Mundo

Russos intensificam ataques e se aproximam de Kiev

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 12/03/2022
Russos intensificam ataques e se aproximam de Kiev
Foto: CNN
Mísseis russos e ataques aéreos causaram danos ao norte e ao sul da capital ucraniana neste sábado (12), segundo autoridades locais. Os ataques se intensificaram e as forças da Rússia estão mais próximas de Kiev. Acompanhe ao vivo acima a cobertura especial da CNN. Em Chernihiv, a cerca de 100 quilômetros ao norte da capital, o hotel Ucrânia – um marco na cidade – foi atingido durante a noite.
Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também segue atenta ao avanço da Rússia em direção ao oeste do território ucraniano e monitora constantemente a movimentação na fronteira da Ucrânia com outros países. Desde quinta-feira (10), radares da Otan detectaram 20 caças russos partindo de Belarus em direção a Kiev, capital da Ucrânia. Essa dinâmica foi a mais intensa desde o início da guerra. A cidade de Lviv, no oeste do país, também está apreensiva com os últimos ataques dos russos. A cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Polônia, Lviv tem sido uma importante rota para quem quer fugir do conflito e até o momento não foi atacada pela Rússia. Mas os últimos bombardeios em cidades próximas começam a mudar a rotina na cidade. Também neste sábado, mais uma tentativa está sendo feita para levar ajuda humanitária à cidade sitiada de Mariupol, no sudeste, e retirar milhares de civis.

Destaques das últimas 24 horas

Vídeo – Rússia amplia ofensiva e bombardeia oeste da Ucrânia

Maior parte das forças russas está a 25 km de Kiev, diz Defesa do Reino Unido

A maior parte das forças terrestres russas está atualmente a cerca de 25 quilômetros do centro da capital ucraniana, Kiev, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido neste sábado (12) em sua última avaliação de inteligência. “Os combates a noroeste de Kiev continuam com as forças terrestres russas agora a cerca de 25 quilômetros do centro da cidade”, informou o Ministério. “Elementos do grande comboio russo ao norte de Kiev se dispersaram. Isso provavelmente apoiará uma tentativa russa de cercar a cidade. Também pode ser uma tentativa da Rússia de reduzir sua vulnerabilidade aos contra-ataques ucranianos, que tiveram um impacto significativo sobre forças russas”, segundo o relatório de inteligência.
Bombeiros tentam apagar fogo em depósito atingido por bombardeio russo em Kiev
Bombeiros tentam apagar fogo em depósito atingido por bombardeio russo em Kiev / Chris McGrath/Getty Images

Rússia enviou mais tropas para a Ucrânia, afirma Zelensky em vídeo

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou em um vídeo publicado no Facebook neste sábado (12) que a Rússia enviou novas tropas para o território ucraniano, conforme a guerra entre os países chega ao 17º dia. No vídeo, o presidente diz que o envio de novas tropas estaria ocorrendo pois a Rússia teria tido as suas maiores perdas em décadas. Com o cenário de continuidade dos conflitos, Zelensky disse que a Ucrânia “não tem o direito” de baixar a intensidade do combate.

Comboio humanitário tenta chegar à cidade de Mariupol em meio a cerco da Rússia

Uma nova tentativa de levar ajuda humanitária à cidade sitiada de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, e retirar civis está sendo realizada neste sábado (12). A cidade está sob fogo pesado das forças da Rússia há mais de uma semana, e o conselho de Mariupol disse na sexta-feira (11) que quase 1.600 pessoas foram mortas. No sábado, o conselho anunciou que “um corredor verde está aberto. Um comboio humanitário partiu de Zaporizhzhia para Mariupol. Mais de 90 toneladas de alimentos e remédios estão indo para a cidade, que está sitiada há 11 dias”.
Pessoas retiradas da região de Mariupol, na Ucrânia, em campo de refugiados em Bezymennoye, na região ucraniana de Donetsk / 08/03/2022 REUTERS/Alexander Ermochenko

Vídeo: Termos de negociações entre Rússia e Ucrânia passam por deterioração, diz professora

Grávida que sobreviveu a ataque em maternidade em cidade ucraniana dá à luz

Uma mulher grávida, cujo resgate de uma maternidade na cidade de Mariupol após um ataque que a Ucrânia atribui à Rússia nesta semana foi registrado em uma foto que viralizou, deu à luz uma menina, confirmou sua família à CNN. Mariana Vishegirskaya estava entre as várias mulheres da maternidade de Mariupol que sobreviveram a um suposto bombardeio. Ela deu à luz sua bebê em outro hospital na quinta-feira (10), disse sua tia, Tatiana Liubchenko. “De acordo com nossas conversas nesta [sexta-feira] de manhã, Marianna está bem, e eles chamaram sua filha de Veronica”, afirma.
Imagem divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia. Prédio cuja fachada apresenta marcas de explosão seria um hospital infantil e maternidade. Ucrânia acusa Rússia de ataque aéreo no local / Foto: MFA Ucrânia / Twitter

Guerra é de Putin e não da Rússia, diz correspondente da CNN ao deixar Moscou

Para Nic Robertson, correspondente da CNN que morou na capital russa por mais de 30 anos, o presidente está condenando a população “a um isolamento que não escolheram”. Deixo Moscou com raiva e triste. Parece uma passagem da escuridão para a luz, mas são deixados para trás amigos presos na visão limitada de um homem. O presidente russo, Vladimir Putin, não está apenas destruindo a Ucrânia, mas duas nações, condenando os russos a um isolamento que eles não necessariamente escolheram. Leia o relato completo.
Presidente russo, Vladimir Putin / Reuters

Biden diz que EUA não enviarão tropas

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enfatizou mais uma vez que seu país não enviará tropas terrestres para a Ucrânia. “Não vamos lutar a Terceira Guerra Mundial na Ucrânia“, disse Biden depois de reiterar o total apoio dos Estados Unidos a seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e prometer que os EUA defenderão “cada centímetro” do território da aliança. O presidente, no entanto, fez uma ponderação: “quero ser claro, porém, que vamos garantir que a Ucrânia tenha as armas para se defender de uma força invasora russa. E enviaremos dinheiro e ajuda alimentar para salvar a vida dos ucranianos. Vamos receber refugiados ucranianos de braços abertos se, de fato, eles vierem até aqui.”

Possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial

De acordo com Biden, o envio de apoio militar americano diretamente para a Ucrânia causaria a Terceira Guerra Mundial. “Não se enganem sobre a ideia que mandaríamos ofensiva militar, aeronaves, tanques, pilotos e equipes americanas para a Ucrânia. Se isso acontecer, será a Terceira Guerra Mundial. Vamos deixar isso bem claro, por favor, não se enganem”, alertou o presidente americano. A declaração acontece depois que os EUA recusaram formalmente a oferta de caças da Polônia que poderiam ser transferidos para zonas de combate na Ucrânia. O governo polonês afirmou estar pronto para colocar todos os seus caças MIG-29 em uma base da Força Aérea dos EUA e colocá-los à disposição de Washington.
O presidente dos EUA, Joe Biden, falou sobre a guerra na Ucrânia / Reprodução/CNN Brasil (24.set.2021)

EUA rebaixam status da Rússia para negócios

No início da tarde desta sexta-feira, em meio a mais um dia de ataques russos na Ucrânia, Biden, anunciou a revogação do status de “nação mais favorecida da Rússia”. Segundo Biden, isso foi feito em concordância com outros países do G7 e Otan, abrindo caminho para a imposição de tarifas sobre uma ampla gama de produtos russos e aumentando a pressão sobre a economia do país após a invasão à Ucrânia. A medida precisa ser aprovada pelo Congresso. Imagens de satélite revelam destruição no subúrbio de Kiev, na Ucrânia

Prefeito de cidade ucraniana é detido por separatistas russos

O prefeito da cidade ucraniana de Melitopol, Ivan Fedorov, foi visto em um vídeo sendo levado por homens armados de um prédio do governo nesta sexta-feira. A promotoria da região separatista de Luhansk, apoiada pela Rússia, acusações de terrorismo pesam contra ele. A detenção de Fedorov pelos homens armados é o primeiro caso conhecido de um oficial político ucraniano sendo detido e investigado por forças russas – ou apoiadas pela Rússia – desde o início da invasão. De acordo com uma mensagem no site do promotor de Luhansk, Fedorov está sendo acusado de ajudar e financiar atividades terroristas e fazer parte de uma comunidade criminosa. A promotoria de Luhansk alegou que Fedorov é membro do grupo “Right Sector”. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia publicou uma declaração com palavras fortes no Facebook, chamando a detenção do prefeito de Melitopol por homens armados de “crime de guerra”.

“Golpes devastadores”

As principais cidades ucranianas, incluindo Dnipro e Lutsk, foram “sujeitas a golpes devastadores”, disse Mykhailo Podoliak, assessor do chefe do gabinete do presidente ucraniano, na sexta-feira. O Ministério da Defesa russo diz que “armas de longo alcance de alta precisão atacaram a infraestrutura militar da Ucrânia”, incluindo os aeródromos militares em Lutsk e Ivano-Frankovsk. Já o Gabinete do Alto Comissariado da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos disse, em comunicado na sexta, ter registrado 564 mortes de civis e 957 feridos desde o início da invasão, “embora o número real possa ser muito maior”. “Civis estão sendo mortos e mutilados no que parecem ser ataques indiscriminados, com as forças russas usando armas explosivas com efeitos de ampla área dentro ou perto de áreas povoadas”, disse a porta-voz Liz Throssell, em um comunicado.

Ucrânia diz estar aberta a negociar

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que está pronto para conversar diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, mas "não se comprometerá a posição russa durante essas negociações", disse o vice-chefe do Gabinete do Presidente da Ucrânia à CNN, Igor Zhovkva. Zhovkva declarou ainda que o país está aberto à neutralidade “se o bloco da Otan não estiver pronto por enquanto para aceitar a Ucrânia”. “Mas, ao mesmo tempo, precisamos de garantias de segurança rígidas para a Ucrânia para que essas guerras terríveis, essa agressão terrível não se repita no futuro”, acrescentou. Zelensky declarou na quinta-feira (10) que cerca de 100 mil pessoas foram evacuadas por corredores humanitários nos últimos dois dias. Houve sucesso na entrega de ajuda humanitária, alimentos e remédios. “Estamos fazendo de tudo para salvar nosso povo nas cidades que o inimigo quer destruir”, continuou. Já a Rússia prometeu na quinta-feira que irá abrir rotas de evacuação diárias para civis na Ucrânia. Os corredores humanitários levarão os cidadãos para território russo e funcionarão diariamente a partir das 10h, no horário local.

Fotos - Imagens mostram a destruição nos arredores de Kiev