender cada centímetro de território da Otan”.
Já Andrzej Duda informou que a Polônia já recebeu mais de 1,5 milhão de refugiados da guerra na Ucrânia até o momento. “Muitos estão em hotéis, casas, hospedarias, sendo recebidos pelas famílias polonesas porque as pessoas sabem que devem abrir seus corações e receber os refugiados”, acrescentou.
Inquietação chinesa
O presidente chinês, Xi Jinping, está “inquieto” com a invasão russa na Ucrânia, em parte porque “sua própria inteligência não parece ter dito a ele o que iria acontecer”, disse o diretor da CIA (Agência Americana de Inteligência), Bill Burns, ao Comitê de Inteligência do Senado dos EUA na quinta-feira (10).
A liderança chinesa também está preocupada com “o dano reputacional que a China sofre pela associação com a ‘feiura’ da agressão da Rússia contra a Ucrânia” e “as consequências econômicas em um momento em que as taxas de crescimento na China são menores do que em 30 anos”, segundo Burns.
“O presidente Xi provavelmente está um pouco inquieto ao observar a maneira como o presidente Vladimir Putin aproximou americanos e europeus e fortaleceu a aliança transatlântica de maneiras que seriam um pouco difíceis de imaginar antes da invasão”, disse o diretor da agência.
Alemanha e França pedem cessar-fogo
Presidente da Rússia, Vladimir Putin / 24/02/2022 Sputnik/Aleksey Nikolskyi/Kremlin via REUTERS
O chanceler alemão, Olaf Scholz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, pediram durante uma ligação ao presidente Vladimir Putin, da Rússia, pelo imediato cessar-fogo na Ucrânia.
A Putin, Scholz e Macron teriam “insistido que qualquer solução à crise deveria ser negociado entre a Rússia e a Ucrânia”.
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Rublo em queda
A Rússia proibiu seus cidadãos de comprar dólares americanos, completando o isolamento de uma economia que já teve ambições de se juntar ao clube global das potências financeiras.
Tão recentemente quanto a crise financeira global de 2008, o presidente Vladimir Putin e seus tenentes promoveram o rublo como uma alternativa potencial ao dólar americano, argumentando que deveria ser parte integrante do sistema financeiro global. A Rússia se tornaria uma das cinco maiores economias do mundo, afirmaram.
A busca de Putin para dominar seus vizinhos, começando com seu ataque à Geórgia em 2008, e continuando com a anexação da Crimeia em 2014 e a invasão da Ucrânia no mês passado, destruiu o que restava dos sonhos econômicos do líder autoritário.
No início de 2008, um dólar americano compraria cerca de 25 rublos. A moeda russa se desvalorizou significativamente desde então, e as sanções ocidentais impostas em resposta à invasão da Ucrânia a levaram à queda livre.
Uma nota de rublo russo / Reuters
Bloqueio a petróleo russo
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, por ampla maioria, projeto de lei que bloqueia importações de petróleo da Rússia, após decisão anunciada nesta semana pelo presidente Joe Biden de proibir compras de produtos de energia russos.
A proposta foi aprovada por 414 votos a favor e 17 contrários.
Imagens mostram destruição em Mariupol
À medida que as nuvens densas que cobrem a cidade de Mariupol, ao sul da Ucrânia, se dissipam, a destruição provocada pela invasão russa na cidade começa a ser capturada em novas imagens de satélite da Maxar Technologies.
Nas imagens, que foram tiradas nesta quarta-feira (9) às 10h16, no horário local (5h16 no horário de Brasília), várias casas, prédios, mercearias e shopping centers foram danificados nos combates.
Em uma área residencial no centro de Mariupol, várias casas sofreram danos e pelo menos duas foram completamente destruídas.
Imagens de satélite Maxar mostram destruição de mercearias e shopping centers no oeste de Mariupol, Ucrânia / Satellite image (c) 2022 Maxar Technologies/Getty Images
Loja do McDonald’s está prestes a fechar
A inauguração da primeira lanchonete do McDonald’s na Rússia, em 31 de janeiro de 1990, foi um marco bastante simbólico da gradual chegada do capitalismo a uma comunista União Soviética que ainda estava de pé, mas com os dias contados para acabar.
A dissolução terminal do bloco, que já vinha de uma mistura de transição com decadência ao longo dos anos de 1980, seria oficializada em 25 de dezembro de 1991, com a renúncia de Mikhail Gorbachev à presidência.
A abertura da primeira loja do McDonald’s na Rússia, na Praça Pushkin, a dois quilômetros do Kremlin em Moscou, foi marcada por uma fila de mais de 400 metros televisionada por todo o mundo.
McDonald’s em Moscou: Rússia responde por 9% da receita da rede no mundo / Anadolu Agency via Getty Images (29/10/2021)
A inauguração também já acontecia com um recorde: com 900 lugares, a loja de Moscou já nascia sendo a maior da rede no mundo, e até hoje permanece entre as mais amplas da cadeia.
Aos 32 anos e um mês de vida, o McDonald’s da Praça Pushkin é uma das 847 lanchonetes que a rede possui hoje na Rússia e que fecharão nos próximos dias.
Reino Unido aplica sanção contra Abramovich
O governo do Reino Unido disse, nesta quinta-feira (10), que permitirá que o clube de futebol Chelsea continue jogando depois de impor sanções ao seu proprietário, Roman Abramovich, interrompendo seu plano de vender o time da Premier League.
Abramovich colocou o clube à venda, mas o congelamento de seus bens no Reino Unido e as sanções contra ele impedem esse processo.
Nadine Dorries, ministra do Esporte britânica, disse que o governo emitiu uma licença especial para permitir que o Chelsea continue a jogar, pague seus funcionários e permita que portadores de ingressos assistam as partidas, porque não quer prejudicar os atuais campeões europeus e mundiais de futebol.
Dono do Chelsea, Roman Abramovich, no estádio Stamford Bridge / 21/5/17 Action Images via Reuters / John Sibley Livepic
OMS cita desafios na área da saúde
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), alguns dos principais desafios de saúde na Ucrânia atualmente são hipotermia e falta de tratamento para doenças cardiovasculares, câncer e questões mentais.
“A única solução real para essa situação é a paz. A OMS continua pedindo à Rússia que encontre uma solução pacífica e conceda acesso humanitário às cidades”, disse Tedros Adhanom, diretor-geral da organização, em coletiva de imprensa na quarta-feira (9).
Tedros informou que foram registrados 18 ataques a hospitais, centros de saúde e ambulâncias, o que resultou em 10 mortes e 16 feridos.
Mark Ryan, diretor-executivo da OMS, complementou afirmando que hospitais foram abandonados devido à proximidade com a zona de conflito e falta de profissionais e equipamentos.
EUA não enviarão caças à Ucrânia
Os EUA não apoiam a transferência de aeronaves de combate para a Ucrânia, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, nesta quarta-feira (9).
O secretário de Defesa Lloyd Austin disse ao ministro da Defesa polonês que os EUA não apoiam a transferência de caças MiG-29 para a força aérea ucraniana “neste momento”, seja pela Polônia transferindo-os para a Ucrânia com os EUA preenchendo a frota da Polônia ou pela Polônia transferindo os MiG-29 para os EUA para depois entregá-los à Polônia.
Primeira-dama condena morte de crianças
A primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, publicou uma carta aberta em sua página do Facebook na terça-feira (8) refletindo sobre o que aconteceu com a Ucrânia nas últimas duas semanas desde a invasão russa.
“Apesar das garantias dos meios de propaganda apoiados pelo Kremlin, que chamam isso de ‘operação especial’ — é, de fato, o assassinato em massa de civis ucranianos”, disse Zelenska.
Na longa e sentimental carta, ela acrescentou: “Talvez o mais aterrorizante e devastador desta invasão sejam as vítimas infantis. Alice, de oito anos, que morreu nas ruas de Okhtyrka enquanto seu avô tentava protegê-la. Ou Polina, de Kiev, que morreu no bombardeio com seus pais. Arseniy, de 14 anos, foi atingida na cabeça por destroços e não pôde ser salva porque uma ambulância não conseguiu chegar a tempo por causa dos intensos incêndios”.
Primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska / Foto: Anna Moneymaker/Getty Images
Animais abandonados
Além da crise humanitária envolvendo os refugiados, milhares de animais de estimação estão sendo deixados para trás na fuga de civis da Ucrânia. Carregando o que conseguem e às pressas, muitas pessoas precisam deixar seus companheiros em abrigos ou na fronteira.
O enviado especial da CNN Brasil à Ucrânia, Mathias Brotero, visitou um dos locais que está funcionando 24 horas por dia para receber animais em Lviv, cidade próxima à fronteira com a Polônia.
Muitos deles são resgatados por voluntários e chegam doentes, machucados e com fome. Outros estavam em centros de reabilitação.
Ainda não há um balanço de quantos animais foram acolhidos nestes abrigos em toda a Ucrânia, mas uma voluntária destaca que a maior parte dos que foram resgatados são gatos, que chegam estressados, necessitando cuidados especiais.
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Um cachorro e um carrinho são vistos enquanto civis deixam a cidade de Irpin durante a evacuação durante a Guerra Rússia-Ucrânia, em 7 de março de 2022 (Foto de Andrea Filigheddu/NurPhoto via Getty Images)
Crédito: NurPhoto via Getty Images
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.