Polícia
Gaeco faz operação em escritório de advogada suspeita de dar apoio a facção criminosa em Mato Grosso
Mandados foram cumpridos em Nova Mutum, Cuiabá e na Penitenciária Central; Justiça autorizou quebra de sigilos telefônico e telemático da investigada
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação Dupla Face, que teve como principal alvo a advogada Ana Paula Bacchi Muravski, investigada por supostamente prestar apoio a uma organização criminosa com atuação em Mato Grosso.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão no escritório de advocacia e na residência da investigada, localizados em Nova Mutum, além de diligências em Cuiabá e na Penitenciária Central do Estado (PCE).
As investigações apontam indícios de que a advogada teria atuado em benefício da organização criminosa. Com base nos elementos reunidos pelo Gaeco, a Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico e telemático, além da extração e da perícia dos dados armazenados em aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação.
Todo o material recolhido será submetido à análise técnica e poderá reforçar as investigações, que seguem sob sigilo judicial.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que acompanhou o cumprimento dos mandados por meio da 25ª Subseção e de representantes do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP), garantindo o respeito às prerrogativas profissionais da advocacia durante as diligências.
Segundo a entidade, as buscas no escritório ocorreram com comunicação prévia e acompanhamento de representante da OAB, conforme previsto no Estatuto da Advocacia e determinado pelo Poder Judiciário.
A OAB-MT também esclareceu que eventual responsabilização ética da profissional será analisada pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED), caso sejam identificados elementos que justifiquem a abertura de procedimento disciplinar.
Conforme o Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), Ana Paula Bacchi Muravski possui inscrição regular na OAB e exerce a advocacia em Nova Mutum.
Até o momento, a defesa da investigada não havia se manifestado sobre a operação.
As investigações prosseguem sob sigilo e têm como objetivo esclarecer a extensão da suposta participação da advogada e de outros investigados na estrutura da organização criminosa.
Importante: a operação representa uma fase de investigação. Até eventual decisão judicial definitiva, prevalece a presunção de inocência dos investigados, nos termos da Constituição Federal.