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Alarme de incêndio da Artemis II disparou a um dia do retorno à Terra, revela comandante

Reid Wiseman disse que o episódio foi tenso, mas não assustador, e que a tripulação seguiu o protocolo da NASA até resolver a situação

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 16/04/2026
Alarme de incêndio da Artemis II disparou a um dia do retorno à Terra, revela comandante
Astronautas da missão Artemis II durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira,16 | RONALDO SCHEMIDT/AFP

No penúltimo dia da Artemis II, com a tripulação ainda no espaço, o alarme de incêndio da cápsula Orion disparou, revelou o comandante da missão, Reid Wiseman, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16).

Wiseman não detalhou o que causou o alarme nem o que foi feito para resolvê-lo, mas disse que a situação ficou sob controle em poucos minutos.

"Foi tenso. Não foi assustador, mas foi tenso por alguns minutos até reconfigurarmos tudo", afirmou.

Ele disse também que o treinamento da tripulação foi decisivo para resolver o problema: a regra básica ensinada aos astronautas é não agir por impulso.

"Vamos avaliar a máquina, ver o que ela está nos dizendo, ver o que Houston [o controle de missão da NASA] está nos dizendo, e então tomar uma decisão integrada", acrescentou.

Apesar do episódio, Wiseman e o piloto Victor Glover disseram que a nave se saiu bem durante toda a missão, incluindo a reentrada na atmosfera, o trecho mais perigoso do trajeto, em que a cápsula atingiu temperaturas equivalentes à metade da superfície do Sol.

Wiseman afirmou que, olhando pela janela, a descida foi tranquila.

Os dez dias de missão, contudo, deixaram algumas marcas nos quatro integrantes da tripulação: Wiseman, Glover, a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen.

Mesmo após o retorno, todos disseram ter dificuldade em processar o que viveram. Koch, por exemplo, relatou nesta quinta que tem acordado convicta de que ainda está flutuando e levou um susto ao segurar uma camiseta e vê-la cair no chão.

Já Hansen, único da tripulação em seu primeiro voo espacial, disse ter ficado obcecado com a profundidade da nossa galáxia vista a olho nu: para ele, as estrelas pareciam ter posição no espaço tridimensional, algo impossível de capturar em foto ou vídeo.


A nave Orion com a Terra em crescente ao fundo, vista durante o sobrevoo lunar da Artemis II em 6 de abril. — Foto: NASA

A nave Orion com a Terra em crescente ao fundo, vista durante o sobrevoo lunar da Artemis II em 6 de abril. — Foto: NASA

Na coletiva, os astronautas também foram perguntados sobre os próximos passos do programa.

Koch disse acreditar que uma base permanente na Lua é viável. Wiseman foi além: afirmou que, se tivessem tido acesso a um módulo de pouso durante a missão, teriam descido. "Não é o salto que eu pensava que era", disse ele.

A NASA tem como meta pousar humanos na Lua ainda nesta década, na missão Artemis IV.

A Artemis II foi a primeira missão a levar humanos às proximidades da Lua desde a Apollo 17, em 1972.

O objetivo do programa é preparar o retorno à superfície lunar e, no longo prazo, enviar astronautas a Marte.