Política

Zema promete choque na área fiscal, privatização da Petrobras e mudança na indicação de ministros do STF

A entrevista foi conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, é transmitida ao vivo pelo g1 e pela GloboNews

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM G1 06/08/2026
Zema promete choque na área fiscal, privatização da Petrobras e mudança na indicação de ministros do STF
Zema é o segundo entrevistado da série de entrevista do g1 e da GloboNews com os presidenciáveis | G1

O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta quinta-feira (6), em entrevista ao g1 e à GloboNews, que, se eleito, fará um "choque" na área fiscal e vai "privatizar tudo, a começar pela Petrobras".

Segundo Zema, a proposta é baseada nas medidas adotadas durante a gestão dele no governo de Minas Gerais. O político não disse, no entanto, como viabilizaria essas privatizações se for eleito presidente.

"Primeiro, eu quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Em Minas Gerais, nós privatizamos 118 empresas. Vamos fazer uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária e vamos melhorar os programas sociais", afirmou.

Confira temas abordados na entrevista com Romeu Zema:

  • Choque fiscal e 'privatizar tudo': afirmou que, se eleito, vai promover no Brasil um "choque" na área fiscal de R$ 1 trilhão e "privatizar tudo, a começar pela Petrobras".
  • Reforma do Judiciário e lista tríplice para o STF: defendeu reforma profunda no Judiciário e mudança na indicação de ministros do Supremo.
  • IA para reduzir número de juízes: segundo Zema, a inteligência artificial pode assumir parte das atividades hoje desempenhadas pelos magistrados.
  • Caso Master, Novo e Flávio Bolsonaro: Zema comentou doação feita ao partido e negou contradição ao criticar Flávio Bolsonaro.

A entrevista ao g1 e à GloboNews é conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro, e tem duração aproximada de uma hora e meia.

Após a exibição, o conteúdo completo ficará disponível em vídeo no g1 e em áudio no podcast O Assunto.

Veja destaques da entrevista de Romeu Zema:

Choque fiscal e privatizações

Romeu Zema afirmou que, se eleito presidente, vai promover no Brasil um "choque" na área fiscal e vai "privatizar tudo, a começar pela Petrobras".

Romeu Zema (Novo) responde sobre economia

Romeu Zema (Novo) responde sobre economia

"Primeiro, eu quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Em Minas Gerais, nós privatizamos 118 empresas", afirmou.

Entretanto, o ex-governador de Minas Gerais foi questionado por não ter cumprido sua principal promessa de campanha: a privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). Zema respondeu que a venda está em processo e que não foi concluída porque não tinha alianças políticas suficientes no primeiro mandato para concretizar a venda.

"Agora, sendo eleito presidente do Brasil, eu vou assumir com capital político", disse. "Para mim, foi uma curva de aprendizado. Eu vou chegar em Brasília muito mais bem preparado".

Como parte da proposta para o governo federal, o governador defendeu um enxugamento da estrutura da administração pública, começando pela redução de ministérios.

Romeu Zema (Novo) responde sobre privatizações

Romeu Zema (Novo) responde sobre privatizações

O candidato afirmou ainda que pretende implementar quatro medidas na área fiscal. Segundo Zema, o conjunto dessas medidas traria uma economia de cerca de R$ 1 trilhão ao longo dos próximos 20 anos.

Zema também afirmou que esse cenário seria bem recebido pelo mercado e contribuiria para uma redução da taxa de juros, que, segundo ele, poderia cair para menos da metade do patamar atual.

Economia de Minas Gerais

Questionado sobre encerrar a gestão em Minas Gerais com um caixa negativo de R$ 11 bilhões, segundo dados do Tesouro, Zema afirmou que recebeu o estado em situação de “massa falida” e que os compromissos do estado estão atualmente em dia.

“Eu assumi um estado que era uma verdadeira massa falida. Eram 240 mil servidores públicos com o nome sujo no SPC e no Serasa, porque o governo do Pimentel, do PT, descontou desses servidores o empréstimo consignado e não fez os repasses aos bancos”, afirmou.

Zema também citou atrasos nos repasses de ICMS e IPVA aos municípios e dificuldades no pagamento de fornecedores. “Hoje, todos esses compromissos estão rigorosamente em dia, e a dívida que o Estado tem hoje é com a União.”

Reforma no Judiciário e STF

Questionado se suas propostas para o Supremo poderiam provocar uma crise institucional caso seja eleito, Zema negou essa possibilidade e defendeu mudanças no Judiciário. “Eleito presidente, eu quero uma reforma profunda no Judiciário”, afirmou.

Romeu Zema (Novo) responde sobre relação com o STF

Romeu Zema (Novo) responde sobre relação com o STF

Zema também propôs a adoção de uma lista tríplice para a escolha dos ministros do STF, elaborada com a participação de diferentes instituições.

“Eu gostaria muito que nós já fizéssemos essa mudança, que a OAB, o Superior Tribunal de Justiça, o Ministério Público Federal e o Senado colaborassem na elaboração dessa lista [para o STF].”

O candidato disse que a intenção dele com essa proposta é tirar do presidente da República o poder de indicar ministros do Supremo. "Eu quero é tirar do presidente esse poder que dá a ele, se quiser, até nomear o irmão e o filho. O que eu acho que é um absurdo."

Questionado sobre propostas para retirar do STF competências em matérias criminais e tributárias, Zema negou que pretendesse interferir no Judiciário.

“É competência do Judiciário fazer as mudanças no Judiciário, mas eu quero contribuir com essa mudança. Nós vamos construir isso a quatro mãos. Eu não vou chegar lá e falar: ‘Faça a mudança’.”

IA para reduzir número de juízes

Romeu Zema defendeu o uso da inteligência artificial (IA) para aumentar a produtividade do Judiciário e, com isso, reduzir gradualmente o número de juízes. Segundo Zema, a tecnologia pode assumir parte das atividades hoje desempenhadas pelos magistrados.

"Tem muita coisa que um juiz faz hoje que a inteligência artificial pode assessorá-lo e ele ficar muito mais produtivo. Em vez de ter 10 mil juízes, você pode, ao longo do tempo, reduzir para 8 mil, depois para 6 mil, porque eles vão ficar mais produtivos", afirmou.

Caso Master, Novo e Flávio Bolsonaro

Romeu Zema foi questionado sobre o Caso Master, investigado pela Polícia Federal e que revelou um esquema de corrupção envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. As apurações apontam envolvimento de Flávio Bolsonaro, candidato a presidente do PL, como alguém que pediu dinheiro a Vorcaro. Além disso, o partido Novo, de Zema, recebeu doações do pai do ex-banqueiro preso, Henrique Vorcaro.

Questionado sobre como explica a doação feita por Henrique Vorcaro ao diretório do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, Romeu Zema afirmou que nunca recebeu recursos dessa família e sugeriu que a contribuição pode ter sido feita "por engano". O candidato disse ainda que pretende discutir com o partido a possibilidade de devolver o valor.

Ao responder à pergunta, Zema afirmou que a doação foi destinada ao partido, e não à sua campanha. Segundo ele, na época da contribuição não havia indícios de irregularidades envolvendo a família Vorcaro.

O candidato também disse que o Novo recebeu doações de milhares de pessoas durante as eleições de 2022 e negou que a legenda tenha assumido qualquer compromisso em troca de contribuições financeiras.

"O que nós fazemos é boa política para combater a corrupção. Acho até que ele deve ter doado para o partido errado, por engano."

Zema foi perguntando também sobre as críticas que fez a Flávio Bolsonaro após a divulgação de conversas do senador com Daniel Vorcaro. O candidato do Novo reafirmou ter considerado o caso “imperdoável” e “um tapa na cara dos brasileiros de bem”.

“Tudo o que eu disse eu confirmo. Não mudo nada daquilo que eu disse. Foi um momento de muita indignação para mim”, declarou. Zema negou ter sido pressionado pelo Novo a mudar de posição e disse que integrantes do partido tiveram liberdade para apoiar outras candidaturas.

O candidato e ex-governador afirmou que as divergências internas no Novo já existiam antes do caso Master e classificou como “natural” que integrantes do partido apoiem Flávio Bolsonaro.

Emendas parlamentares

Zema foi questionado sobre a ampliação das emendas parlamentares em Minas Gerais durante a gestão dele como governador e sobre uma possível contradição entre as críticas que faz ao modelo em Brasília e a execução das emendas estaduais.

O candidato afirmou ser contra a destinação de recursos públicos sem transparência e fiscalização.

"Eu sou contrário a esse nível de emendas parlamentares que nós temos hoje e à deficiência na fiscalização", afirmou.

O candidato defendeu mudanças no modelo de distribuição das emendas parlamentares e afirmou que o desperdício de recursos públicos compromete investimentos em áreas como saúde e segurança pública.

"O recurso público é escasso. Falta dinheiro para a segurança pública e para a saúde, enquanto há gente asfaltando uma estrada que ninguém utiliza porque a sogra de um deputado tem uma propriedade ali que vai ser valorizada", afirmou.

Trabalho infantil

Romeu Zema foi questionado sobre uma declaração que fez a um podcast há alguns meses, de que crianças deveriam trabalhar. Na ocasião, ele disse que "a esquerda criou a ideia de que trabalhar prejudica a criança" e que mudaria isso.

Na entrevista desta quinta-feira (6), o candidato afirmou que "trabalhar também qualifica além da educação" e que crianças podem fazer "alguma atividade, às vezes até durante as férias".

"O que eu quis expressar, ali, crianças, jovens... Citei idade ali? Não citei. O que nós precisamos dar no Brasil é facilidade para jovens que querem trabalhar, sem prejudicar a escola, e a minha proposta é: uma escola estadual que o jovem está frequentando, tendo bom aproveitamento, não faltando? Daria uma anuência para ter um emprego de 4 horas ou trabalhar nas férias, que seja. Nem precisa ser em período de aula", disse.

Trabalho análogo à escravidão

Zema foi questionado sobre uma declaração feita durante a campanha de 2018, na qual afirmou que era possível encontrar empregadas domésticas recebendo R$ 300 por mês no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, em Minas Gerais. Na época, a fala causou grande repercussão.

O candidato afirmou que não defendia esse valor como remuneração. Segundo Zema, a declaração tinha o objetivo de retratar a realidade da região. "Eu não concordo com R$ 300 por mês, mas era o que acontecia lá antes do meu governo", disse.

Zema afirmou que o Vale do Jequitinhonha vivia um cenário de pobreza, em que muitos homens deixavam suas cidades para trabalhar em outros estados, enquanto as mulheres permaneciam na região.

O candidato também afirmou que, durante a gestão dele, o Vale do Jequitinhonha recebeu investimentos voltados à exploração de lítio, o que, segundo ele, impulsionou a geração de empregos e tornou a economia da região mais dinâmica.

Benefício fiscal à empresa da família Zema

O candidato do Novo foi questionado sobre o aumento das renúncias fiscais, de R$ 5,5 bilhões em 2019 para R$ 22 bilhões em 2025. A lista de beneficiados incluía a Eletrozema, empresa de sua família, com R$ 2 milhões em isenções. Isso aconteceu quando Zema era governador de Minas Gerais.

“O benefício é para o setor. A empresa da minha família tem e-commerce. Qualquer brasileiro, ou até estrangeiro, que montar um e-commerce em Minas Gerais terá esse benefício.”

Como governador, no entanto, Zema resisitiu a divulgar quais empresas seriam beneficiadas pela medida. Na entrevista desta quinta-feira (6), o candidato disse que essa divulgação colocaria Minas Gerais em desvantagem na disputa com outros estados.

“É um segredo industrial, sim. Se todos os estados publicassem, eu publicaria com a maior boa vontade, mas poucos publicaram. Você vai dar publicidade para algo que ajuda o Estado a atrair investimentos para que outros tenham acesso. Se todos estivessem utilizando a mesma regra do jogo, ótimo.”

Em relação às fraudes em licenciamentos ambientais investigadas durante a gestão dele em Minas, Zema foi questionado sobre a permanência de dirigentes de órgãos estaduais nos cargos, mesmo depois de a Controladoria-Geral do Estado levantar suspeitas.

Zema afirmou que ainda não havia elementos concretos para afastá-los. “Enquanto a investigação está em andamento e você não tem dados concretos, pela lei, você não pode fazer nada. Se não tivesse ocorrido essa operação, muito provavelmente a Controladoria-Geral do Estado, em mais algumas semanas, iria pegar esse peixe.”

Campanha eleitoral

Romeu Zema comparou a eleição de 2026 à de 2018. “Em 2018, foi a eleição da antipolítica. Neste ano, parece que teremos a eleição antissistema, da indignação com tudo isso que está acontecendo.”

Questionado sobre aparecer com 2% das intenções de voto na pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (5) e sobre o baixo desempenho entre os eleitores em Minas Gerais, Zema atribuiu isso ao fato de a campanha ainda estar no início.

Romeu Zema (Novo) responde sobre desempenho nas pesquisas

Romeu Zema (Novo) responde sobre desempenho nas pesquisas

“Eleição é muito semelhante a ir a um restaurante. Você só abre o cardápio e olha para ele na hora que chega. Desconheço alguém que pede o cardápio com um ou dois meses de antecedência para ficar olhando a comida.”

O político afirmou que viveu situação semelhante na disputa pelo governo do estado em 2018. "Se dependesse de pesquisa, eu nunca teria sido eleito governador em 2018. Até o último dia antes da eleição, eu estava lá atrás", afirmou.

Zema disse que está entre os candidatos com menor rejeição. Segundo ele, esse indicador pode favorecer sua candidatura ao longo da campanha. Ele ainda destacou que tem percorrido o país para apresentar propostas e destacou o histórico de sua gestão em Minas Gerais.

Renan Santos

Zema foi questionado sobre o candidato do Missão a presidente, Renan Santos, aparecer à frente dele nas pesquisas de intenção de voto. O candidato do Novo afirmou que o adversário tem um discurso direcionado aos jovens, mas avaliou que a candidatura de Renan possui alcance limitado.

“O candidato Renan, pelo que eu acompanho, tem um discurso para os jovens. É algo que tem um nicho e que, na minha opinião, tem um teto baixo também. É aquele nicho e vai ser aquilo”, disse.

Eduardo Girão como vice

Questionado sobre a demora para anunciar o senador Eduardo Girão, do mesmo partido, como candidato a vice-presidente, Zema afirmou que a chapa pura foi uma escolha, e não consequência da dificuldade para formar alianças.

Romeu Zema (Novo) responde sobre escolha do vice

Romeu Zema (Novo) responde sobre escolha do vice

“Todo mundo espera até o último dia. Nós optamos por uma chapa pura. Não foi o que sobrou, foi opção. Há um mês eu tenho falado que nós estávamos considerando as opções internas e também externas”, declarou.

Ao explicar o que Girão acrescenta à candidatura, Zema destacou a origem e a atuação política do senador. “Ele é de outro estado, é de outra região. Ele tem um histórico de senador que bate muito com essa questão dos intocáveis. É um dos que mais criticam essas aberrações lá de Brasília.”

Zema também afirmou que procurava um vice sem vínculos que limitassem suas críticas. “Eu sempre falei: quero ter ao meu lado alguém que possa criticar sem ter o que temer. Não tem filho envolvido em nada, é ficha limpa. É isso que eu quero: liberdade para mostrar essas aberrações que estão acontecendo.”

Eleições para o governo de MG

Romeu Zema afirmou que já considerava que o senador Cleitinho (Republicanos) deixaria de concorrer ao governo de Minas Gerais neste ano, mesmo o senador aparecendo como o líder das pesquisas.

Romeu Zema (Novo) responde sobre palanque em MG

Romeu Zema (Novo) responde sobre palanque em MG

"Não [se surpreendeu]. Eu já mais ou menos previa e vi que alguma coisa ia mudar, devido principalmente ao senador Cleitinho. Desde o início, eu dizia que não acreditava que ele iria concretizar a candidatura dele. Então, eu já previa", disse Zema.

Nas últimas semanas, o parlamentar e o diretório do Republicamos em MG divergiram sobre a candidatura. Enquanto Cleitinho afirmava que iria concorrer, o partido dizia o contrário.

"Com o imbróglio que se surgiu lá, os partidos ficaram meio soltos, isso eu não previa não. E o Mateus Simões, que é o atual governador, mostrou que é capaz de fazer uma boa composição", afirma, ao tratar de seu vice, que assumiu o estado e concorrerá pelo PSD.

Questionado se teme ficar sem palanque em Minas pelo fato de Simões ser do mesmo partido do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), disse que não.

Entrevistas com outros presidenciáveis

A entrevista de Romeu Zema faz parte de uma série realizada com os candidatos. Foram convidados os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada no dia 24 de julho.

O primeiro entrevistado foi Renan Santos, do Missão, nesta quarta-feira (5). O presidente Lula, que havia sido sorteado para a terça-feira (4), decidiu não participar.

Um sorteio realizado no dia 27 de julho, com a participação de representantes das campanhas, definiu a seguinte ordem:

  • terça-feira (4): Lula (PT) – a assessoria do presidente informou que ele não compareceria.
  • quarta-feira (5): Renan Santos (Missão) – participou nesta quarta (5).
  • quinta-feira (6): Romeu Zema (Novo) – confirmou presença.
  • sexta-feira (7): Ronaldo Caiado (PSD) – confirmou presença.
  • segunda-feira (10): Flávio Bolsonaro (PL) – ainda não confirmou presença.

Agora no g1

Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos — Foto: Ricardo Stuckert, Raul Spinassé, Cristiano Borges, Karoline Barreto e Reprodução

Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos — Foto: Ricardo Stuckert, Raul Spinassé, Cristiano Borges, Karoline Barreto e Reprodução