Nas redes sociais, Bolsonaro chamou de "delírio" a ideia de tomar terras de quem cometer crime ambiental. Disse ainda que a propriedade privada é sagrada e que o Brasil não é um país "socialista/comunista".
Pouco depois, Bolsonaro falou com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada e retomou as críticas às medidas do conselho chefiado por Mourão.
Também para os apoiadores, Bolsonaro voltou a dizer que expropriar terras é uma medida de países "socialistas e comunistas".
"É o tempo todo assim. Eu tenho que conviver com a imprensa o tempo todo agindo dessa maneira, ou alguém deslumbrado do governo, sem qualquer responsabilidade ou senso de democracia, dizendo que tem uma proposta para expropriar terra. Não existe isso", afirmou o presidente. "Expropriação é em países socialistas e comunistas. No meu governo, não", completou.
Mourão fala em 'incômodo'
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, comentou as críticas de Bolsonaro durante entrevista no início da tarde.
Mourão disse que não conversou sobre o assunto com o presidente após as críticas. O vice explicou que a proposta de expropriar terras se tratava de um “estudo” que ainda passaria por análise de ministérios, como o da Agricultura, antes da avaliação final de Bolsonaro.
Mourão reclamou da publicação da ideia pela imprensa, o que, segundo ele, gerou “um incômodo” com Bolsonaro. De acordo com o vice, a proposta foi divulgada “fora do contexto”.
“É algo que está totalmente fora do contexto. Eu se fosse o presidente também estaria extremamente irritado, porque isso é um estudo, isso é um trabalho que tem que ser finalizado e que só depois poderia ser submetido à decisão dele”, declarou.
Questionado se a ideia foi descartada, Mourão repetiu que se tratava de um estudo.
"Não é decisão. Então, já é publicado como se fosse uma decisão. Aí gera o quê? Gera um incômodo com o presidente", disse.
A expropriação de terras é prevista em lei atualmente, mas não em casos de crimes ambientais. A expropriação é permitida quando forem encontradas nas propriedades lavouras ilegais de plantas psicotrópicas ou exploração de trabalho escravo.
Atritos com Mourão
Esse não é o primeiro atrito entre Bolsonaro e seu vice nos últimos dias.
Na segunda-feira (9), Bolsonaro afirmou em entrevista à CNN Brasil que não tem falado com Mourão.
A declaração foi uma resposta a um comentário de Mourão sobre o silêncio do presidente em relação à vitória de Joe Biden nas eleições americanas.
Nesta quarta (11), Mourão afirmou ter uma relação "ética e de lealdade" com o chefe do Executivo e negou que não esteja falando com Bolsonaro.