Polícia

SANGUE APÓS AS URNAS: suspeito de executar policial civil após perguntar “quem é petista” em bar é preso em MT

Investigador Emilson Ormond Souza, de 56 anos, foi atingido por tiros no tórax ao tentar reagir a um ataque armado na noite da reeleição de Lula; crime deixou outro ferido, órfãos de pai quatro filhos e provocou comoção na Polícia Civil de Mato Grosso

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 26/10/2026
SANGUE APÓS AS URNAS: suspeito de executar policial civil após perguntar “quem é petista” em bar é preso em MT
O ataque matou o investigador da Polícia Civil Emilson Ormond Souza, de 56 anos, e deixou outra pessoa ferida, em Campo Novo do Parecis, a aproximadamente 400 quilômetros de Cuiabá | PC-MT

A noite que deveria ser marcada pela celebração da democracia terminou em sangue, violência e morte no interior de Mato Grosso. O investigador da Polícia Civil Emilson Ormond Souza, de 56 anos, foi assassinado a tiros após um homem questionar a preferência política de frequentadores de um bar, em Campo Novo do Parecis, a aproximadamente 400 quilômetros de Cuiabá, na noite de domingo (25), quando o Brasil acompanhava o resultado do segundo turno da eleição presidencial.

O suspeito, um homem de 59 anos, cuja identidade não foi divulgada, teria sido preso nesta segunda-feira (26), conforme informação mais recente divulgada sobre o caso. Até então, equipes das forças de segurança realizavam buscas para localizar o investigado, apontado como integrante do setor madeireiro da região.

O ataque ocorreu por volta das 21h45, no Bar do Pernambuco, localizado na Avenida Brasil, em frente ao Supermercado Real. Conforme relatos de testemunhas, o suspeito teria passado pelo estabelecimento em uma caminhonete Toyota Hilux prata e perguntado aos presentes quem apoiava o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito naquele domingo.

Segundo as informações preliminares, depois do questionamento político, o homem teria deixado o local e retornado momentos depois. Foi quando começou o ataque. Disparos foram efetuados na direção das pessoas que estavam no estabelecimento, provocando desespero entre os frequentadores, que tentaram se proteger dos tiros.

Em meio à ação criminosa, Emilson Ormond Souza, que estava sentado em uma mureta, tentou reagir. O investigador, entretanto, foi atingido por disparos na região do tórax. Gravemente ferido, recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

Outra pessoa também foi baleada, atingida no pé. Seu estado de saúde não havia sido divulgado.

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A sequência do ataque foi descrita em nota oficial da Polícia Civil de Mato Grosso, que confirmou a abordagem de caráter político antes dos disparos.

A morte do investigador provocou profunda comoção entre colegas de profissão, familiares e moradores de Campo Novo do Parecis. Emilson dedicou 24 anos de sua vida à Polícia Civil de Mato Grosso, sendo duas décadas de atuação na delegacia do município. Reconhecido por sua longa trajetória na segurança pública, ele deixa quatro filhos e uma carreira interrompida pela violência.

Em nota de pesar, a Polícia Civil manifestou solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de trabalho e destacou a trajetória profissional do servidor, vítima de um homicídio que agora é investigado pela própria instituição à qual dedicou mais de duas décadas.

A brutalidade do episódio ganha contornos ainda mais preocupantes por ter ocorrido justamente na noite da eleição presidencial. O que deveria representar o exercício democrático do direito de escolha transformou-se em cenário de violência armada. Entretanto, apesar dos relatos de que o atirador perguntou quem apoiava o PT, a motivação política do homicídio ainda precisa ser definitivamente esclarecida pelas investigações.

A Polícia Civil deverá apurar a dinâmica dos disparos, a possível intenção de atingir frequentadores em razão de suas preferências partidárias e as demais circunstâncias do ataque. O caso também levanta questionamentos sobre os limites da intolerância política e a transformação de divergências eleitorais em episódios de violência.

A tragédia em Campo Novo do Parecis deixa uma vítima fatal, outro cidadão ferido e uma família mergulhada no luto. O investigador que passou 24 anos combatendo a criminalidade teve sua vida interrompida em um ataque que começou, segundo a polícia, com uma simples pergunta sobre política.

Em uma democracia, ninguém pode perder a vida pela resposta que dá sobre seu voto.