Política

WELLINGTON PERDE A TROPA: Flávia pede voto para Pivetta e racha no PL explode em MT

Prefeita de Várzea Grande vai às ruas, declara “Pivetta 10” e amplia grupo de gestores do PL que desafiam candidatura de Wellington Fagundes ao Governo

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 31/08/2026
WELLINGTON PERDE A TROPA: Flávia pede voto para Pivetta e racha no PL explode em MT
A declaração, feita durante agenda no município e divulgada nas redes sociais na noite de domingo (30), transforma em campanha aberta uma divisão que vinha crescendo dentro da legenda | Assessoria

O racha dentro do PL de Mato Grosso ganhou seu capítulo mais explícito. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), foi às ruas ao lado do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e pediu abertamente votos para o adversário de Wellington Fagundes, candidato ao Governo pelo próprio partido da prefeita.

A declaração, feita durante agenda no município e divulgada nas redes sociais na noite de domingo (30), transforma em campanha aberta uma divisão que vinha crescendo dentro da legenda.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávia aparece conversando com um morador e deixa sua escolha eleitoral cristalina.

“Com você quero ser como você, quero trabalhar com você, trilhar o caminho com você (...) independente de partido, independente de ações, independente de tudo. Votar no Pivetta 10”, declarou.

A cena é politicamente simbólica: uma prefeita eleita pelo PL, administrando uma das maiores cidades de Mato Grosso, aparece nas ruas pedindo voto justamente para o principal adversário do candidato de sua própria legenda.

Wellington perde a tropa

Flávia não é um caso isolado.

A prefeita engrossa um movimento de gestores ligados ao PL que decidiram caminhar com Pivetta, apesar da candidatura de Wellington ao Palácio Paiaguás.

Entre os nomes que já manifestaram apoio ao governador estão Cláudio Ferreira, de Rondonópolis; Edilson Antônio Piaia, de Campo Novo do Parecis; e Emerson Sabatine, de Itanhangá. Piaia chegou a deixar o PL após optar pelo apoio a Pivetta.

Sérgio Machnic, prefeito de Primavera do Leste, também aparece entre os gestores citados no movimento de dissidência dentro da legenda.

A dimensão política da crise aumenta quando se observa a força municipal conquistada pelo PL.

O partido elegeu 32 prefeitos em Mato Grosso.

Na própria convenção estadual que oficializou Wellington como candidato ao Governo, 18 dos 32 prefeitos não compareceram.

A ausência, por si só, não significa rompimento político. Entretanto, os apoios públicos que surgiram posteriormente mostram que a insatisfação deixou os bastidores e chegou às ruas.

E agora alcançou Várzea Grande.

Pivetta avança dentro do PL

O movimento acontece em um momento especialmente delicado para Wellington.

Pesquisa Quaest divulgada na última terça-feira (25) mostrou o senador com 27% das intenções de voto, contra 23% de Pivetta.

Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois aparecem em cenário de forte equilíbrio eleitoral.

Nesse contexto, o controle das estruturas municipais ganha importância ainda maior.

E Pivetta vem conseguindo algo potencialmente perigoso para o adversário: conquistar prefeitos e lideranças pertencentes ao próprio partido de Wellington.

Na semana passada, a campanha do governador divulgou manifestações de apoio de 17 prefeitos. Onze pertenciam a partidos que não integram sua coligação.

Anteriormente, Pivetta recebeu uma carta de apoio assinada por 133 prefeitos, número equivalente a quase 94% dos gestores municipais de Mato Grosso.

Várzea Grande com Pivetta

A adesão de Flávia possui peso especial porque envolve Várzea Grande, um dos principais colégios eleitorais do Estado.

Ao justificar sua escolha, a prefeita relacionou diretamente seu apoio à atuação administrativa do Governo no município.

Flávia citou atendimento às demandas do pronto-socorro e da Secretaria Municipal de Saúde, obras de infraestrutura e recapeamento realizadas com participação da Sinfra, além da parceria para enfrentar o histórico problema do abastecimento de água.

“Mostrei os problemas e o senhor atendeu de pronto”, afirmou.

Segundo a prefeita, Pivetta “abraçou Várzea Grande”.

O governador tenta transformar justamente essa relação administrativa construída com as prefeituras em força política para sua reeleição.

E Abílio?

Se Várzea Grande já tem uma prefeita do PL fazendo campanha aberta para Pivetta, em Cuiabá a situação também desperta atenção.

O prefeito Abílio Brunini (PL) mantém formalmente seu apoio a Wellington, mas preserva uma relação política e pessoal próxima com Pivetta.

Abílio já afirmou que seguiria a orientação partidária e votaria em Wellington, mas também declarou que continuaria “torcendo” por Pivetta e que o partido deveria respeitar sua amizade com o governador.

A proximidade ganhou exposição pública recentemente, quando Pivetta e Abílio cumpriram agenda juntos em Cuiabá.

O prefeito também elogiou experiências administrativas implantadas por Pivetta quando comandava Lucas do Rio Verde e afirmou que parte desse modelo vem sendo reproduzida na Capital.

Assim, Wellington enfrenta uma situação incomum em dois dos maiores centros eleitorais do Estado: em Várzea Grande, Flávia pede voto para Pivetta; em Cuiabá, Abílio permanece oficialmente com Wellington, mas mantém proximidade pública com o governador.

Em Rondonópolis, outro gigante eleitoral, Cláudio Ferreira também está entre os aliados de Pivetta.

PL tentou conter rebelião

A direção partidária já demonstrou preocupação com o movimento.

No início de agosto, comunicado assinado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e pelo presidente estadual, Ananias Filho, reafirmou Wellington como candidato oficial ao Governo e cobrou fidelidade das lideranças da legenda.

A orientação partidária, contudo, não impediu que novas adesões a Pivetta surgissem.

Wellington adotou publicamente uma postura menos rígida. No sábado (29), afirmou ser contrário à expulsão dos prefeitos que decidiram apoiar o governador e defendeu liberdade para as escolhas políticas dos integrantes da legenda.

A posição evita uma guerra aberta com os dissidentes, mas produz uma contradição eleitoral difícil de esconder: prefeitos eleitos pelo PL estão trabalhando pela reeleição do adversário do candidato do próprio PL.

De rachadura a campanha aberta

O episódio envolvendo Flávia muda o patamar da crise.

Já não se trata apenas de ausência em convenção, insatisfação interna ou conversas de bastidores.

A prefeita foi às ruas e disse claramente: “Pivetta 10”.

Com a eleição equilibrada e Pivetta avançando sobre prefeitos de diferentes partidos, Wellington passa a enfrentar uma pergunta que deverá acompanhar sua campanha nas próximas semanas:

dos 32 prefeitos eleitos pelo PL, quantos estarão efetivamente nas ruas pedindo votos para Wellington?

A declaração de Flávia mostra que, pelo menos em Várzea Grande, uma parte importante da tropa do PL já escolheu outro comandante para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.