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CÂMERAS FLAGRAM SAQUES MILIONÁRIOS NO TCE: PF REVELA 150 RETIRADAS DE R$ 15,6 MILHÕES DAS CONTAS DE SÉRGIO RICARDO

Imagens mostram servidores e pessoas de confiança do presidente preso movimentando pacotes de dinheiro na boca do caixa; investigação aponta saques de até R$ 500 mil e uma verdadeira operação financeira dentro do Tribunal de Contas de MT

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 30/10/2026
CÂMERAS FLAGRAM SAQUES MILIONÁRIOS NO TCE: PF REVELA 150 RETIRADAS DE R$ 15,6 MILHÕES DAS CONTAS DE SÉRGIO RICARDO
Imagens mostram o servidor Adriangelo Antunes o o Conselheiro Sérgio Ricardo sacando dinheiro da boca do caixa em Banco no TCE | PF-MT/Com Gazeta Digital

A Polícia Federal revelou detalhes de imagens de câmeras de segurança que registraram saques milionários realizados por servidores e pessoas próximas ao presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, preso na quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas. As gravações, feitas na agência do Sicoob instalada nas dependências da própria Corte, são consideradas provas importantes da investigação sobre um suposto esquema de corrupção, pagamentos irregulares e lavagem de dinheiro.

O levantamento da PF identificou nada menos que 150 saques em dinheiro vivo, totalizando R$ 15.645.500,00, em contas bancárias de Sérgio Ricardo. Desse total, 64 retiradas, que somaram R$ 15.474.500,00, ocorreram diretamente na boca do caixa. Outras 86 foram realizadas em terminais de autoatendimento.

Os números constam na decisão de 28 páginas do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou a prisão preventiva do conselheiro e de outros cinco investigados. A documentação revela uma movimentação financeira considerada incompatível com os rendimentos oficialmente divulgados pelo Tribunal.

As câmeras de segurança registraram operações que chamaram a atenção dos investigadores. Roseli Loss, chefe de gabinete e pessoa de confiança de Sérgio Ricardo, aparece repetidamente realizando retiradas e entregas de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, ela foi responsável por saques que somaram R$ 3,52 milhões. Em seis ocasiões, os valores teriam sido entregues a Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente do TCE-MT.

A investigação aponta que Roseli já movimentava contas do conselheiro desde 2024. Entre as operações identificadas estão saques de R$ 200 mil, em fevereiro daquele ano, e R$ 340 mil, em abril. Ela passou a ter procuração bancária formal de Sérgio Ricardo em outubro de 2025.

Outro episódio registrado pelas câmeras envolve Felipe José Glinke, assessor jurídico da Presidência. Conforme a decisão, em setembro de 2025, ele teria sinalizado para interromper temporariamente uma operação ao perceber a presença de outra pessoa perto dos caixas. A retirada do dinheiro teria sido retomada somente após a saída do terceiro.

As imagens também registraram Gustavo Fernandes da Silva realizando operações bancárias consideradas atípicas, inclusive sem utilização de cartão. Já Adriangelo foi observado pelos investigadores entrando na agência com uma mochila vazia e saindo com ela aparentemente carregada de dinheiro.

O dinheiro movimentado nas contas de Sérgio Ricardo também entrou na mira da PF. Entre janeiro e outubro de 2025, a investigação identificou 101 créditos bancários no valor de R$ 15,44 milhões. Desse montante, R$ 10,78 milhões foram classificados como ordens bancárias avulsas e outros R$ 4,35 milhões apareceram sob rubricas destinadas a pagamentos de fornecedores. Apenas R$ 304,9 mil correspondiam a salários.

O contraste com o Portal da Transparência é impressionante. Enquanto os registros oficiais divulgavam aproximadamente R$ 288 mil em remuneração do conselheiro no período, os extratos bancários apontavam créditos superiores a R$ 15 milhões.

A Polícia Federal suspeita que uma estrutura de operadores financeiros atuava na conversão de recursos públicos em dinheiro vivo e na posterior circulação desses valores. A investigação identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas no período analisado.

O ministro Og Fernandes considerou que a influência de Sérgio Ricardo sobre a estrutura administrativa do Tribunal e o risco de interferência nas investigações justificavam sua prisão preventiva.

Além do presidente, foram presos Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva, Felipe José Glinke e Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do TCE-MT.