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Trump diz ver chance de acordos com Cuba e Irã
Presidente norte-americano afirmou que seu governo está em conversas com o alto escalão de Cuba, que Washington pressiona com ameaça de corte de fornecimento de petróleo para forçar mudança de regime, segundo imprensa local
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (1º) que vê chances de um acordo entre seu governo e os de Cuba e do Irã que impeçam uma ação militar dos EUA nos dois países.
➡️ Trump vem ameaçando atacar alvos no Irã caso o país do Oriente Médio não assine o acordo de não proliferação de armas nucleares que Washington propõe. O governo dos EUA também vem pressionando Cuba com ameaças de cortes no fornecimento do petróleo na tentativa de forçar uma mudança de regime, segundo a imprensa norte-americana.
"Estamos falando com as pessoas mais altas (do governo) de Cuba, vamos ver o que acontece. (...) Acho que faremos um acordo com Cuba", disse Trump a repórteres neste domingo. "Cuba é uma nação falida, tem sido uma nação falida há um bom tempo".
Na noite de sábado (31), ele anunciou que os EUA estavam começando a dialogar com líderes cubanos, mas não deu detalhes do teor da conversa. "Estamos começando a conversar com Cuba", disse.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, fala a repórteres na chegada à sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida, onde sediou a cerimônia de casamento do vice-chefe de gabinete de seu governo, Dan Scavino, em 1º de fevereiro de 2026. — Foto: Mark Schiefelbein/ AP
No início de janeiro, Trump também afirmou prever que o governo cubano está prestes a cair, e suas recentes medidas para cortar o fornecimento de petróleo têm pressionado a ilha.
Na semana passada, Trump assinou uma ordem executiva para impor tarifas sobre produtos de países que vendem ou fornecem petróleo a Cuba. A medida pressionou o México, de quem Cuba se tornou dependente para o fornecimento de petróleo depois que Trump suspendeu as exportações do produto da Venezuela.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a ordem executiva de Trump poderia causar uma crise humanitária e disse que buscaria alternativas para continuar ajudando Cuba.
“Não precisa ser uma crise humanitária. Acho que eles provavelmente viriam até nós e tentariam fazer um acordo”, disse Trump no sábado. “Assim, Cuba seria livre novamente.”
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Painel com propaganda anti-EUA em Teerã, no Irã — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Também neste domingo, Donald Trump afirmou achar que as conversas que seu governo mantém com membros do governo iraniano podem dar bom resultado. E disse acreditar em uma solução diplomática para o impasse que mantém com Teerã.
"Esperamos chegar a um acordo. Mas, se não chegarmos, vamos ver o que pode acontecer", declarou Trump, ao comentar a afirmação, também neste domingo, do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que um ataque dos EUA ao Irã iniciaria uma guerra regional.
O site de notícias norte-americano Axios afirmou que Catar, Turquia e Egito tentam organizar um encontro entre o enviado do governo dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e membros do governo iraniano.
Mas uma ação militar ainda não foi descartada por Washington. Uma reportagem da agência de notícias Reuters, com base em fontes do governo norte-americano, afirmou que generais dos EUA e de Israel se reuniram no Pentágono para debater possíveis ações no Irã.
E, na semana passada, Trump disse que uma "grande fragata" de navios militares dos EUA, "maior que a enviada à (costa da) Venezuela", estava a caminho do Irã. Ele não disse o objetivo da missão. Ainda não havia registros sobre se as embarcações haviam chegado ao destino até a última atualização desta reportagem.
Acordo nuclear
👉 Nas últimas semanas, o norte-americano começou a ameaçar atacar o território iraniano caso o governo do país não assine o acordo de não proliferação de armas nucleares que Washington propôs a Teerã.
O grande impasse ocorre porque o Irã discorda de um dos pontos do texto, que exige o fim do enriquecimento de urânio, necessário para construir armas nucleares. O Irã afirma que utiliza o recurso para fins comerciais.
EUA e Irã tinham um acordo de não proliferação de armas nucleares, assinado pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama. O próprio Trump, no entanto, se retirou desse acordo em 2018, em sua primeira gestão na Casa Branca, em retaliação ao Irã. Na ocasião, ele acusou o governo iraniano de financiar grupos terroristas.