Polícia

Combustível fantasma e R$ 2,8 milhões na mira da Polícia: fraude suspeita leva a operação em MT

Operação Rota Paralela investiga 6,5 mil abastecimentos suspeitos; irregularidades foram identificadas pela própria concessionária Via Brasil, e Justiça determinou 23 medidas contra investigados

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 04/11/2026
Combustível fantasma e R$ 2,8 milhões na mira da Polícia: fraude suspeita leva a operação em MT
O possível prejuízo chega a R$ 2,8 milhões, segundo a investigação da Polícia Civil | PC-MT

Um suposto esquema milionário de desvio de combustíveis, abastecimentos fictícios e movimentações suspeitas com cartões corporativos provocou uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso nesta quarta-feira (4). Batizada de Rota Paralela, a ofensiva investiga possíveis irregularidades que podem chegar a R$ 2,8 milhões, envolvendo funcionários e terceiros ligados às atividades da concessionária Via Brasil, responsável pela administração de rodovias estaduais.

A investigação teve início após a própria concessionária identificar possíveis irregularidades na utilização dos cartões destinados ao abastecimento de veículos e equipamentos empregados na conservação das estradas.

Segundo a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), os levantamentos identificaram 6.520 transações suspeitas, entre 26.113 operações de abastecimento realizadas de janeiro de 2024 a julho de 2025.

Os investigadores apuram se cartões corporativos foram utilizados para registrar abastecimentos que não ocorreram ou quantidades de combustível incompatíveis com a capacidade dos veículos e equipamentos.

Entre os registros que despertaram a atenção dos investigadores estão abastecimentos realizados durante a madrugada, operações sucessivas em intervalos incompatíveis com a capacidade dos veículos e lançamentos vinculados a equipamentos que não justificariam os volumes registrados.

A suspeita é de que responsáveis pelo gerenciamento dos cartões tenham utilizado o acesso aos meios de pagamento para viabilizar operações irregulares, com possível participação de terceiros na destinação dos combustíveis.

Conforme a Polícia Civil, o mecanismo investigado permitiria o desvio de combustível e a geração de créditos em estabelecimentos comerciais.

A dimensão das suspeitas levou a Justiça a autorizar 23 medidas judiciais, cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande, Colíder e Alto Taquari.

A operação inclui sete mandados de busca e apreensão, seis medidas cautelares diversas da prisão, seis ordens de bloqueio de ativos financeiros e quatro restrições judiciais de veículos.

Também foi autorizado o sequestro e arresto de bens e valores até o limite de R$ 2.796.942,48, além do acesso a informações armazenadas em dispositivos eletrônicos eventualmente apreendidos.

O objetivo das medidas é aprofundar as investigações, preservar provas, identificar a responsabilidade individual dos suspeitos e possibilitar a recuperação dos valores que teriam sido desviados.

Um ponto relevante da investigação é que, conforme a própria Polícia Civil, as apurações começaram após a concessionária identificar movimentações suspeitas nos cartões corporativos utilizados nas atividades de conservação e manutenção das rodovias.

Dessa forma, os fatos investigados dizem respeito a possíveis condutas irregulares praticadas por pessoas vinculadas às atividades da empresa, sem que isso represente, por si só, comprovação de participação institucional da concessionária no suposto esquema.

Procurada pela imprensa, a Via Brasil informou que o procedimento tramita sob segredo de Justiça e que não se manifestará sobre o caso até a conclusão do processo.

A Polícia Civil pretende esclarecer como funcionavam as movimentações suspeitas, quem teria autorizado os abastecimentos e qual teria sido a destinação dos combustíveis ou dos créditos eventualmente gerados.

A Operação Rota Paralela também busca dimensionar o prejuízo efetivo e reunir elementos capazes de individualizar as condutas investigadas.

As suspeitas ainda dependem da conclusão das investigações e da apuração das responsabilidades pelas autoridades competentes, assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.