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Irã rejeita participar de segunda rodada de negociações com os EUA, diz agência estatal
Conversas estavam previstas para começar no Paquistão na segunda-feira (20). Teerã acusa o governo norte-americano de fazer exigências 'excessivas' e violar cessar-fogo
O Irã rejeitou participar de uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, informou a agência estatal Irna neste domingo (19). As conversas estavam previstas para começar no Paquistão na segunda-feira (20).
As declarações foram feitas a três dias do fim do prazo do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. A trégua começou em 7 de abril e está prevista para durar até quarta-feira (22).
Segundo a Irna, os Estados Unidos estão fazendo "exigências excessivas", além de demandas "irracionais e pouco realistas". Teerã também acusou o governo norte-americano de dar declarações contraditórias e de violar o cessar-fogo.
"Nessas condições, não se vislumbra um cenário claro para negociações bem-sucedidas", disse.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma delegação americana deve desembarcar na segunda-feira no Paquistão para uma nova rodada de negociações com o Irã. Ele também fez novas ameaças ao país.
“Estamos oferecendo um ACORDO muito justo e razoável, e espero que eles aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, escreveu nas redes sociais. “CHEGA DE FAZER O BONZINHO!”
O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse nos últimos dias que os dois países fizeram progressos, mas ainda estavam distantes em relação a questões nucleares e ao Estreito de Ormuz.
Por outro lado, em entrevista à AFP na sexta-feira (17), Trump declarou que não restam mais "pontos conflitantes" com o Irã e que um acordo estava próximo.
"Estamos muito perto. Parece que vai ser algo muito bom para todos. E estamos muito perto de fechar um acordo", disse. "As coisas vão muito bem."
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Pessoas caminham perto de uma propaganda anti-EUA em um prédio em Teerã — Foto: REUTERS/Thaier Al-Sudani
O Irã anunciou na sexta-feira (17) a reabertura total do Estreito de Ormuz. Um dia depois, no entanto, retrocedeu e disse ter fechado a rota por causa de um bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos.
No sábado (18), a Guarda Revolucionária do Irã atirou contra dois petroleiros indianos que transitavam pela via. A ação foi criticada por Trump nas redes sociais.
“O Irã decidiu disparar tiros ontem no Estreito de Ormuz — uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo!”, escreveu Trump em publicação na manhã de domingo. “Isso não foi nada legal, foi?”
Ainda neste domingo, dois navios-tanque de gás liquefeito foram vistos em sites de monitoramento marítimo seguindo em direção ao estreito. A agência semi-oficial Tasnim informou que as forças armadas do Irã os obrigaram a recuar.