Política
Fávaro reage a denúncias, critica antecipação do clima eleitoral e diz que divulgação coordenada de notícias buscou atingir sua imagem
Senador afirma que não participou da contratação investigada, cobra direito de resposta, lamenta o início da pré-campanha em tom de ataques pessoais e promete responder "à altura" dentro da legalidade
O senador Carlos Fávaro (PSD), pré-candidato à reeleição, afirmou nesta segunda-feira (20) que foi surpreendido com a divulgação de notícias que o vinculam a uma ação trabalhista envolvendo uma pesquisadora contratada para atuar durante levantamento eleitoral em Cuiabá. Segundo o parlamentar, além de não possuir qualquer responsabilidade pela contratação, seu nome foi associado indevidamente ao caso em um momento que considera preocupante para o início da disputa eleitoral.
Durante entrevista coletiva, Fávaro negou qualquer participação na contratação da pesquisadora e afirmou que o vínculo foi firmado exclusivamente pelo Partido Social Democrático (PSD), responsável pela contratação do instituto de pesquisa e dos profissionais que realizaram o trabalho.
"O que deixou a gente mais estarrecido é que, primeiro, eu não faço parte da lide. Eu não devo fazer parte da lide, porque eu não contratei. Segundo, quem contratou o instituto de pesquisa foi o PSD, que contratou os pesquisadores, portanto não tem nem que vincular o meu nome", declarou.
A ação foi proposta por uma pesquisadora que afirma ter trabalhado na realização de entrevistas eleitorais e alega ter enfrentado condições inadequadas durante a prestação dos serviços, incluindo a falta de acesso à água potável.
Fávaro afirmou que respeita o direito de qualquer trabalhador recorrer ao Poder Judiciário, mas defendeu que a apuração seja direcionada aos responsáveis pela contratação, sem atribuir responsabilidade a quem, segundo ele, jamais integrou a relação contratual.
O senador informou que já adotou medidas judiciais para requerer sua exclusão da ação e também pediu à Justiça Eleitoral que os veículos de comunicação publiquem sua versão dos fatos com o mesmo destaque conferido às notícias que divulgaram a denúncia.
"Nós queremos que investigue o trabalho da contratada pelo PSD, mas que não se vincule isso à minha pessoa", afirmou.
Outro ponto destacado por Fávaro foi a forma como a notícia foi repercutida. Segundo ele, diversos veículos publicaram textos praticamente idênticos, sem que sua versão tivesse sido previamente ouvida, circunstância que, em sua avaliação, reforça a necessidade de uma apuração cuidadosa dos fatos.
"Foi bastante estranho. Parece que o redator foi o mesmo para todos os veículos ou praticamente para todos. Diante de uma denúncia tão grave, ninguém teve a precaução de ouvir a outra parte", declarou.
Ao comentar o ambiente político, o senador demonstrou preocupação com o que considera ser uma antecipação do clima eleitoral por meio de ataques pessoais, defendendo que a campanha seja marcada pela apresentação de propostas e pelo respeito entre os adversários.
Segundo Fávaro, o início da pré-campanha já demonstra um ambiente de forte acirramento político, no qual, em sua avaliação, acusações e narrativas têm sido utilizadas para desgastar adversários antes mesmo do início oficial da disputa eleitoral.
Apesar das críticas, o parlamentar afirmou que responderá às acusações pelos meios legais e com transparência, sem abrir mão de defender sua trajetória pública.
"Tomara que não. Mas eu não gostei do início da pré-campanha. Muito preocupante, muito grave. As respostas serão à altura. Não admitirei nenhum tipo de campanha que venha a manchar uma história de vida. De jeito nenhum", concluiu.
O processo citado pelo senador permanece em tramitação e ainda não há decisão definitiva sobre o mérito das alegações apresentadas pelas partes. Ao mesmo tempo, Fávaro sustenta que sua inclusão na ação é indevida e afirma que buscará demonstrar isso tanto no Judiciário quanto no âmbito eleitoral, por meio dos instrumentos legais que considera cabíveis.