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Ainda não está claro se intervenções de Trump vão ajudar ou atrapalhar Flávio Bolsonaro, diz New York Times

O periódico, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos, reconta tudo o que aconteceu em maio na relação entre Washington e Brasília

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM BBC 04/06/2026
Ainda não está claro se intervenções de Trump vão ajudar ou atrapalhar Flávio Bolsonaro, diz New York Times
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27) | Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro

O jornal The New York Times publicou na quarta-feira (03) uma reportagem sobre os novos movimentos do presidente americano Donald Trump em relação ao Brasil e sua relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O texto conclui que ainda não está claro se as possíveis intervenções do republicano contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) podem ajudar ou prejudicar a candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições marcadas para outubro.

O periódico, um dos mais tradicionais dos Estados Unidos, reconta tudo o que aconteceu em maio na relação entre Washington e Brasília, com as visitas que Trump recebeu tanto de Lula, no início do mêsquanto de Flávio, já às vésperas de junho.

Dias após a reunião com Flávio, o republicano anunciou que classificará o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais.

A medida entra em vigor na sexta-feira (05/06), mas ainda é incerto quais impactos ela terá sobre o Brasil. Professores de relações internacionais ouvidos pela BBC News Brasil apontam que ela abre possibilidades que vão desde intervenções militares, algo que consideram improvável, até sanções financeiras a bancos brasileiros, o que veem como algo mais possível.

Governo Trump parece dividido em relação ao Brasil, diz jornal

O texto do New York Times afirma que o encontro de Flávio com Trump "durou apenas alguns minutos, mas foi suficiente para demolir meses de esforços feitos para remendar os laços entre o Brasil e os Estados Unidos".

Segundo a reportagem, esses esforços partiram de ambos os lados, o que, na avaliação de um especialista ouvido pelo jornal, sugere que o governo republicano está dividido sobre como deve conduzir sua relação com o Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aperta a mão do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante um encontro na Casa Branca. Ambos sorriem para a câmera em um ambiente interno, com quadros dourados e outras pessoas desfocadas ao fundo.

Crédito,Ricardo Stuckert/Divulgação

Legenda da foto,O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington

Uma ala da administração americana "considera o Brasil um parceiro fundamental nos esforços dos EUA para conter a influência econômica da China no Hemisfério Ocidental, mas há outro grupo que acredita que a ideologia deve ser a prioridade".

A análise é atribuída a Oliver Stuenkel, especialista em relações internacionais e professor associado da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Diante da possibilidade de um novo tarifaço contra o Brasil, após os Estados Unidos concluírem uma investigação comercial e apontarem práticas que consideram desleais, a reportagem observa que as tarifas impostas no ano passado sobre produtos brasileiros não foram suficientes para evitar a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — e podem tanto beneficiar quanto prejudicar seu filho em uma futura disputa eleitoral."Desta vez, é igualmente incerto se novas intervenções dos Estados Unidos poderão, em última análise, ajudar ou prejudicar a candidatura de Flávio. No entanto, a possibilidade de novas tarifas americanas pode trazer custos políticos para ele", diz trecho da reportagem.