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Por que Polônia vai dar treinamento militar para todos os homens adultos do país

A Polônia tem cerca de 200 mil e quer chegar a 500 mil, incluindo reservistas

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM BBC 07/03/2025
Por que Polônia vai dar treinamento militar para todos os homens adultos do país
Hoje com cerca de 200 mil soldados, Polônia quer chegar a 500 mil deles e aumentar percentual do PIB dedicado à defesa | Getty Imagens

Polônia está trabalhando para que todos os homens do país passem por treinamento militar, disse o primeiro-ministro Donald Tusk.

Discursando ao parlamento, Tusk afirmou que o governo pretende dar mais detalhes sobre o plano nos próximos meses.

Segundo o primeiro-ministro, as mulheres também podem passar por treinamento militar, mas "a guerra ainda é, em grande medida, de domínio dos homens".

"Tentaremos ter um modelo pronto até o final deste ano para que cada homem adulto na Polônia seja treinado em caso de guerra, para que essa reserva seja comparável e adequada às ameaças potenciais", disse o primeiro-ministro.

De acordo com ele, o exército ucraniano tem 800 mil soldados, enquanto a Rússia tem cerca de 1,3 milhão.

Já a Polônia tem cerca de 200 mil e quer chegar a 500 mil, incluindo reservistas.

"Estamos falando sobre a necessidade de ter um exército de meio milhão na Polônia, incluindo os reservistas", disse ele.

"Parece que, se organizarmos as coisas com sabedoria, e estou falando constantemente com o ministro da Defesa, teremos que usar várias linhas de ação. Isso significa [ter] os reservistas, mas também treinamento intensivo para tornar aqueles que não vão para o Exército soldados completos e competentes durante um conflito", acrescentou.

O primeiro-ministro polonês disse que seu governo também está "analisando cuidadosamente" a proposta da França de incluir a Europa sob seu guarda-chuva nuclear.

"Gostaria de saber antes de tudo em detalhes o que isso significa em termos de autoridade sobre essas armas", colocou.

Tusk destacou que a Ucrânia foi invadida pela Rússia depois que se livrou de seu próprio arsenal nuclear — acrescentando que Polônia gostaria de adquirir suas próprias armas nucleares, por mais remota que seja essa possibilidade.

"Hoje, está claro que estaríamos mais seguros se tivéssemos nosso próprio arsenal nuclear. Isso é inquestionável. De toda forma, o caminho para isso seria muito longo e também teria que haver um consenso", afirmou.

Há uma ansiedade crescente entre os poloneses sobre sua segurança futura após a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender ajuda militar à Ucrânia.

A maioria dos poloneses acredita que apoiar a Ucrânia é do seu próprio interesse em termos de segurança.

Donald Tusk em pé, rodeado por microfones da imprensa, com olhar compenetrado

Crédito,Reuters

Legenda da foto,'Hoje, está claro que estaríamos mais seguros se tivéssemos nosso próprio arsenal nuclear. Isso é inquestionável', argumentou o primeiro-ministro polonês

Mirosław Kaznowski, vice-prefeito de Milanówek, uma pequena cidade nos arredores de Varsóvia, disse à BBC News esta semana que um amigo dele decidiu investir em uma start-up para construir abrigos subterrâneos de baixo custo contra bombas.

O amigo relatou que o interesse no serviço está alto.

A Polônia está planejando gastar 4,7% de sua produto interno bruto (PIB) em defesa este ano, a maior proporção na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Tusk disse ao parlamento que os gastos devem aumentar para 5% do PIB.

Antes, o presidente Andrzej Duda havia proposto uma emenda à Constituição para tornar obrigatórios os gastos com defesa em um nível de 4% do PIB

O primeiro-ministro também disse que apoia a retirada da Polônia da convenção de Ottawa, que proíbe o uso de minas antipessoal, e também possivelmente da convenção de Dublin, que proíbe o uso de munições de fragmentação.

A Polônia aumentou os gastos com defesa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

O país assinou com os Estados Unidos contratos referentes a armas no valor de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 115 bilhões), adquirindo 250 tanques de batalha M1A2 Abrams, 32 jatos F-35, 96 helicópteros Apache, mísseis Javelin e sistemas de foguetes de artilharia.

Varsóvia também assinou contratos com a Coreia do Sul para comprar tanques K2 e aeronaves leves de combate FA-50.