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Trump acusa China de adquirir 220 milhões de registros de eleitores dos EUA

Documentos com inteligência que comprovam a acusação serão divulgados pela Casa Branca, afirmou o presidente americano

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 17/07/2026
Trump acusa China de adquirir 220 milhões de registros de eleitores dos EUA
Em um discurso à nação realizado na noite desta quinta-feira (16), Trump afirmou que a China obteve ilegalmente registros de 220 milhões de eleitores | CNN

O presidente Donald Trump apontou diretamente a China como responsável pelo que classificou como "o maior comprometimento de dados eleitorais da história" durante a eleição presidencial americana de 2020, reiterando, em grande parte, a conclusão de um relatório de inteligência desclassificado em 2021.

Em um discurso à nação realizado na noite desta quinta-feira (16), Trump afirmou que a China obteve ilegalmente registros de 220 milhões de eleitores americanos, incluindo nomes, informações de contato, preferências partidárias e "outros dados sensíveis" — e descreveu a violação como um "pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral".

O presidente sugeriu que a China trabalhou para "minar meu primeiro governo e nossa campanha de 2020", além de tentar influenciar as eleições de meio de mandato de 2018, quando os Democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes.

Trump também acusou a China de utilizar contatos com empresas americanas para fazê-las se voltar "contra" ele e para "identificar jornalistas americanos... para que escrevessem mais artigos negativos a seu respeito".

Contexto

Agências de inteligência dos EUA concluíram, em relatório desclassificado em 2021, que a China considerou tentar influenciar o resultado da eleição de 2020, mas optou por não fazê-lo por receio de prejudicar as relações entre os EUA e a China.

No entanto, havia uma visão minoritária — ou divergente — dentro da comunidade de inteligência de que a China havia, de fato, agido.

O então oficial de inteligência nacional para questões cibernéticas avaliou que a China tomou "pelo menos algumas medidas para minar as chances de reeleição do ex-presidente Trump, principalmente por meio de redes sociais, declarações públicas oficiais e da mídia", conforme apontado na avaliação da comunidade de inteligência.

Os comentários de Trump ocorrem dois meses após sua viagem à China para se reunir com o líder do país, Xi Jinping, e antes de uma visita prevista de Xi à Casa Branca, no final de setembro.

Pequim nega acusações há tempos

A China tem negado repetidamente alegações anteriores relacionadas à interferência eleitoral e à intromissão política por parte de várias nações ocidentais, incluindo os EUA.

Entre essas alegações, inclui-se um alerta de 2020 do Centro Nacional de Contrainteligência e Segurança dos EUA, indicando que a Rússia, a China e o Irã tentariam interferir na eleição presidencial de 2020, utilizando desinformação online e outros meios.

Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da China negou veementemente as acusações, classificando-as como "simplesmente absurdas e ridículas" e afirmando que as eleições dos EUA eram um "assunto interno" do país.

"A China nunca interferiu nelas e não tem interesse em fazê-lo no futuro. Ao mesmo tempo, temos dito repetidamente que aqueles nos EUA devem parar imediatamente com o artifício de arrastar a China para a sua política interna", disse na época o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian.

Nos últimos anos, a China também enfrentou alegações de interferência política ou eleitoral por parte de outras democracias ocidentais, incluindo Canadá, Austrália e Reino Unido.