Política
Butantan cria vacina brasileira contra covid-19 e pede autorização da Anvisa para testes
Instituto pretende disponibilizar 40 milhões de doses da Butanvac para o país a partir de julho. Imunizante precisa ainda passar pelas fases 1 e 2 do estudo de eficácia e ser testada em voluntários
Segundo o presidente do Butantan, Dimas Covas, o imunizante começou a ser produzido em 2020. A vacina foi enviada à Índia para ser testada em animais e, segundo ele, teve resultados “excelentes”. “De lá para cá, foi uma luta intensa, um esforço intenso de toda a equipe, tanto do ponto de vista da produção quanto das negociações internacionais”, disse. A ButanVac também será testada no Vietnã e na Tailândia, onde a fase 1 já foi iniciada. Covas pretende enviar um dossiê de desenvolvimento clínico ainda nesta sexta-feira à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pedir autorização para as próximas etapas dos estudos. A vacina deve começar a ser produzida já em maio e o plano é disponibilizar 40 milhões de doses até julho, afirma o Butantan.
A tecnologia da ButanVac é a mesma usada na produção da vacina da gripe, que já é feita no instituto, sendo produzida em ovos de galinha. Segundo Dimas Covas, nenhum outro imunizante contra a covid-19 no mundo utiliza essa tecnologia. Com isso, segundo ele, ela se torna mais barata e segura. “Essa é a geração 2.0 da vacina. Nós aprendemos com as vacinas anteriores e agora sabemos o que é uma boa vacina para a covid-19. Essa já incorpora algumas dessas modificações”, disse Covas.
Caso os testes comprovem a eficácia e a nova vacina seja autorizada, ela será um importante complemento para o país, que atualmente sofre com a escassez de imunizantes por falta de organização do Governo federal. O Instituto Butantan já produz, com o laboratório chinês Sinovac, a Coronavac ―responsável pela maior parte da vacinação realizada atualmente no Brasil.