Polícia

“Doutoras” de papel: irmãs são presas ao tentar enganar o CRM-MT com diplomas falsos de medicina em Cuiabá

O que parecia ser apenas mais um pedido formal de registro profissional terminou em caso de polícia dentro da sede do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), em Cuiabá

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 28/01/2026
“Doutoras” de papel: irmãs são presas ao tentar enganar o CRM-MT com diplomas falsos de medicina em Cuiabá
De acordo com a Polícia Militar, as mulheres já haviam iniciado o processo no dia 9 de janeiro, de forma on-line | Arquivo Página 12

Duas irmãs, de 29 e 27 anos, foram presas em flagrante nesta quarta-feira (28) após tentarem obter registro médico utilizando diplomas falsos do curso de medicina. A fraude foi descoberta por servidores do próprio conselho, que perceberam inconsistências graves na documentação apresentada pelas suspeitas.

De acordo com a Polícia Militar, as mulheres já haviam iniciado o processo no dia 9 de janeiro, de forma on-line. No dia 20, compareceram presencialmente ao CRM-MT para apresentar os documentos originais exigidos e realizar a coleta biométrica, etapa obrigatória para validação do registro profissional.

Foi justamente nesse momento que o golpe começou a ruir.

Ao analisarem os diplomas e demais comprovantes, funcionários do conselho identificaram divergências nos padrões dos documentos, o que levantou suspeita imediata. A direção do CRM acionou a polícia, que efetuou a prisão em flagrante ainda dentro da sede da instituição.

Em nota, o CRM-MT confirmou que o pedido de registro já estava em andamento desde o início do mês, mas que a análise criteriosa dos documentos físicos foi determinante para impedir que a fraude avançasse.

A tentativa não é apenas uma falsificação documental. O caso é tratado como crime contra a fé pública e, principalmente, como uma ameaça direta à saúde da população.

Se o registro tivesse sido concedido, as suspeitas poderiam atuar como médicas, colocando em risco a vida de pacientes.

As irmãs poderão responder por: Uso de documento falso (art. 304 do Código Penal); Falsificação de documento público (art. 297) e tentativa de exercício ilegal da medicina (art. 282).

As penas, somadas, podem ultrapassar 10 anos de reclusão.

O caso será investigado pela Polícia Civil, que buscará identificar onde os diplomas foram produzidos e se há participação de terceiros em um possível esquema de falsificação de certificados acadêmicos.

O episódio acende um alerta: o controle rigoroso dos conselhos profissionais é, muitas vezes, a última barreira entre a fraude e o risco à vida real das pessoas.