Política

Regra do STF põe Moraes e Mendonça lado a lado em meio à crise; entenda

Ordem dos assentos é definida pela antiguidade dos ministros; os dois dividiram a bancada nesta quarta (2), mas não conversaram

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 02/09/2026
Regra do STF põe Moraes e Mendonça lado a lado em meio à crise; entenda
A crise não foi mencionada por nenhum dos dez ministros que participaram da sessão desta quarta. Moraes e Mendonça também não falaram com a imprensa sobre o caso | Gustavo Moreno/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ficaram sentados lado a lado nesta quarta-feira (2), na primeira sessão do plenário desde a divulgação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato salvo no celular como Alexandre de Moraes .

A proximidade entre os dois na bancada não é uma escolha. A disposição dos ministros no plenário segue regra de antiguidade no cargo, calculada a partir da data de posse de cada integrante da Corte.

O presidente do STF ocupa o centro da bancada. Os demais ministros se distribuem alternadamente à direita e à esquerda, do mais antigo ao mais recente. Na composição atual do tribunal, essa ordem coloca lado a lado Moraes, que tomou posse em 2017, e Mendonça, que chegou ao Supremo em 2021.

  • Nesta quarta, os dois dividiram a bancada durante toda a sessão, mas não conversaram.

    A cena chamou atenção pelo momento de tensão entre os ministros. Na segunda-feira (31), Moraes e Mendonça tiveram uma conversa descrita por fontes da CNN como "direta, dura e ríspida", depois de o relator do caso Master informar que encaminharia à PGR (Procuradoria-Geral da República) o relatório da Polícia Federal com referências ao colega de Corte.

    No dia seguinte, Mendonça retirou o sigilo do material, tornando públicas mensagens e outros registros encontrados no celular de Vorcaro. Entre os trechos revelados estão conversas em que o ex-banqueiro afirma ter "gratidão da minha vida" a Moraes e pergunta, dias antes de ser preso, se deveria deixar o país diante da possibilidade de uma operação policial.

    A crise não foi mencionada por nenhum dos dez ministros que participaram da sessão desta quartaMoraes e Mendonça também não falaram com a imprensa sobre o caso.

    O presidente da Corte, Edson Fachin, abriu os trabalhos normalmente e priorizou processos com sustentações orais. Mais cedo, no entanto, ele havia classificado o momento como de "especial gravidade" e afirmado que medidas "cabíveis" seriam anunciadas nos próximos dias.