Polícia
CHEGOU A HORA DA VERDADE: APÓS DOIS ADIAMENTOS, PACCOLA VAI AO BANCO DOS RÉUS POR MORTE DE “JAPÃO” EM CUIABÁ
Ex-vereador e tenente-coronel enfrentará o Tribunal do Júri em 17 de novembro, mais de quatro anos após a morte de Alexandre Miyagawa; caso teve repercussão nacional, provocou cassação de mandato e agora entra em fase decisiva
Depois de mais de quatro anos de espera, uma cassação de mandato, sucessivas disputas judiciais e dois adiamentos, o ex-vereador de Cuiabá e tenente-coronel da Polícia Militar Marcos Eduardo Ticianel Paccola tem um novo encontro marcado com a Justiça. O Tribunal do Júri foi mantido para 17 de novembro, às 9h, quando sete jurados deverão decidir seu destino na acusação de homicídio de Alexandre Miyagawa de Barros, conhecido como “Japão”.
O caso, que abalou a política mato-grossense e ganhou repercussão nacional, volta ao centro das atenções com uma mudança importante: a condução do julgamento passou às mãos da juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, integrante do Núcleo de Atuação Estratégica (NAE), no âmbito do Programa Mais Júri.
A tragédia aconteceu em 1º de julho de 2022, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Segundo a denúncia do Ministério Público, Alexandre Miyagawa foi atingido por disparos efetuados por Paccola durante uma confusão em via pública.
A acusação sustenta que a vítima foi baleada pelas costas, quando não oferecia ameaça ao ex-vereador ou a terceiros. Laudos periciais mencionados no processo apontam, ainda, que um dos disparos atingiu Alexandre quando ele já estava caído.
Paccola contesta a acusação. O ex-parlamentar afirma que agiu em legítima defesa própria e de terceiros, sustentando que acreditava estar diante de uma situação de
A morte de Alexandre provocou uma crise política que culminou na cassação do mandato de Paccola pela Câmara Municipal de Cuiabá, por quebra de decoro parlamentar.
Em 2024, a Justiça determinou que o ex-vereador fosse levado a julgamento popular. A decisão foi mantida nas instâncias superiores, abrindo caminho para o Tribunal do Júri.
Inicialmente, o julgamento estava previsto para 27 de agosto deste ano. Depois foi transferido para 22 de outubro e, posteriormente, remarcado para 17 de novembro.
Na preparação do julgamento, a magistrada autorizou o acesso integral da defesa a materiais apreendidos, incluindo uma pistola Canik TP9 V2, o celular de Alexandre Miyagawa, imagens de câmeras de estabelecimentos comerciais, estojos, projéteis e um coldre.
Os materiais deverão ser reunidos e encaminhados à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), com possibilidade de inspeção pelas partes. Uma nova testemunha também foi autorizada a prestar depoimento.
No dia 17, acusação e defesa estarão diante do Conselho de Sentença para sustentar versões opostas sobre os acontecimentos daquela noite.
O Ministério Público buscará demonstrar a ocorrência do homicídio nos termos da acusação. A defesa tentará convencer os jurados de que Paccola agiu amparado pela legítima defesa.
Mais de quatro anos depois dos tiros que tiraram a vida de Alexandre Miyagawa e encerraram a trajetória de Paccola na Câmara de Cuiabá, o caso caminha para seu momento mais decisivo: o julgamento pelo Tribunal do Júri.