Política
Vans, ex-agente da Mossad e jato estrangeiro: os detalhes da fuga de Flávio
Operação internacional contou com apoio logístico e planejamento antes das eleições para exfiltração, apontam registros e câmeras em detalhes inéditos obtidos com exclusividade pela CNN com órgãos brasileiros
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do Brasil para a Argentina por meio terrestre em duas vans com a esposa e duas filhas em uma operação com apoio internacional de ao menos dois países, detalham as apurações inéditas conduzidas por órgãos brasileiros e obtidas com exclusividade pela CNN.
Os órgãos brasileiros que investigam a fuga identificaram as placas das vans que cruzaram a Ponte Tancredo Neves (também conhecida como Ponte Internacional da Fraternidade) na última terça-feira (27). A travessia foi uma rodovia que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú (província de Misiones), na Argentina, sobre o Rio Iguaçu, e foi captada por câmeras de segurança.
Os motoristas das vans foram identificados com as placas TBB 4A65 e FDF 8F91, que não precisaram apresentar passaporte para entrada no país de origem. Um dos motoristas é ex-vereador em Foz do Iguaçu, que levou Flávio. O outro motorista, filho do primeiro, levou a esposa do senador e suas duas filhas de forma separada.
A apuração aponta que Flávio teve apoio na reta final do segundo turno das eleições. Um ex-agente israelense, naturalizado norte-americano, que já trabalhou na agência de inteligência Mossad, de Israel, chegou ao Brasil no dia 19 de outubro e, segundo levantamento da operação, acompanhou Flávio de Brasília até a Argentina, onde foi ajudado por integrantes do governo argentino, de Javier Milei.
O ex-agente da Mossad estava na van com Flávio Bolsonaro ao cruzar a fronteira, apontam os registros.
De Puerto Iguazú, a família Bolsonaro embarcou em um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina de fretamento aéreo Baires Fly, fez uma parada para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, Flórida, por volta das 10h30 de quarta-feira (28), conforme mostrou ao vivo a CNN.
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Para integrantes do governo brasileiro, com base nas informações levantadas pelos órgãos, ficou claro que “houve auxílio nacionais e estado nacional da Argentina e Estados Unidos” e classificaram a operação como uma “exfiltração”, quando ocorre uma transferência intencional, não autorizada e oculta de dados ou de pessoas para fora de um sistema, rede ou área protegida, detalham fontes do governo brasileiro.
As fontes de três órgãos à CNN também apontam que informações desencontradas que foram repassadas fizeram parte do plano de fuga para concentrar olhares a um local, quando, na verdade, a saída foi por outro.
A conclusão da investigação é que não foi uma fuga de última hora do senador, mas sim um planejamento internacional de grande envergadura, até mesmo com batismo interno de “operação Alba”.
A PF avalia pedir o bloqueio de bens de Flávio, incluindo suas contas, ao Supremo Tribunal Federal. O Ministério da Justiça aguarda relatório da PF sobre a fuga após descumprimento de ordem judicial para estudar quais canais oficiais de cooperação internacional usará - e se usará.