Política

Moraes rebate Mendonça sobre "PF paralela" e diz que alegação é "patética"

STF (Supremo Tribunal Federal) tem 4 votos a 2 para unir a análise dos casos que envolvem os ministros da Corte durante julgamento nesta terça-feira (15)

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 15/09/2026
Moraes rebate Mendonça sobre 'PF paralela' e diz que alegação é 'patética'
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rebateu as alegações do ministro André Mendonça sobre a existência de uma PF (Polícia Federal) "paralela" voltada ao monitoramento | Folha de S. Paulo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rebateu as alegações do ministro André Mendonça sobre a existência de uma PF (Polícia Federal) "paralela" voltada ao monitoramento de ministros da Corte.

Durante a sessão histórica do STF que ocorre nesta terça-feira (15), Mendonça votou para a separação da análise dos casos que envolvem ele [com relação ao relatório do caso Master] e Moraes [na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro].

"Sua Excelência, o ministro André Mendonça foi ministro da Justiça, assim como o ministro Flávio Dino. Ele sabe [...] que todas as polícias têm relatórios de inteligência que são oficiais. Não houve monitoramento algum. Com todo respeito, chega a ser patética essa alegação", rebateu Moraes após o voto de Mendonça.

Votação no plenário

O voto de Mendonça vai no mesmo sentido do que fez o presidente da Suprema Corte, ministro Edson Fachin. O placar é de 4x2.

No sentido oposto, pedindo que os casos sejam analisados em conjunto, votaram Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Os ministros votam uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O pedido prevê a junção dos casos, o adiamento da análise para o dia 23 de setembro e um novo sorteio da relatoria, atualmente sob a responsabilidade de Fachin.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.