Opinião

Suécia endurece contra o crime. E o Brasil, vai esperar até quando?

MIKE MALUF 21/08/2026
Suécia endurece contra o crime. E o Brasil, vai esperar até quando?
Mike Maluf é empresário da construção civil | Assessoria

Nos últimos dias, alguns casos que aconteceram em Mato Grosso me fizeram parar para pensar em uma questão que não pode mais ser tratada como assunto distante da nossa realidade: o envolvimento cada vez maior de adolescentes com o crime organizado.

Estamos falando de menores apreendidos com drogas e armas, adolescentes recrutados para participar de roubos e até casos em que jovens são usados por facções para cometer crimes graves.

Em Cáceres, por exemplo, um adolescente ligado a uma facção teria matado um homem para quitar uma dívida relacionada a drogas. Em outro caso, um pai foi detido depois de usar o próprio filho adolescente para entregar entorpecentes. Também tivemos adolescentes encontrados com drogas e armas a caminho de cometer roubos.

Isso precisa nos fazer refletir.

Não estou dizendo que adolescente não precisa de proteção. Precisa, e muita. Crianças e adolescentes devem ter acesso à educação, saúde, esporte, oportunidades e uma família estruturada. O Estado precisa estar presente antes que o crime chegue.

Mas precisamos também discutir responsabilidade.

Quando uma facção percebe que pode usar um adolescente para praticar um crime grave e que esse jovem terá um tratamento diferente de um adulto, isso deixa de ser apenas um problema de segurança pública. Passa a ser uma estratégia do crime organizado.

E quem paga essa conta é a sociedade.

Enquanto outros países discutem como responsabilizar menores envolvidos em crimes graves, nós ainda temos dificuldade de avançar em uma discussão séria sobre os limites da nossa legislação. A Suécia, por exemplo, reduziu nesta semana a maioridade penal para 14 anos de idade.

No Brasil, o deputado federal Coronel Assis, de Mato Grosso, é relator de uma proposta que reduz a maioridade penal para 16 anos. O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e aguarda votação no plenário.

É uma discussão que precisa acontecer sem ideologia e sem paixão política.

Precisamos olhar para a realidade.

A segurança deve ser prioridade. Não adianta falar em desenvolvimento, geração de emprego, saúde e educação se as pessoas não conseguem sair de casa tranquilas, se as famílias têm medo de perder seus filhos para o tráfico e se as facções conseguem recrutar cada vez mais jovens.

Combater esse problema não significa apenas aumentar punições. É preciso prevenir. É preciso investir nas nossas crianças, criar oportunidades, fortalecer as famílias, melhorar nossas escolas e ocupar os espaços onde hoje o crime consegue chegar primeiro.

Mas prevenção e responsabilidade precisam caminhar juntas.

Se as facções já entenderam como explorar as brechas da legislação, o Estado também precisa entender como fechar essas brechas. Não podemos esperar que um adolescente se torne adulto para só então perceber que ele passou anos sendo treinado pelo crime.

A discussão sobre a maioridade penal é difícil. Mas não podemos continuar adiando. Precisamos ter coragem para discutir o que é justo, o que funciona e, principalmente, o que protege a nossa sociedade.

Porque, no final, não estamos falando apenas de números ou de leis.

Estamos falando de vidas.

Mike Maluf é empresário da construção civil, casado e pai de dois filhos