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PF FAZ DEVASSA EM CUIABÁ E MAIS DUAS CIDADES DE MT E MIRA SUPOSTO ESQUEMA DE FRAUDES EM LICITAÇÕES

Operação Corrente Reversa investiga suspeitas de licitações armadas, contratos com preços acima do mercado e empresas de fachada; dinheiro federal está na mira dos investigadores

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 03/11/2026
PF FAZ DEVASSA EM CUIABÁ E MAIS DUAS CIDADES DE MT E MIRA SUPOSTO ESQUEMA DE FRAUDES EM LICITAÇÕES
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou os nomes das empresas e dos investigados, nem o valor total dos contratos sob suspeita | PF-MT

A Polícia Federal desencadeou, nesta terça-feira (3), uma ofensiva contra um suposto esquema de fraudes em licitações públicas que ultrapassou as fronteiras de Goiás e chegou a três municípios de Mato Grosso. Cuiabá, Pontal do Araguaia e Salto do Céu entraram na rota das buscas da Operação Corrente Reversa, que investiga possíveis irregularidades em contratos da Prefeitura de Aragarças (GO).

Com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), os agentes federais cumprem cinco mandados de busca e apreensão nos dois estados. A operação atingiu endereços de investigados, sedes de empresas e setores administrativos da prefeitura goiana.

O que chamou a atenção dos investigadores foi a possível existência de uma engrenagem montada para manipular disputas por contratos públicos. Segundo a PF, empresas aparentemente concorrentes, mas ligadas por representantes e endereços comuns, teriam se revezado nas licitações para criar uma falsa aparência de competição e favorecer contratações previamente direcionadas.

As suspeitas são ainda mais graves: a investigação identificou indícios de sobrepreço e utilização de empresa de fachada, sem estrutura operacional para executar os serviços contratados, principalmente nas áreas de obras e engenharia.

Parte expressiva dos contratos investigados foi custeada com recursos enviados pela União. A CGU entrou em ação para rastrear o caminho do dinheiro e identificar possíveis irregularidades na aplicação das verbas públicas.

A ofensiva federal poderá abrir novos capítulos na investigação. Documentos e outros materiais apreendidos serão analisados para esclarecer a atuação dos envolvidos, dimensionar eventuais prejuízos e subsidiar medidas destinadas à recuperação de recursos públicos.

Os investigados poderão responder pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação e fraude em licitação ou contrato, conforme a responsabilidade individual que vier a ser demonstrada.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou os nomes das empresas e dos investigados, nem o valor total dos contratos sob suspeita.

A Operação Corrente Reversa coloca sob investigação uma possível rede de interesses privados em torno de contratos públicos, com ramificações em Mato Grosso e Goiás. As suspeitas ainda dependem de comprovação, mas a ofensiva levanta uma questão central: até que ponto a concorrência nas licitações investigadas era verdadeira?