Polícia
OPERAÇÃO SECRETA NO TCE-MT: PF INFILTROU AGENTES DISFARÇADOS PARA RASTREAR SAQUES MILIONÁRIOS DENTRO DO TRIBUNAL
Policiais federais atuaram secretamente na agência bancária instalada na sede da Corte para investigar movimentações suspeitas de dinheiro vivo; vigilância integra as provas reunidas na Operação Tomada de Contas
A Polícia Federal realizou uma operação sigilosa dentro do próprio Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para investigar movimentações milionárias de dinheiro em espécie envolvendo pessoas ligadas à Presidência da instituição.
Agentes federais disfarçados entraram nas dependências do Tribunal utilizando uma história de cobertura e passaram a monitorar discretamente a agência do Sicoob instalada no complexo da Corte, em Cuiabá.
A diligência aconteceu em 14 de outubro de 2025 e integra os elementos da investigação que culminou na Operação Tomada de Contas, deflagrada em 29 de outubro de 2026.
Os detalhes foram divulgados pela imprensa com base em documentos da Polícia Federal encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Na manhã da operação, agentes federais se posicionaram na sala de espera da agência bancária para observar a circulação de pessoas e possíveis retiradas de grandes quantias de dinheiro.
Durante a vigilância, os investigadores observaram um homem com características físicas semelhantes às do servidor Adriangelo Barros Antunes, apontado como pessoa próxima ao presidente Sérgio Ricardo de Almeida.
Segundo o relatório policial divulgado pela imprensa, o homem entrou na agência carregando uma bolsa aparentemente vazia.
Pouco depois, Roseli Loss, então chefe de gabinete do presidente do TCE-MT, também esteve no estabelecimento.
Ao deixar a agência, o homem observado carregava a bolsa aparentemente mais volumosa.
A movimentação despertou a atenção dos policiais, embora a aparência da bolsa, isoladamente, não comprove seu conteúdo.
A diligência presencial foi interrompida após policiais serem reconhecidos e abordados pela segurança interna do Tribunal.
O episódio foi registrado nos documentos da investigação e posteriormente mencionado na cobertura da decisão do ministro Og Fernandes, do STJ.
Segundo os relatos divulgados, após aquela diligência houve uma redução temporária dos grandes saques em espécie identificados pelos investigadores.
A Polícia Federal considerou a mudança relevante para compreender o comportamento financeiro das pessoas monitoradas.
O fato, entretanto, não demonstra por si só que os investigados tenham recebido informações sobre a diligência ou deliberadamente tentado impedir a produção de provas.
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Conforme reportagens baseadas no inquérito, a PF examinou 60 arquivos de vídeo referentes ao período de setembro a novembro de 2025.
O cruzamento das imagens com registros bancários permitiu aos investigadores identificar dez episódios de saques que, segundo a apuração, totalizaram aproximadamente R$ 3,52 milhões.
Em uma análise financeira mais ampla, a Polícia Federal identificou 150 saques em dinheiro vivo, somando cerca de R$ 15,6 milhões, em movimentações relacionadas às contas do presidente Sérgio Ricardo.
Os investigadores procuram esclarecer a origem, a legalidade e a destinação desses recursos, além de eventual participação de outros agentes públicos e particulares.
A vigilância realizada em outubro de 2025 foi uma das diligências que antecederam a ofensiva policial deflagrada em 29 de outubro de 2026.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em três estados.
As investigações envolvem suspeitas de irregularidades em contratos administrativos, pagamentos a servidores, movimentações bancárias atípicas e retiradas recorrentes de dinheiro em espécie.
Entre os possíveis enquadramentos penais estão crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa, conforme as condutas que venham a ser comprovadas.
A presença secreta de agentes da Polícia Federal nas dependências do TCE-MT revela a dimensão alcançada pela investigação antes mesmo da deflagração da operação.
A instituição encarregada de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos passou a ter seus próprios pagamentos e movimentações financeiras examinados por autoridades federais.
A questão central agora é esclarecer a origem dos milhões movimentados, quem autorizou os pagamentos e qual foi a destinação efetiva dos recursos.
O material reunido pela Polícia Federal será fundamental para a análise das responsabilidades individuais.
As investigações ainda estão em andamento. As movimentações financeiras apontadas e as prisões preventivas não representam condenação definitiva, sendo assegurados aos envolvidos a presunção de inocência e o direito de defesa.