Vereshchuk disse ainda que outras tentativas serão feitas para permitir que as pessoas escapem dos combates em Kiev, com rotas da capital para destinos como Bucha, Gostomel, Kozarovychi e Mykulychi.
As principais cidades ucranianas, incluindo Dnipro e Lutsk, estão sendo “sujeitas a golpes devastadores”, disse Mykhailo Podoliak, assessor do chefe do gabinete do presidente ucraniano, nesta sexta-feira.
Segundo o Ministério da Defesa russo, “armas de longo alcance de alta precisão atacaram a infraestrutura militar da Ucrânia. Os aeródromos militares em Lutsk e Ivano-Frankovsk foram colocados fora de ação.”
O prefeito de Lutsk relatou explosões em um aeródromo da cidade, segundo a agência de notícias ucraniana UNIAN. Além disso, o Serviço de Emergência da Ucrânia disse também que uma pessoa na cidade de Dnipro morreu após três ataques aéreos no início da manhã, que atingiram um jardim de infância, um prédio de apartamentos e uma fábrica de calçados de dois andares.
O ministro de Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, acusou as forças russas de matarem mais civis do que soldados ucranianos. “Quero que isso seja ouvido não apenas em Kiev, mas em todo o mundo”, disse Reznikov em transmissão.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que está pronto para conversar diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, mas “não se comprometerá a posição russa durante essas negociações”, disse o vice-chefe do Gabinete do Presidente da Ucrânia à CNN, Igor Zhovkva.
Zhovkva declarou ainda que o país está aberto à neutralidade “se o bloco da Otan não estiver pronto por enquanto para aceitar a Ucrânia”. “Mas, ao mesmo tempo, precisamos de garantias de segurança rígidas para a Ucrânia para que essas guerras terríveis, essa agressão terrível não se repita no futuro”, acrescentou.
Zelensky declarou na quinta-feira (10) que cerca de 100 mil pessoas foram evacuadas por corredores humanitários nos últimos dois dias. Houve sucesso na entrega de ajuda humanitária, alimentos e remédios. “Estamos fazendo de tudo para salvar nosso povo nas cidades que o inimigo quer destruir”, continuou.
Corredores humanitários em Mariupol e Volnovakha foram repetidamente bloqueados ou ficaram inacessíveis na semana passada em meio a intensos combates e bombardeios das forças russas. Houve mais sucesso na evacuação de pessoas de Izium, que viu uma destruição generalizada.
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Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na Polônia
Crédito: Sean Gallup/Getty Images
Já a Rússia prometeu na quinta-feira que irá abrir rotas de evacuação diárias para civis na Ucrânia. Os corredores humanitários levarão os cidadãos para território russo e funcionarão diariamente a partir das 10h, no horário local.
A coluna russa que estava sentada por quase duas semanas fora de Kiev agora se dispersou, de acordo com imagens de satélite da Maxar de quinta-feira. As forças parecem estar se reagrupando.
Destaques das últimas 24 horas
Ucrânia tenta negociar novos corredores humanitários, diz ministra do país
Novos ataques a “grandes cidades” da Ucrânia acontecem nesta sexta (11)
Zelensky está pronto para conversar com Putin, diz membro do gabinete presidencial
Guerra na Ucrânia já gerou 2,5 milhões de refugiados, diz ONU
Imagens de satélite mostram dispersão de comboio rumo a Kiev, mas também retratam destruição no subúrbio da capital ucraniana
100 mil pessoas deixaram o país em corredores humanitários nos últimos dois dias, diz presidente da Ucrânia
Autoridades de primeiro escalão da Rússia e da Ucrânia se encontram, mas reunião não tem avanço na questão de um cessar-fogo de 24 horas
Brasileiros que fugiram da guerra na Ucrânia chegam em Brasília
Guerra na Ucrânia já gerou 2,5 milhões de refugiados, diz ONU
O alto comissário da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Refugiados, Filippo Grandi, disse na sexta-feira (11) que o número de pessoas que fugiram da Ucrânia atingiu 2,5 milhões.
“O número de refugiados ucranianos, tragicamente, chegou hoje a 2,5 milhões”, disse Grandi em sua conta oficial no Twitter. “Também estimamos que cerca de 2 milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Ucrânia. Milhões são forçadas a deixar suas casas por esta guerra sem sentido”.
Somente em Kiev, um a cada dois habitantes deixou a cidade, que está cercada por combates.
Imagens de satélite mostram um rastro de destruição nos arredores de Kiev após os ataques das tropas russas. Confira:
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Tanques de armazenamento de combustível são vistos em chamas na Base Aérea Antonov, controlada pela Rússia, em Hostomel, na Ucrânia
Crédito: Satellite image (c) 2022 Maxar Technologies
Operação nas usinas nucleares
Todas as usinas nucleares ucranianas estão operando de forma estável, mas os funcionários da usina de Zaporizhzhia, que foi capturada pelas forças russas, estão enfrentando pressão psicológica, disse a empresa nuclear estatal ucraniana Energoatom nesta sexta-feira.
“Tudo isso afeta negativamente o trabalho e põe em risco a segurança nuclear e de radiação”, complementou. Os níveis de radiação em todas as plantas não mudaram.
Após encontros com os ministros das Relações Exteriores de Rússia e Ucrânia, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse que é necessário “agir rápido” para normalizar as operações em Zaporizhzhia e Chernobyl.
Usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, é a maior desse tipo na Europa / Dmytro Smolyenko/Future Publishing via Getty Images
A Agência teria perdido o contato com a transmissão remota de dados dos sistemas de monitoramento de salvaguardas instalados em Chernobyl.
O ministro da Energia ucraniano, Herman Halushchenko, disse ter pedido oficialmente para os russos a abertura de passagem para o conserto das linhas afetadas. Ele afirmou que a planta estava funcionando por meio de geradores reserva a diesel.
Segundo o Ministério da Energia da Rússia, especialistas de Belarus restauraram o fornecimento de eletricidade para a usina nuclear na quinta-feira.
Desde o desastre nuclear de 1986, a usina foi desativada. No entanto, o trabalho das equipes ainda é fundamental para garantir a segurança do local. Após a invasão russa, 210 funcionários de Chernobyl permanecem vivendo e trabalhando na antiga usina, sem revezamento da equipe.
Tanques russos caem em emboscada ucraniana
Uma coluna de tanques russos que se dirigia a Kiev foi surpreendida na quinta-feira (10) por uma emboscada de forças ucranianas. O embate aconteceu na cidade de Brovary, a cerca de 20 quilômetros da capital ucraniana.
Uma estreita avenida de um bairro residencial se transformou em uma fileira de tanques de batalha. Após serem atingidos por lança-granadas, os russos foram forçados a deixar a localidade.
Maternidade bombardeada
Repercutiu na quinta-feira um bombardeio a um hospital infantil e maternidade que deixou três mortos. A Rússia disse que uma alegação ucraniana de que forças russas bombardearam as unidades de saúde em Mariupol é falsa e equivale a “terrorismo de informação”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou os ataques ao hospital em Mariupol. Os russos alegaram que as notícias sobre o bombardeio são falsas.
“É assim que nascem as notícias falsas”, disse no Twitter Dmitry Polyanskiy, primeiro representante permanente adjunto da Rússia nas Nações Unidas. “Isso é terrorismo de informação”, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ao comentar sobre o caso.
Imagem divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia. Prédio cuja fachada apresenta marcas de explosão seria um hospital infantil e maternidade. Ucrânia acusa Rússia de ataque aéreo no local / Foto: MFA Ucrânia / Twitter
Prefeito descreve “dias de inferno”
O prefeito de Mariupol, Vadym Boychenko, divulgou uma mensagem de vídeo condenando a Rússia por sua “guerra cínica e destrutiva contra a humanidade”. Boychenko falou de “dois dias de inferno” após o bombardeio da maternidade na quarta.
“Hoje, eles bombardearam cinicamente o Serviço Estadual de Emergências de Mariupol”, disse ele no vídeo que mostra os danos extensos ao prédio. “A cada 30 minutos, Mariupol era invadida pela aviação russa que atirava em prédios civis matando civis – idosos, mulheres e crianças”.
O prefeito criticou os chamados corredores humanitários para evacuação. “Eles [russos] mantêm cinicamente reféns 400 mil cidadãos de Mariupol que estão esperando que um corredor humanitário se abra”, disse ele no vídeo. “A ajuda humanitária não pôde chegar a Mariupol pelo sexto dia agora, embora os russos afirmem que foi pacífico e tranquilo na Mariupol ocupada. É o mais alto nível de cinismo.”
Prédio residencial danificado em Mariupol / 26/02/2022 REUTERS/Nikolay Ryabchenko
Apesar da dispersão do comboio, os conflitos mais intensos seguem na cidade de Mariupol. O Ministério da Defesa da Rússia, por meio da agência russa Tass, disse que assumiu parte do controle da cidade e que 2.911 instalações militares ucranianas já foram destruídas desde o início da guerra. As perdas russas, no entanto, podem ter passado de 6.000 soldados.
Reunião entre Rússia e Ucrânia
A reunião entre os principais diplomatas das duas nações envolvidas na guerra no Leste Europeu não teve avanço no estabelecimento de um cessar-fogo de 24 horas para ajuda aos civis. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, encontrou o chanceler russo, Sergey Lavrov, no sul da Turquia na quinta-feira (10).
A guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou na terceira semana e as consequências financeiras para os russos foram abordadas em uma reunião entre ministros do governo. O presidente Vladimir Putin afirmou que as sanções ocidentais contra a Rússia não são legítimas e destacou que o país resolveria seus problemas “com calma”.
“Temos os recursos que podemos e estamos prontos para fornecer aos nossos parceiros estrangeiros. Deixe-me repetir: se eles criarem algum tipo de problema para nós, as consequências negativas para esta área da economia são inevitáveis. Elas são inevitáveis. O preço vai subir ainda mais”, acrescentou o presidente russo.
Fotos: as principais imagens da guerra
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Resgate de brasileiros
O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que viajou para a Polônia para resgatar brasileiros e familiares que saíram da Ucrânia fugindo da guerra pousou em Brasília no início da tarde desta quinta. A aeronave saiu de Varsóvia, no país europeu, na quarta-feira (9).
O KC-390 Millennium chegou ao Brasil na manhã desta quinta, com uma parada técnica em Recife. O evento de recepção contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL). No total, 42 brasileiros, 20 ucranianos, cinco argentinos, um colombiano, oito cachorros e dois gatos saíram da Polônia com a aeronave.
Danos de guerra superam R$ 100 bilhões
O principal assessor econômico do governo da Ucrânia, Oleg Ustenko, disse nesta quinta-feira que as forças invasoras russas destruíram até agora pelo menos US$ 100 bilhões em infraestrutura, edifícios e outros ativos físicos.
Ustenko, conselheiro econômico do presidente Volodymyr Zelensky, declarou em um evento online organizado pelo Instituto Peterson de Economia Internacional que a guerra fez com que 50% das empresas ucranianas fechassem completamente, enquanto a outra metade está operando bem abaixo de sua capacidade.
Danos causados ao gabinete do governador de Kharkiv após o ataque com mísseis do exército russo / Anadolu Agency via Getty Images
Biden cita inflação como consequência da guerra
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (10) pela Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, destacou que a população norte-americana “começa a sentir os impactos da agressão” da Rússia à Ucrânia com o aumento de preços, ao comentar a alta de 7,9% do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) em fevereiro, maior aumento anual em 40 anos.
“Um grande contribuinte para a inflação neste mês foi o aumento dos preços de gás e energia, à medida que os mercados reagiram às ações agressivas do presidente da Rússia, Vladimir Putin”, afirmou Biden, que também destacou o inevitável “custo doméstico” das sanções impostas a Moscou.
Presidente dos EUA, Joe Biden, anuncia veto a importação de petróleo da Rússia / 08/03/2022 REUTERS/Kevin Lamarque
Vice-presidente dos EUA na Polônia
A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, se reuniu com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, na manhã desta quinta-feira (10). A reunião estava cercada de incertezas sobre um plano ocidental de fornecimento de caças à Ucrânia, que não deve acontecer neste momento.
“O que está em jogo, neste exato momento, são alguns dos princípios orientadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte [Otan]. E, em particular, a questão da importância de defender a soberania e a integridade territorial e, neste caso, da Ucrânia”, disse Harris na entrevista coletiva, na qual também afirmou que os “EUA estão prontos para defender cada centímetro de território da Otan”.
Já Andrzej Duda informou que a Polônia já recebeu mais de 1,5 milhão de refugiados da guerra na Ucrânia até o momento. “Muitos estão em hotéis, casas, hospedarias, sendo recebidos pelas famílias polonesas porque as pessoas sabem que devem abrir seus corações e receber os refugiados”, acrescentou.
Inquietação chinesa
O presidente chinês, Xi Jinping, está “inquieto” com a invasão russa na Ucrânia, em parte porque “sua própria inteligência não parece ter dito a ele o que iria acontecer”, disse o diretor da CIA (Agência Americana de Inteligência), Bill Burns, ao Comitê de Inteligência do Senado dos EUA na quinta-feira (10).
A liderança chinesa também está preocupada com “o dano reputacional que a China sofre pela associação com a ‘feiura’ da agressão da Rússia contra a Ucrânia” e “as consequências econômicas em um momento em que as taxas de crescimento na China são menores do que em 30 anos”, segundo Burns.
Presidente da China, Xi Jinping, em Pequim / 04/03/2022 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
Além disso, um alto funcionário russo disse nesta quinta que a China se recusou a apoiar a Rússia com peças de aeronaves – já que o país procura obter componentes após duras sanções à aviação.
O chefe do Departamento de Aeronavegabilidade de Aeronaves da Agência Federal de Transporte Aéreo, Valery Kudinov, disse que havia cerca de 70 aeronaves no registro russo antes do final de fevereiro, informou a agência de notícias estatal russa TASS.
Kudinov disse ainda que a situação da manutenção de aeronaves e importação de peças de reposição está planejada para ser resolvida, inclusive por meio da reexportação de componentes, informou a TASS.
Caça russo com mísseis na parte inferior decola para missão sobre território ucraniano / Reprodução/CNN Brasil (6.mar.2022)
Reino Unido aplica sanção contra Abramovich
O governo do Reino Unido disse, na quinta-feira (10), que permitirá que o clube de futebol Chelsea continue jogando depois de impor sanções ao seu proprietário, Roman Abramovich, interrompendo seu plano de vender o time da Premier League.
Abramovich colocou o clube à venda, mas o congelamento de seus bens no Reino Unido e as sanções contra ele impedem esse processo.
Nadine Dorries, ministra do Esporte britânica, disse que o governo emitiu uma licença especial para permitir que o Chelsea continue a jogar, pague seus funcionários e permita que portadores de ingressos assistam as partidas, porque não quer prejudicar os atuais campeões europeus e mundiais de futebol.
Dono do Chelsea, Roman Abramovich, no estádio Stamford Bridge / 21/5/17 Action Images via Reuters / John Sibley Livepic
Animais abandonados
Além da crise humanitária envolvendo os refugiados, milhares de animais de estimação estão sendo deixados para trás na fuga de civis da Ucrânia. Carregando o que conseguem e às pressas, muitas pessoas precisam deixar seus companheiros em abrigos ou na fronteira.
O enviado especial da CNN Brasil à Ucrânia, Mathias Brotero, visitou um dos locais que está funcionando 24 horas por dia para receber animais em Lviv, cidade próxima à fronteira com a Polônia.
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Um cachorro e um carrinho são vistos enquanto civis deixam a cidade de Irpin durante a evacuação durante a Guerra Rússia-Ucrânia, em 7 de março de 2022 (Foto de Andrea Filigheddu/NurPhoto via Getty Images)
Crédito: NurPhoto via Getty Images
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer da quinta-feira (24 de fevereiro), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.
A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.
Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.