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General dos EUA se reúne com militares cubanos na Baía de Guantánamo
Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, discutiu assuntos de segurança operacional com a delegação cubana, que incluía o general cubano Roberto Legra Sotolongo
O general americano de mais alta patente no comando das forças na América Latina realizou uma reunião nesta sexta-feira (29) com altos oficiais militares cubanos no perímetro da Base Naval Americana da Baía de Guantánamo, em Cuba, informou o Exército dos EUA.
O general americano Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos EUA, discutiu brevemente assuntos de segurança operacional com a delegação cubana, que incluía o general cubano Roberto Legra Sotolongo, primeiro vice-ministro do Estado-Maior General, informou o Southcom (Comando Sul dos EUA) na sexta-feira.
"Donovan também liderou uma avaliação de segurança do perímetro da base naval e discutiu proteção da força, segurança dos militares e suas famílias, e prontidão operacional com os oficiais da base", acrescentou.
A reunião de Donovan em Cuba é a primeira em tempos recentes de um chefe do Comando Sul e ocorre em meio a crescentes preocupações em Cuba sobre um possível ataque militar americano à ilha governada pelo Partido Comunista.
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O encontro ocorre após uma rara visita, no início de maio, do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, frequentemente cita Cuba entre os objetivos de política externa de seu segundo mandato e insinuou que o país se tornará seu foco principal após o fim da guerra com o Irã.
Tensões com os EUA
Cuba é um antagonista dos EUA há décadas, desde a revolução de Fidel Castro em 1959.
Trump conta com forte apoio de cubano-americanos linha-dura na Flórida, que pressionam por uma mudança de regime instigada pelos EUA há décadas, e seu governo tem intensificado a pressão sobre a ilha.
Em 20 de maio, os EUA acusaram formalmente o ex-presidente Raúl Castro de quatro homicídios pelo abate, em 1996, de aeronaves civis operadas por exilados baseados em Miami.
A acusação foi o exemplo mais recente dos esforços do governo Trump para afirmar a influência dos EUA no Hemisfério Ocidental.
O papel mais assertivo de Washington na América Latina foi exemplificado pela operação militar dos EUA em 3 de janeiro para capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro em Caracas e, em seguida, levá-lo para Nova York para responder por acusações de tráfico de drogas.
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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gerou preocupação em Havana ao falar sobre o risco à segurança nacional representado pelo que ele chama de um Estado falido a apenas 145 quilômetros da Flórida.
Em 5 de maio, Rubio e Donovan posaram em frente a um mapa de Cuba em uma publicação na rede social X feita pelo Comando Sul de Donovan. A publicação dizia que as conversas se concentraram nos "esforços dos EUA para combater as ameaças que minam a segurança, a estabilidade e a democracia em nosso hemisfério".
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou que qualquer ação militar levaria a um "banho de sangue" no qual milhares de cubanos e americanos morreriam.
Trump impôs, na prática, um bloqueio de combustível à ilha ao ameaçar com tarifas os países fornecedores, provocando apagões aparentemente intermináveis e desferindo novos golpes na já debilitada economia cubana.
Especialistas afirmam que a instabilidade em Cuba ameaça desencadear uma crise migratória.