Política
Mercosul-UE: entorno de Lula vê busca por protagonismo ao evitar Assunção
Ao optar por permanecer em Brasília, sem ir à cerimônia oficial de assinatura no Paraguai, neste sábado (17), presidente brasileiro não divide palanques com demais mandatários de países do Mercosul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai à cerimônia para a assinatura do acordo União Europeia-Mercosul em Assunção, capital do Paraguai, neste sábado (17). A previsão é que ele fique em Brasília, sem compromissos oficiais.
A postura é lida pelo seu entorno como uma estratégia para que ele evite dividir palanque com outros mandatários e reforce uma imagem de principal fiador do texto entre os blocos, ao menos internamente.
O Brasil vai ser representado no evento pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A expectativa é que os presidentes dos demais países do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — estejam presentes, como o direitista Javier Milei. Inicialmente, a ideia era que apenas os chanceleres participassem do encontro.
Na sexta-feira (16), Lula recebeu no Rio de Janeiro a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num ato próprio para celebrar a assinatura.
Foi um evento com direito à pompa, “foto da vitória” de mãos dadas, discursos em que enalteceram o multilateralismo e uma visão de mundo compartilhada entre Brasil e União Europeia.
Em seu discurso, Von der Leyen também elogiou diretamente o trabalho feito por Lula no assunto.
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A expectativa do governo federal era de que o texto tivesse sido assinado em Foz do Iguaçu, em dezembro do ano passado, ainda com o Mercosul sob presidência brasileira. Mas, diante das oposições internas na Europa, ainda existentes, a assinatura só vai acontecer agora, sob a presidência do Paraguai.
Mercosul e União Europeia vão eliminar as tarifas sobre cerca de 90% das exportações de forma gradual ao longo dos próximos anos. O agro e a indústria do Brasil estão entre os principais beneficiados dentro do Mercosul.
Atualmente, 73% das exportações brasileiras para a União Europeia vão para cinco destinos, segundo o governo federal: Holanda, Espanha, Alemanha, Itália e Bélgica.
O governo vê na iniciativa uma janela para ampliar mercados e o comércio bilateral. No ano passado, o Brasil exportou quase US$ 50 bilhões para o bloco europeu, valor semelhante às importações brasileiras da União Europeia.