Política

Após soldados Paraguaios, Amália Curvo fixou no 3º Distrito, hoje VG, na década de 20

Na juventude Amália casou com Júlio Domingos de Campos, Seo Fiote, em 1943, e futuramente, tornou-se técnica em enfermagem

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 11/02/2021
Após o isolamento total do 3º Distrito pertencente a Capital Cuiabá, província de Mato Grosso, na época, Várzea Grande era habitada pelos soldados Paraguaios após o fim da grande Guerra do Paraguai – que ficaram em um “campo de confinamento” para moradores paraguaios da região da Várzea, com suas famílias. Organizado pelo presidente da província, José Vieira Couto Magalhães, que se notabilizava pela tentativa de recuperação de Corumbá e por organizar, em 15 de maio de 1867, em Várzea Grande, nas proximidades de Cuiabá, na outra margem do rio, um povoado, além dos índios Guanás que habitavam a região, na época. O campo se manteve até o fim da guerra, com os paraguaios dedicados, entre outras atividades, ao artesanato do couro e ao retalho de carne. O núcleo dos paraguaios aprisionados e que permaneceu na região, originou a segundo maior cidade do estado de Mato Grosso e teve a influência dos índios e de exs-escravos. Oriunda do sítio “Jacundá” - distrito de Nossa Senhora do Livramento(38,6 KM de Cuiabá), Amália Curvo de Campos, mãe do senador Jayme Campos e do ex-governador Júlio Campos, mudaria para o 3º Distrito em busca de oportunidades, ainda na década de 20. Além de Amália, famílias oriundas da região de Cáceres também vieram habitar Várzea Grande. Amália foi morar com a família do ex-prefeito de Várzea Grande para estudar, Licínio Monteiro da Silva, oriundo da Fazenda Mutum, também de Nossa Senhora do Livramento – conjuntamente - com sua esposa Izabel de Almeida Silva, a Dona Bebê. Na juventude Amália casou com Júlio Domingos de Campos, Seo Fiote, em 1943, e futuramente, tornou-se técnica em enfermagem. O casal instalara-se na avenida Couto Magalhães, onde é hoje e Fundação Júlio Campos. Após a construção da primeira ponte - entre Cuiabá e Várzea Grande em 20 de janeiro de 1942 - a Ponte de concreto Júlio Muller, chamada Ponte Velha, ligando o então terceiro distrito (atual bairro Alameda) aos distritos São Gonçalo do Pedro II e ao distrito do Porto (atual bairro do Porto) em Cuiabá, no período do Estado Novo, feito pelo então interventor Júlio Muller, Amália e o esposo “Fiote” com ajuda de Licínio Monteiro – considerado líder político – na época, criam a loja Futurista de secos e molhados e em 1964 mudam-se da Avenida Couto Magalhães, para a rua 24 de outubro, local considerado ‘pool’ do comércio, em Cuiabá. Em 1945 ocorre a chegada da energia elétrica, o que transformaria o 3° distrito. No dia 23 de setembro de 1948, por autoria do ex-deputado estadual Licínio Monteiro, o ex-governador Arnaldo Estevão de Figueiredo, emancipa o 3º Distrito de Cuiabá e cria o município de Várzea Grande. Com a emancipação, Amália e o esposo voltam a residir no município e “Fiote” e eleito o primeiro prefeito de Várzea Grande. A relação familiar de Amália Curvo com Várzea Grande encerrou na quinta feira, 11, ao 96. Vítima da Covid 19, o Novo Coronavírus, Amália que estava internada no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, não resistiu. Ela deixou 10 filhos, 23 netos e 30 bisnetos. A personalidade, história e amor por Várzea Grande, com a morte de Amália Curvo, servirá como referência a distintos grupos futuros em seu tempo e continuará a servir nos séculos seguintes.