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Eleições no Peru: atrás na apuração, Roberto Sánchez pede recontagem 'de todas as atas que a legislação permita'
Deputado de esquerda disputa presidência contra Keiko Fujimori. Com 98,303% das urnas apuradas, Keiko lidera a corrida presidencial com 50,010% dos votos
Roberto Sánchez, candidato à Presidência do Peru, pediu nesta sexta-feira (12) a "recontagem em todas as atas que a legislação permita revisar" devido à pequena diferença de votos entre ele e sua opositora, Keiko Fujimori.
Com 98,303% das urnas apuradas às 19h40 no horário de Brasília, Keiko Fujimori liderava a corrida presidencial com 50,010% dos votos, ou uma diferença de apenas 3.509 votos, segundo apuração da autoridade eleitoral peruana, a ONPE.
Sánchez pediu que a sua adversária se junte a ele no pedido de recontagem.
"Diante da extrema estreiteza do resultado eleitoral, quero formular publicamente um convite a Keiko Fujimori para nos reunirmos o mais breve possível e atuarmos conjuntamente em defesa da transparência e da confiança cidadã", disse o deputado, em uma mensagem publicada na rede social X. "A diferença atual é tão reduzida que o Peru merece que não fique nenhuma dúvida sobre a vontade expressa nas urnas."
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"Por isso, proponho que solicitemos conjuntamente uma revisão exaustiva e um reconto dos votos em todas aquelas atas que a legislação permita revisar, com pleno respeito às instituições eleitorais e às normas vigentes", pede Sánchez.
Segundo o site oficial da contagem de votos, apenas 9 urnas estão pendentes de apuração, e outras 1.595 estão marcadas como "para envio ao JJE". O JJE (Jurado Eleitoral Especial) é o órgão máximo da eleição peruana, equivalente ao TSE no Brasil.
O envio pode sinalizar inconsistências ou possíveis erros na apuração da ata. No país, o voto é feito em cédulas de papel e colocado na urna. Cada mesa de votação, por sua vez, gera uma ata.
A ONPE não havia se pronunciado de forma oficial sobre o pedido de Sánchez até a última atualização desta reportagem. Portanto, não há uma determinação para recontagem no país e a apuração atual continuava válida.
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A candidata à Presidência do Peru Keiko Fujimori durante comício em Lima — Foto: Angela Ponce/Reuters
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A recontagem parcial já era esperada pelo órgão eleitoral peruano. Antes do segundo turno, o JJE publicou um comunicado dizendo que a declaração do vencedor poderia demorar.
O presidente do JEE, Roberto Rolando Burneo Bermejo, disse que o processo de recontagem é demorado, e, por isso, estimou que o resultado pode sair apenas em meados de julho, dada a proximidade do número de votos de cada candidato.
A quantidade de atas sob revisão é pequena se comparada ao total de votos no Peru — no total, há 92.700 atas no sistema eleitoral peruano. No entanto, a disputada na apuração é tão acirrada, que as atas revisadas podem redefinir o resultado.
Bermejo afirmou ainda que mais atas podem ser submetidas a recontagens caso o Jurado Nacional de Eleições entenda que seja o caso.
As recontagens podem ser feitas por diferentes razões, como:
- O número de cédulas eleitorais não correspondente ao de eleitores daquela mesa eleitoral;
- Quando há divergência no número de votos do boletim da ata e da urna correspondente;
- Quando os partidos concorrentes contestam o resultado da ata e a mesa eleitoral aceita a contestação.