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Trump diz que EUA vão governar a Venezuela após captura de Maduro e controlar petróleo do país

Trump não especificou quanto tempo prevê que essa transição de poder levará

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1/COM CNN 03/01/2026
Trump diz que EUA vão governar a Venezuela após captura de Maduro e controlar petróleo do país
No pronunciamento, Trump também anunciou que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela, que o presidente dos EUA alegou ter sido "roubada" dos EUA | Reuters/Jonathan Ernst

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA vão "administrar" a Venezuela, anunciou a entrada de petroleiras norte-americana em solo venezuelano e disse que ampliará "o domínio americano no Hemisfério Ocidental".

"Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata", disse ele durante uma coletiva de imprensa em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. "Não queremos que outra pessoa assuma o poder e que a situação se repita há muitos anos. Portanto, vamos governar o país."

Trump não especificou quanto tempo prevê que essa transição de poder levará.

"Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela", declarou Trump em pronunciamento para detalhar a operação de captura de Maduro.

Mais cedo, em entrevista à rede de TV Fox News, o presidente norte-americano havia dito que ainda estava decidindo sobre o futuro da Venezuela quando questionado se a líder oposicionista María Corina Machado seria colocada no poder.

Mais cedo, Machado pediu que a oposição tomasse o poder de forma imediata. Mas Trump afirmou que a oposicionista, vencedora do Nobel da Paz de 2025, "não tem apoio interno nem respeito".

"É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela", declarou Trump, que disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, vem dialogando com a vice-presidente de MaduroDelcy Rodríguez, que "está disposta a fazer o que for preciso".

Ele invocou ainda em sua fala a Doutrina Monroe, a política que os EUA estabeleceram em 1823 para ampliar influência na América Latina e reivindicar a soberania de Washington sobre o Ocidente. E disse que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".

"Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado. Não vai acontecer. (...) Sob a administração Trump, estamos reafirmando o poder americano de uma forma muito poderosa em nossa região", declarou.

Na nova estratégia de política externa que lançou no início de dezembro, o governo Trump já falava em resgatar a Doutrina Monroe.

'Vamos fazer o petróleo fluir'

Trump fala sobre ataque à Venezuela — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

Trump fala sobre ataque à Venezuela — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

No pronunciamento, Trump também anunciou que petroleiras norte-americanas começarão a atuar na indústria petrolífera da Venezuela, que o presidente dos EUA alegou ter sido "roubada" dos EUA pelo governo venezuelano.

"Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera que está em péssimo estado e começar a gerar lucro para o país", disse.

"Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós (...). Uma enorme infraestrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças".

Questionado sobre se o Congresso norte-americano havia sido previamente informado sobre a operação — como prevê a Constituição dos EUA —, ele disse que o secretário de Estado informou membros do Congresso após a ação porque, caso contrário, "eles a vazariam. Sempre há vazamentos no Congresso".

Sobre o destino de Nicolás Maduro, ele disse que o presidente venezuelano "será levado a Nova York em um futuro breve", mas não detalhou quando. Trump afirmou ainda que a Justiça decidirá onde Maduro ficará preso enquanto aguarda julgamento nos EUA.

Novas ofensivas na Venezuela

No pronunciamento, Trump indicou ainda que os EUA podem fazer uma nova ofensiva em solo venezuelano. Ele disse não ter medo de colocar "tropas na Venezuela" e falou que "os maus elementos" do regime Maduro ainda estão no país latino-americano.

O presidente norte-americano afirmou ainda que a operação de captura de Maduro, que segundo ele durou apenas 47 segundos, foi a maior ação militar dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial:

"(...) Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular, um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou Trump.

Mais cedo, em entrevista à rede de TV Fox News que ainda está decidindo sobre o futuro da Venezuela, após forças dos EUA capturarem o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na última madrugada.

Trump disse ainda que Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, a bordo de um dos navios da Marinha norte-americana posicionados no Caribe desde o fim de 2025 (leia mais abaixo). Até então, o paradeiro do presidente venezuelano era desconhecido.

Em entrevista à rede de TV Fox News, Donald Trump também afirmou que os EUA passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria petroleira da Venezuela. Ele não detalhou qual será o envolvimento, mas disse que a China "continuará recebendo petróleo venezuelano".

Questionado se a líder opositora venezuelana, María Corina Machado, seria colocada no poder pelos EUA, Trump disse: "ainda estou decidindo sobre o futuro da Venezuela". "Tem a vice-presidente (Delcy Rodríguez) também", afirmou.

Transmissão 'ao vivo' da captura

Mapa mostra locais dos ataques dos EUA à Venezuela em 3 de janeiro de 2025. — Foto: arte/ g1

Mapa mostra locais dos ataques dos EUA à Venezuela em 3 de janeiro de 2025. — Foto: arte/ g1

Na entrevista, Trump disse ainda que assistiu ao vivo à captura de Nicolás Maduro, transmitida por agentes que participaram da missão em Caracas. "Foi como ver um programa televisivo", afirmou.

O presidente norte-americano declarou ainda que o ataque dos EUA à Venezuela estava previsto para ocorrer quatro dias atrás, mas foi adiado por causa de condições climáticas.

Acrescentou que chegou a falar com Maduro uma semana atrás, quando o venezuelano supostamente tentou negociar uma saída pacífica do poder.

"Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria", disse ele na entrevista.

Transporte por navio

Navio anfíbio USS Iwo Jima, que Trump diz ter transportado Maduro e esposa após captura, navegando no mar do Caribe em 28 de agosto de 2025. — Foto: Logan Goins/Marinha dos Estados Unidos

Navio anfíbio USS Iwo Jima, que Trump diz ter transportado Maduro e esposa após captura, navegando no mar do Caribe em 28 de agosto de 2025. — Foto: Logan Goins/Marinha dos Estados Unidos

Segundo Trump, Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados em Caracas pelos agentes que participavam do ataque dos EUA à Venezuela.

Ambos foram então levados por um helicóptero das Forças Armadas dos EUA até o Iwo Jima, um dos navios de guerra da Marinha dos EUA que estavam posicionados no mar do Caribe desde o fim do ano passado.

➡️ Um dos principais navios da frota da Marinha dos EUA, o Iwo Jima é um navio de assalto anfíbio da classe Wasp, equipado para operar aeronaves de decolagem curta e pouso vertical (como o F-35B), além de realizar operações de desembarque anfíbio com tropas e veículos.

A embarcação tem ainda grande capacidade para projetar poder aéreo e terrestre em operações combinadas, contando com helicópteros, aviões e fuzileiros a bordo.

Ataque à Venezuela

Mais cedo, o próprio Trump anunciou o ataque em suas redes sociais:

"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado com sua esposa, e retirado do país por via aérea."

De acordo com Trump, a ação foi conduzida em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente não informou para onde Maduro e a mulher foram levados.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, diz não saber onde Maduro está e exigiu uma prova de vida para o governo americano.

Uma série de explosões atingiu Caracas, capital da Venezuela, na madrugada deste sábado. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos.

Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. Parte da cidade ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.

'Agressão imperialista'

Trump e Maduro — Foto: AP Photo/Evan Vucci; Reuters/Leonardo Fernandez

Logo após o início da ofensiva, o governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Caracas disse que o presidente venezuelano convocou forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.

"O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada", diz o texto.

"O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista."

O governo venezuelano afirmou ainda que o objetivo da operação americana seria tomar recursos estratégicos do país, principalmente petróleo e minerais. No comunicado, Caracas disse que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”.

Por fim, a Venezuela declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.

Maduro na mira

Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela — Foto: Stringer/AFP

Nicolás Maduro discursa durante manifestação na Venezuela — Foto: Stringer/AFP

➡️ A pressão sobre o governo venezuelano começou em agosto, quando os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro. À época, o governo norte-americano reforçou a presença militar no Mar do Caribe.

Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a mobilização militar tinha como objetivo combater o narcotráfico internacional. Com o tempo, autoridades americanas passaram a dizer, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar o governo Maduro.

Trump e o presidente venezuelano chegaram a conversar por telefone em novembro. No entanto, segundo a imprensa americana, os contatos terminaram sem avanços, já que Maduro teria demonstrado resistência em deixar o poder.

No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista. O governo americano acusa Maduro de liderar o grupo.

Ainda em novembro, a imprensa internacional informou que os EUA estavam prestes a iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.

Além disso, de acordo com o jornal The New York Times, os Estados Unidos têm interesse em assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.

Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros da Venezuela. Trump também determinou um bloqueio contra embarcações alvos de sanções e acusou Maduro de roubar os EUA.