Política

HERANÇA MALDITA: Prefeitura diz que Emanuel deixou rombo de R$ 45,8 milhões no transporte coletivo de Cuiabá

De acordo com a Prefeitura, o débito foi sendo acumulado ao longo dos últimos anos da gestão anterior

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM SECOM-CUIABÁ 27/05/2026
HERANÇA MALDITA: Prefeitura diz que Emanuel deixou rombo de R$ 45,8 milhões no transporte coletivo de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá afirmou que herdou um verdadeiro “rombo milionário” deixado pela gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro | Arquivo Página 12

A Prefeitura de Cuiabá afirmou que herdou um verdadeiro “rombo milionário” deixado pela gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro no sistema de transporte coletivo da capital. Segundo a administração municipal, a dívida acumulada com as empresas concessionárias chegou a R$ 45,8 milhões e colocou em risco até mesmo a continuidade da circulação dos ônibus em Cuiabá.

De acordo com a Prefeitura, o débito foi sendo acumulado ao longo dos últimos anos da gestão anterior e precisou ser renegociado emergencialmente pela atual administração com mediação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso para evitar uma crise ainda maior no transporte público da capital.

A atual gestão sustenta que, sem o acordo construído junto ao TCE-MT, havia risco concreto de paralisação do sistema, apreensão de ônibus e agravamento do colapso financeiro enfrentado pelas concessionárias.

Do valor total apontado pela Prefeitura, mais de R$ 10,5 milhões já teriam sido quitados ainda em 2025. Outros R$ 35,3 milhões foram parcelados em 15 vezes dentro de um acordo firmado na Mesa Técnica do tribunal, com previsão de encerramento agora em junho de 2026.

Nos bastidores do Palácio Alencastro, o discurso é de que a atual administração precisou “apagar incêndios financeiros” deixados pela gestão passada para impedir que a população fosse diretamente atingida pelo colapso do transporte coletivo.

A crise financeira do sistema, segundo a Prefeitura, ainda produz reflexos. Uma das concessionárias do transporte urbano ingressou recentemente com pedido de recuperação judicial, alegando dificuldades financeiras para manter a operação.

Diante do cenário preocupante, a Cuiabá Regula passou a cobrar garantias da empresa para assegurar que a crise econômica não comprometa a qualidade e a continuidade do serviço prestado diariamente à população.

Na época das negociações, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, destacou que o objetivo da atuação da Corte era impedir a interrupção de um serviço essencial e construir uma solução financeira viável para o município e para as empresas.

Já o advogado Ussiel Tavares, representante da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos, afirmou que o entendimento evitou uma guerra judicial e trouxe segurança jurídica às partes envolvidas.

A narrativa construída pela Prefeitura reforça um discurso político cada vez mais presente dentro da atual administração: o de que a gestão municipal ainda enfrenta os impactos financeiros e estruturais deixados pela era Emanuel Pinheiro, especialmente em áreas consideradas críticas, como saúde, infraestrutura e transporte coletivo.