Mundo
Irã vai executar nesta quarta (14) manifestante preso, diz grupo
Organização de direitos humanos Hengaw afirmou que homem de 26 anos foi preso em conexão com protestos na cidade de Karaj
A Hengaw, uma organização iraniana de direitos humanos curda, informou que Erfan Soltani, de 26 anos, que foi preso em conexão com protestos na cidade de Karaj, será executado nesta quarta-feira (14).
Ainda de acordo com a Hengaw, que citou uma fonte próxima à família de Soltani, as autoridades disseram aos familiares que a sentença de morte era definitiva.
"O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumentou as preocupações sobre o uso da pena de morte como instrumento para reprimir protestos públicos", disse o grupo.
A agência de notícias Reuters não pôde confirmar a informação de forma independente. A mídia estatal não noticiou nenhuma sentença de morte até o momento.
Leia também
GROENLÂNDIA Médicos iranianos descrevem hospitais sobrecarregados enquanto os protestos continuam IRÃ Regime iraniano reprime nova onda de protestos; mais de 2.300 são presos IRÃ Sobe para 192 número de mortos em protestos no Irã; nível de confronto com manifestantes 'se intensificou', diz polícia IRÃ Manifestantes desafiam a repressão enquanto o Irã avisa que retaliará caso os EUA ataquem IRÃ Número de mortos em protestos do Irã passa de 400, diz grupo de ativistas IRÃ Irã x EUA: Saiba o que pode ser discutido em uma negociação entre os países IRÃ Trump anuncia tarifas de 25% para países que negociarem com IrãEntenda os protestos no Irã
Protestos antigoverno no Irã eclodiram no país no final de dezembro, em uma onda de agitação nacional que representa o maior desafio ao regime em anos.
Os protestos começaram como manifestações nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada, mas se espalharam pelo país e se transformaram em manifestações mais gerais contra o regime.
As preocupações com a inflação atingiram o auge na semana passada, quando os preços de produtos básicos como óleo de cozinha e frango dispararam dramaticamente da noite para o dia, com alguns produtos desaparecendo completamente das prateleiras.
A situação foi agravada pela decisão do banco central de encerrar um programa que permitia a alguns importadores acessar dólares americanos mais baratos em comparação ao restante do mercado – o que levou lojistas a aumentarem os preços e alguns a fecharem suas portas, iniciando os protestos.
A decisão dos bazaaris, como são conhecidos, é uma medida drástica para um grupo tradicionalmente alinhado à República Islâmica.
O governo liderado por reformistas tentou aliviar a pressão ao oferecer transferências diretas de quase US$ 7 por mês, mas a medida não conseguiu conter a insatisfação.
As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) – a maior noite de manifestações nacionais até agora – deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos disseram que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã se as forças de segurança responderem com força. O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu a Trump que "foque em seu próprio país" e culpou os EUA por incitarem os protestos.