Política
Pivetta acende alerta no Palácio e precisa mudar urgentemente sua estratégia de comunicação para 2026
Aliados admitem nos bastidores que governador ainda não conseguiu criar conexão popular nos maiores colégios eleitorais de Mato Grosso e precisará reinventar comunicação eleitoral
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, entra na corrida eleitoral de 2026 sustentado pela força da máquina estadual, pelo legado administrativo do grupo liderado por Mauro Mendes e pelo respaldo do agronegócio no interior do estado. Porém, apesar da estrutura política e administrativa, aliados já admitem nos bastidores que o principal desafio do governador será outro: comunicação e conexão popular.
A avaliação dentro do próprio grupo governista é de que Pivetta precisa promover uma mudança urgente na sua estratégia de marketing político se quiser crescer eleitoralmente nos maiores colégios eleitorais do estado, principalmente na Baixada Cuiabana.
Hoje, embora seja reconhecido como gestor técnico e eficiente, o governador ainda enfrenta dificuldades para se comunicar com o eleitorado urbano e popular de Cuiabá e Várzea Grande.
Nos bastidores, a percepção é de que Pivetta ainda transmite uma imagem excessivamente institucional, empresarial e ligada ao agronegócio, enquanto a disputa de 2026 tende a exigir presença popular, comunicação emocional e forte atuação digital.
E é justamente nesse ponto que entra um fator considerado decisivo dentro da estratégia eleitoral do Palácio Paiaguás: a relação política com os prefeitos das três principais cidades de Mato Grosso.
Em Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini é considerado peça-chave no cenário eleitoral. Apesar de integrar o PL, partido do senador Wellington Fagundes — possível adversário direto de Pivetta —, Abilio possui forte influência popular, grande alcance nas redes sociais e comunicação direta com setores conservadores e urbanos da capital.
Em Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti também aparece como liderança estratégica. A cidade possui um dos maiores eleitorados do estado e historicamente exerce peso decisivo em eleições estaduais.
Já em Rondonópolis, terceiro maior colégio eleitoral de Mato Grosso, o prefeito Cláudio Ferreira é visto como peça importante na articulação política do Sul do estado.
Os três prefeitos pertencem ao PL, mesma legenda de Wellington Fagundes, o que aumenta ainda mais a importância das articulações políticas de Pivetta nos bastidores.
Aliados do governador avaliam que manter pontes abertas e evitar enfrentamentos políticos com esses gestores será fundamental para ampliar competitividade eleitoral nos grandes centros urbanos.
Hoje, dentro do próprio grupo governista, já existe o entendimento de que apenas obras e números não serão suficientes para eleger Pivetta em 2026.
Além disso, interlocutores políticos reconhecem que Wellington Fagundes larga com vantagem justamente em um dos setores onde Pivetta ainda encontra maior dificuldade: comunicação popular e identificação emocional com o eleitor.
Enquanto Wellington mantém perfil mais popular, presença constante em agendas urbanas e discurso mais simples, Pivetta ainda é percebido como um político mais técnico e menos acessível.
Por isso, cresce dentro do núcleo governista a avaliação de que o governador precisará passar por uma verdadeira reformulação estratégica na área de comunicação e marketing político.
Entre os pontos considerados prioritários por aliados estão: humanizar mais a imagem do governador, ampliar presença em bairros populares, intensificar agendas na Baixada Cuiabana, melhorar comunicação digital e redes sociais, reduzir excesso de linguagem técnica, aproximar-se de lideranças comunitárias, investir em marketing emocional e popular e aumentar presença espontânea junto à população.
Outro desafio silencioso será deixar de ser visto apenas como “o sucessor administrativo de Mauro Mendes” e construir identidade política própria.
Nos bastidores do Palácio Paiaguás, a leitura já começa a ser tratada como consenso: se quiser chegar competitivo em 2026, Otaviano Pivetta precisará urgentemente sair do perfil exclusivamente técnico e entrar de vez no jogo da comunicação política popular.