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Rubio diz que a América é cheia de amigos e aliados dos EUA, mas deixa Brasil de fora
Secretário de Estado dos EUA presta depoimento nesta terça (2) ao Congresso americano. Ele também falou sobre a guerra no Oriente Médio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, defendeu nesta terça-feira (2) a política externa do governo dos EUA para o Hemisfério Ocidental — executada pelo Departamento de Estado.
Como exemplo, Rubio citou uma onda de "coalizão de países amigos" no continente americano. Mas colocou o Brasil na lista de exceções de aliados.
"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", afirmou Rubio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Rubio nesta terça (2), ao comentar o relatório norte-americano que propõe sobretaxa de 25% a produtos brasileiros.
"Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião", afirmou Lula, em referência ao encontro que teve com Trump no início de maio.
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Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em coletiva de imprensa na Casa Branca nesta terça-feira (5) — Foto: REUTERS/Evan Vucci
Negociações com o Irã
Durante a sabatina, Rubio também falou sobre a guerra no Oriente Médio e negou que as negociações de paz com o Irã tenham sido interrompidas, após Teerã afirmar ter cortado as conversas em retaliação a ataques de Israel no Líbano.
O secretário de Estado afirmou ainda que o governo iraniano concordou em discutir aspectos de seu programa nuclear, o grande ponto de discordância entre os dois lados.
"As conversas continuam", disse Rubio a deputados na sessão, a primeira do secretário de Estado no Congresso norte-americano desde o início da guerra no Oriente Médio.
Nesta terça, no entanto, fontes do governo iraniano disseram à agência de notícias Fars News, que negociadores iranianos e norte-americanos não se falam "há dias". O rompimento iraniano é uma reação a ataques que Israel tem feito em território libanês nos últimos dias, comprometendo o já frágil cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã.
O cessar-fogo e a busca por um acordo definitivo devem ser um dos principais questionamentos do deputados e senadores a Rubio ao longo do dia. A audiência do secretário de Estado seguia em andamento até a última atualização desta reportagem.
Rubio, que é ex-senador republicano, também participará de outra audiência no Senado na quarta-feira (3).
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Embora esta seja a primeira vez que Rubio depõe perante o Congresso desde o início da guerra, Marco Rubio já havia participado de uma reunião sigilosa com parlamentares poucos dias após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Na ocasião, enfrentou críticas de democratas pela falta de autorização prévia do Congresso para a operação, mas recebeu forte apoio da maioria dos republicanos.
Nos dois meses desde o início do conflito, porém, um grupo pequeno, mas crescente, de republicanos passou a se unir aos democratas para questionar o custo bilionário da guerra e seus impactos econômicos, especialmente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o segundo semestre.
No mês passado, o Senado avançou, pela primeira vez, uma proposta legislativa que obrigaria Trump a retirar os Estados Unidos do conflito. A medida ganhou força após o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, apoiar a iniciativa dos democratas.
A Câmara dos Deputados dos EUA também chegou a programar uma votação sobre uma resolução relacionada aos poderes de guerra do presidente, mas a liderança republicana impediu que a proposta chegasse ao plenário ao perceber que não teria votos suficientes para derrotá-la.
Os episódios evidenciam as dificuldades do Partido Republicano para manter apoio político à condução da guerra por Trump, à medida que parlamentares da base se mostram mais dispostos a contrariar o presidente.
👉 Já integrantes do governo, incluindo Rubio, têm defendido a decisão de Trump de ter iniciado a guerra contra o Irã, apesar das promessas feitas ao longo dos anos de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em "guerras sem fim" no Oriente Médio.
