Política

Concurso do MP-MT entra em turbulência após suspeita de conflito de interesse no TJMT

Decisão que suspendeu etapa do certame provoca reação entre candidatos após revelação de que assessor ligado ao gabinete do relator estaria inscrito na disputa por vaga de promotor

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 21/05/2026
Concurso do MP-MT entra em turbulência após suspeita de conflito de interesse no TJMT
A medida que interrompeu o andamento do concurso foi assinada pelo desembargador Jones Gattas Dias, em ação que questiona pontos do edital | TJMT

A suspensão de uma das etapas do concurso público para promotor de Justiça substituto do Ministério Público do Estado de Mato Grosso mergulhou o certame em um cenário de forte repercussão jurídica e institucional, após surgirem questionamentos sobre possível conflito de interesse envolvendo o gabinete do magistrado responsável pela decisão no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

A medida que interrompeu o andamento do concurso foi assinada pelo desembargador Jones Gattas Dias, em ação que questiona pontos do edital, especialmente a previsão de aplicação das provas em Cuiabá e também na cidade de São Paulo.

O caso, porém, ganhou dimensão ainda maior após a circulação da informação de que um assessor vinculado ao gabinete do magistrado estaria inscrito no próprio concurso público alvo da suspensão judicial.

A revelação rapidamente provocou desconforto entre candidatos e passou a alimentar debates nos bastidores do sistema de Justiça mato-grossense sobre eventual necessidade de impedimento, transparência institucional e preservação da imparcialidade no julgamento de causas envolvendo concursos públicos de alta relevância.

Entre candidatos, a avaliação é de que a situação gerou insegurança jurídica e aumentou a pressão por esclarecimentos públicos sobre os critérios adotados na condução do processo judicial.

Em nota encaminhada à imprensa, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso afirmou que o desembargador não tinha conhecimento prévio da inscrição do servidor no concurso e sustentou que o caso não configura hipótese legal de impedimento ou suspeição prevista na legislação processual.

A Corte também ressaltou que magistrados não comentam decisões judiciais fora dos autos.

Mesmo assim, a repercussão já ultrapassa os limites do processo e atinge diretamente o ambiente institucional do concurso, considerado um dos mais disputados da carreira jurídica em Mato Grosso.

Com o cronograma indefinido e sem previsão concreta para retomada das etapas, candidatos agora acompanham o caso sob clima de tensão e expectativa, enquanto os bastidores do Judiciário e do Ministério Público seguem movimentados diante da polêmica que passou a cercar o certame.