Política

“ISSO NÃO É SER CRISTÃO!”: CIDINHO SANTOS RECONHECE VITÓRIA DE LULA, CONDENA ÓDIO POLÍTICO E DÁ RECADO AOS RADICAIS

Eleito primeiro suplente do senador Mauro Mendes, empresário e ex-senador de Mato Grosso surpreende ao repudiar boicotes contra eleitores de Lula, defender o respeito à democracia e afirmar que a solidariedade não pode depender de preferência partidária

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 07/11/2026
“ISSO NÃO É SER CRISTÃO!”: CIDINHO SANTOS RECONHECE VITÓRIA DE LULA, CONDENA ÓDIO POLÍTICO E DÁ RECADO AOS RADICAIS
Para Cidinho, transformar a derrota eleitoral em instrumento de vingança contra comerciantes, trabalhadores ou pessoas em situação de vulnerabilidade é incompatível com os princípios cristãos | Rede Social

Em meio ao radicalismo político que tomou conta das redes sociais após as eleições presidenciais de 2026, uma das vozes mais influentes do empresariado de Mato Grosso resolveu enfrentar a intolerância e mandar um recado contundente aos inconformados com o resultado das urnas.

O empresário e ex-senador José Aparecido dos Santos, o Cidinho Santos (PP), eleito primeiro suplente do senador Mauro Mendes, protagonizou uma manifestação que chamou atenção ao condenar retaliações políticas, reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defender a convivência democrática.

Para Cidinho, a disputa eleitoral terminou, a vontade popular precisa ser respeitada e o ódio não pode substituir a democracia.

UM RECADO DURO AOS RADICAIS

O empresário criticou manifestações de pessoas que passaram a defender boicotes contra estabelecimentos comerciais supostamente ligados a eleitores de Lula.

Também condenou propostas de suspender doações, abandonar ações beneficentes e deixar de ajudar famílias necessitadas por divergências políticas.

Para Cidinho, transformar a derrota eleitoral em instrumento de vingança contra comerciantes, trabalhadores ou pessoas em situação de vulnerabilidade é incompatível com os princípios cristãos.

“Isso, para mim, não é cristão”, declarou.

Ao comentar o resultado da eleição presidencial, o ex-senador ressaltou a importância de respeitar a decisão dos eleitores, independentemente das preferências partidárias.

O EMPRESÁRIO QUE CONHECE OS BASTIDORES DO PODER

Cidinho Santos não é um estreante na política mato-grossense.

Nascido em Janiópolis, no Paraná, em 1968, e radicado em Mato Grosso desde a década de 1980, construiu sua trajetória no setor empresarial e na vida pública.

Foi prefeito de Nova Marilândia por três mandatos, presidiu a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e chegou ao Senado Federal na condição de primeiro suplente de Blairo Maggi.

Assumiu o mandato em diferentes períodos, especialmente após Maggi deixar o Senado para comandar o Ministério da Agricultura no governo Michel Temer, em 2016.

Em 2026, voltou ao centro da política estadual ao integrar, como primeiro suplente, a chapa vencedora de Mauro Mendes ao Senado.

Com a vitória, Cidinho recuperou uma posição estratégica na política nacional, podendo voltar a exercer o mandato de senador nas hipóteses previstas em lei.

A FÉ NÃO PODE SER INSTRUMENTO DE VINGANÇA

Ao condenar a utilização da política como justificativa para interromper ações de solidariedade, Cidinho levou o debate para além das disputas partidárias.

Ajudar uma família necessitada, colaborar com uma instituição beneficente ou frequentar um estabelecimento comercial não deveria exigir concordância ideológica.

A fome não pergunta em quem alguém votou. A necessidade não distingue partidos. E a solidariedade perde seu sentido quando se transforma em instrumento de punição política.

A declaração de Cidinho ganha significado num ambiente marcado por conflitos ideológicos, ataques pessoais e tentativas de transformar adversários políticos em inimigos.

CIDINHO DÁ UMA LIÇÃO DE RESPEITO EM TEMPOS DE INTOLERÂNCIA

O posicionamento do empresário demonstra que é possível defender convicções políticas, discordar de um governo e, ao mesmo tempo, reconhecer a legitimidade do resultado eleitoral.

Também evidencia que divergências partidárias não precisam destruir relações sociais, comerciais e familiares.

Cidinho continua sendo um homem de negócios, uma liderança influente em Mato Grosso e o primeiro suplente do senador eleito Mauro Mendes. Mas sua manifestação ganhou destaque por um motivo que ultrapassa a disputa pelo poder: a defesa do respeito, da democracia e da solidariedade.

Em um Brasil profundamente dividido, a mensagem deixa duas perguntas inevitáveis: De que vale defender a democracia quando se vence e rejeitar a vontade popular quando se perde? E de que vale invocar a fé para justificar atitudes que negam o respeito ao próximo?