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Delegações de Rússia e Ucrânia têm nova reunião; tropas russas se posicionam perto de Kiev

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 03/03/2022
No oitavo dia de guerra, negociadores de Rússia e Ucrânia se encontram nesta quinta-feira (3), pela segunda vez, para discutir condições e termos dos dois países no conflito — assista acima ao vivo a cobertura especial da CNN. Segundo um dos negociadores da Ucrânia, Davyd Arakhamia, Kiev planeja discutir a viabilidade de corredores humanitários — que não seriam alvos de ataques russos e servem para a passagem de refugiados e recursos — antes de qualquer outra questão. Nas redes sociais, um dos negociadores ucranianos, Mykhailo Podoliyak, afirmou que as conversas haviam começado por volta de 11h50 (horário de Brasília). Entre as prioridades, além dos corredores humanitários, estão o “cessar-fogo imediato” e o armistício. A primeira conversa entre as delegações após o início dos ataques ocorreu na segunda-feira (28) e teve duração de cinco horas, mas terminou sem um avanço. Na terça-feira (1º), o presidente Volodymyr Zelensky disse que a Rússia deveria parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que as negociações pudessem ocorrer. No meio tempo, os ataques continuam, assim como a proximidade das tropas russas da capital. Segundo o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os russos estão “parados” para um reagrupamento antes de uma possível invasão da capital, ou enfrentando desafios como falta de suprimentos ou resistência de civis. Os russos assumiram o controle de Kherson, uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes. O prefeito de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou na quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade.”

Destaques das últimas 24 horas

  • Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções contra a Rússia e diz “ter medo” de a Ucrânia “não existir mais”
  • Prefeito de Kherson indica que a cidade está sob controle russo
  • Rússia e Ucrânia têm 2ª rodada de negociações nesta quinta-feira (3)
  • Tribunal Internacional de Haia inicia investigações de possíveis crimes cometidos pela Rússia
  • Comitê Paralímpico Internacional decide banir atletas da Rússia e de Belarus da Paralímpiada de Inverno
  • Tropas russas se posicionam perto de Kiev para reagrupamento
  • O total de refugiados que deixaram a Ucrânia desde o início da guerra é de pelo menos 1 milhão, diz ONU

Zelensky: Tenho medo da Ucrânia não existir mais

Em uma entrevista coletiva na capital ucraniana, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções do ocidente contra a Rússia, mas pediu mais apoio à Ucrânia, especialmente em relação ao bloqueio do espaço aéreo, para ampliar respostas contra os ataques. O presidente também afirmou "ter medo" da Ucrânia "não existir mais" caso não haja uma solução diplomática para a crise, e também opinou que outros países anteriormente soviéticos podem ser os próximos alvos da política externa de Putin. “Nosso povo é muito especial. Não quero vê-lo destruído. Quero ver os ucranianos sobreviverem na História. Não quero que se tornem a lenda dos 300 como os espartanos. Quero paz”, declarou.
Para Zelensky, o objetivo de Putin é "colocar uma nação de joelhos". Segundo ele, tropas russas estão impedindo cidadãos de saírem de Kherson recentemente dominada, e as cidades estão ficando sem acesso à energia, comida e suprimentos a fim de estimular que ucranianos migrem para a Rússia. Em seu último vídeo no Facebook, Zelensky afirmou que a Ucrânia não tem "nada a perder além de nossa própria liberdade”, acrescentando que o país está recebendo suprimentos diários de armas de seus aliados internacionais.

Putin a Macron: Rússia atingirá seus objetivos na Ucrânia

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou (24.fev.2022) / REUTERS
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira a seu colega francês Emmanuel Macron que os objetivos da operação da Rússia na Ucrânia -- sua desmilitarização e status neutro -- serão alcançados de qualquer forma, segundo informou o Kremlin. Putin disse que qualquer tentativa de Kiev de adiar as negociações resultaria em Moscou adicionando mais itens à sua lista de demandas. O presidente francês também teve conversas com Volodymyr Zelensky, da Ucrânia.

1 milhão de refugiados deixaram a Ucrânia

Cerca de 1 milhão de refugiados fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, em um tweet na noite de quarta-feira. “Em apenas sete dias, testemunhamos o êxodo de 1 milhão de refugiados da Ucrânia para países vizinhos”, disse Grandi. “Para muitos outros milhões, dentro da Ucrânia, é hora de silenciar as armas, para que a assistência humanitária que salva vidas possa ser fornecida”, acrescentou.