Política
Paula Calil escancara guerra pelo comando da Câmara de Cuiabá e confirma: "A Assembleia interfere, sim"
Presidente do Legislativo admite influência da Assembleia na disputa pela Mesa Diretora, expõe embate entre Abilio Brunini e Max Russi e revela que eleição da Câmara virou palco da maior queda de braço política da Capital
A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Cuiabá deixou definitivamente os bastidores e ganhou contornos de uma verdadeira guerra política. Em uma declaração que deve repercutir intensamente no meio político mato-grossense, a presidente da Casa, Paula Calil (PL), admitiu publicamente que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso interfere na eleição da Mesa Diretora do Legislativo cuiabano.
A declaração representa um dos reconhecimentos mais explícitos já feitos por uma liderança da Câmara sobre a influência de forças políticas externas na definição do comando da Casa.
"Existe interferência? Existe. A gente vive num meio político; na política, nós temos diálogos e alinhamentos", afirmou Paula Calil à imprensa.
Questionada novamente para confirmar a declaração, foi ainda mais direta:
"Ué, interfere. Vou dizer que não?"
A fala desmonta qualquer tentativa de tratar a disputa como uma simples eleição interna entre vereadores e reforça a percepção de que o processo se transformou em uma batalha pelo controle político da principal Casa Legislativa da Capital.
Muito além da escolha de quem ocupará a Presidência da Câmara, a eleição passou a simbolizar uma disputa entre dois dos maiores polos de influência política de Mato Grosso.
De um lado está o prefeito Abilio Brunini (PL), que trabalha para manter Paula Calil no comando do Legislativo. Para isso, sua base defende até mesmo alterações no Regimento Interno da Câmara que permitam sua reeleição.
Do outro lado aparece o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), apontado como principal apoiador da candidatura da vereadora Ilde Taques (Podemos).
No meio desse confronto também surge o vereador Dilemário Alencar (União), que tenta construir uma candidatura própria em um cenário dominado pela polarização entre os dois grupos.
As declarações de Paula Calil também reforçam as críticas feitas anteriormente pela vereadora Samantha Íris (PL).
Na ocasião, a parlamentar afirmou que havia deputados estaduais interessados em exercer influência sobre a Câmara Municipal e, por consequência, aumentar sua força política sobre a Prefeitura de Cuiabá.
Segundo Samantha, existiriam grupos tentando "tomar conta da Câmara" e "colocar a faca no pescoço do prefeito", declarações que provocaram forte repercussão no meio político.
Agora, ao reconhecer que há interferência da Assembleia na disputa, Paula Calil acrescenta um novo elemento ao debate, embora apresente essas articulações como parte da dinâmica natural das negociações políticas.
Outro ponto que chamou atenção foi a naturalidade com que Paula Calil confirmou seu alinhamento político com o prefeito Abilio Brunini.
A presidente lembrou que integra o mesmo partido do prefeito, da vereadora Samantha Íris e do vereador Rafael Ranalli, reconhecendo que todos fazem parte do mesmo grupo político.
Ela também revelou que a histórica Mesa Diretora composta exclusivamente por mulheres nasceu de uma iniciativa do próprio prefeito.
"A nossa Mesa Diretora, 100% feminina, nunca escondeu que foi uma ideia do prefeito Abilio."
A declaração evidencia que a atual composição da direção da Câmara foi fruto de construção política conjunta entre Executivo e Legislativo, afastando qualquer narrativa de independência absoluta entre os Poderes.
Embora formalmente a eleição escolha apenas os integrantes da Mesa Diretora, nos bastidores a disputa possui consequências muito maiores.
Quem controlar a Presidência da Câmara terá influência sobre a pauta legislativa, definição das comissões permanentes, condução das votações, organização dos trabalhos parlamentares e interlocução institucional com a Prefeitura.
Por isso, a eleição passou a ser vista como um dos principais capítulos da reorganização do poder político em Cuiabá.
As declarações de Paula Calil tendem a aumentar a temperatura do debate justamente porque partem da principal autoridade da Câmara Municipal.
Ao admitir que existe interferência da Assembleia Legislativa e, ao mesmo tempo, reconhecer o alinhamento político com o prefeito Abilio Brunini, a presidente evidencia que a disputa pela Mesa Diretora extrapolou os limites do Legislativo municipal e passou a envolver os principais grupos de poder de Mato Grosso.
Mais do que uma simples eleição interna, o que está em jogo é o equilíbrio de forças entre Executivo, Legislativo Municipal e Assembleia Legislativa. O resultado dessa disputa poderá influenciar diretamente a governabilidade da Capital e redesenhar o mapa político de Cuiabá para os próximos anos.