Política
“NÃO SUBO NO PALCO COM OS CAMPOS”: Flávia rejeita aliança e impõe constrangimento a Wellington
Sem elevar o tom, mas sendo direta, Flávia deixou claro que a aproximação com o grupo político que ela enfrentou nas urnas em 2024 a coloca em uma posição extremamente desconfortável
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), fez uma das declarações políticas mais duras do ano ao comentar a possível articulação entre os pré-candidatos ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União Brasil).
Sem elevar o tom, mas sendo direta, Flávia deixou claro que a aproximação com o grupo político que ela enfrentou nas urnas em 2024 a coloca em uma posição extremamente desconfortável — e que essa aliança pode custar caro politicamente ao próprio Wellington.
“Complicado para mim, mas complicado. Acho que o Wellington está dando um tiro no pé. A decisão é dele, o candidato é dele. Hoje eu estaria muito desconfortável com a possibilidade de não o apoiar mesmo, e falo isso porque não dá para subir no palco com os Campos”, disparou a prefeita nesta quarta-feira (28).
A fala é simbólica e carrega peso político real.
Flávia venceu a eleição municipal em Várzea Grande derrotando Kalil Baracat (MDB), candidato diretamente apoiado pelo chamado Clã Campos. Em outras cidades do estado, aliados da prefeita também derrotaram nomes ligados à família.
Ou seja: não se trata apenas de divergência ideológica, mas de confronto eleitoral recente.
Uma eventual aliança entre Wellington e Jayme obrigaria Flávia a dividir palanque com o grupo que ela acabou de derrotar — algo que, politicamente, ela sinaliza não estar disposta a fazer.
O próprio senador Jayme Campos confirmou publicamente que já apresentou a Wellington um acordo pragmático: quem estiver melhor nas pesquisas lidera a chapa; o outro apoia, com direito à indicação da esposa para a vice-governadoria — Lucimar Campos ou Mariene Fagundes, a depender do cenário.
“Eu já fiz a proposta. Fiz uma proposta melhor para o Wellington”, afirmou Jayme.
A fala de Flávia não é apenas uma opinião isolada. Ela é hoje uma das principais lideranças do PL em Mato Grosso após a vitória em Várzea Grande. Sua rejeição pública à aliança expõe um ruído interno relevante no partido de Wellington.
Se a composição avançar, Wellington pode até ampliar alianças no interior do estado, mas corre o risco de perder sustentação estratégica em um dos maiores colégios eleitorais de Mato Grosso — e de criar um desgaste dentro da própria base.
Sem gritos, sem ataques pessoais, Flávia fez o que poucos conseguem na política: marcou posição, deixou o recado e gerou efeito imediato no tabuleiro eleitoral de 2026.