Política
Entenda como onda de protestos tomou conta da Europa
Editora de Internacional da CNN Mariana Catacci explica, ao Live CNN, que França, Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Albânia registram manifestações por educação, moradia e custo de vida
Uma onda de protestos se espalha por diversos países da Europa, impulsionada por uma combinação de fatores que inclui insatisfação com o custo de vida, crise habitacional e dificuldades na manutenção dos serviços públicos.
A editora de Internacional da CNN Mariana Catacci explica, ao Live CNN, como essas questões têm provocado insatisfação popular e ampliado os desafios políticos no continente. O movimento, que ganhou força inicialmente na França, já se expandiu para outros países do continente, colocando governos sob crescente pressão popular.
Segundo Mariana Catacci, os protestos não seguem uma pauta única. "Eles são causados por vários fatores que, somados, levaram a população de vários países às ruas", afirmou. Ao todo, ao menos sete países registraram manifestações nos últimos dias.
França lidera em número de detenções
Na França, a insatisfação começou com estudantes do ensino médio e rapidamente atraiu professores, universitários e cidadãos descontentes com o aumento do custo de vida.
O país concentra o maior número de detenções relacionadas aos protestos: mais de duas mil pessoas foram presas até o último fim de semana, tornando-se o epicentro mais expressivo da agitação social no continente.
Crise de habitação mobiliza Espanha e Portugal
Na Espanha, um grande protesto foi deflagrado após o despejo de uma mulher de 87 anos, episódio que se tornou símbolo da crise habitacional que afeta o país.
Em Portugal, a situação é semelhante: o custo da moradia cresceu de forma desproporcional em relação ao restante da Europa nos últimos anos, gerando forte insatisfação popular. Ambos os países enfrentam manifestações de grande porte motivadas pela dificuldade de acesso à habitação.
Confrontos na Itália e protestos na Grécia e Albânia
Na Itália, a principal praça de Milão precisou ser esvaziada devido a confrontos entre manifestantes e a polícia.
A Grécia também registrou protestos, enquanto a Albânia apresenta uma situação considerada peculiar: além das manifestações por educação e custo de vida, há descontentamento da população com um empreendimento que deve ser feito na Albânia ligado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A venda de áreas preservadas do litoral albanês para a construção de um resort de luxo tem gerado acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Edi Rama.
Desafio comum: sustentar serviços públicos
De acordo com Mariana Catacci, o denominador comum entre os países é a dificuldade dos governos em manter os serviços públicos funcionando sem onerar excessivamente os cofres públicos.
"O que a gente vê é uma certa incapacidade dos governos de conseguir sustentar os serviços públicos", disse. Países como França e Grécia, por exemplo, registram níveis recordes de dívida pública na Europa. O movimento, segundo a editora de Internacional, tende a se ampliar e a atrair cada vez mais setores da população.