Política

E AGORA, JOSÉ? A FESTA ACABOU: O FIM DE UM IMPÉRIO POLÍTICO DE 32 ANOS EM MATO GROSSO

Da glória ao declínio: ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva assiste à derrota eleitoral das duas filhas e ao encerramento de uma era de domínio familiar no Parlamento estadual

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 03/11/2026
E AGORA, JOSÉ? A FESTA ACABOU: O FIM DE UM IMPÉRIO POLÍTICO DE 32 ANOS EM MATO GROSSO
O homem das articulações, dos acordos políticos, das sucessivas presidências do Parlamento e de uma influência que parecia não conhecer limites vê agora sua trajetória chegar ao fim | Arquivo Página 12

“E agora, José?” — Carlos Drummond de Andrade, poema “José”.

A pergunta que atravessou gerações na literatura brasileira ganha, mais de oito décadas depois, um significado especialmente simbólico na política de Mato Grosso.

O José desta história não é o personagem imaginado pelo poeta. É José Geraldo Riva, o ex-deputado estadual que durante décadas foi considerado um dos homens mais poderosos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O homem das articulações, dos acordos políticos, das sucessivas presidências do Parlamento e de uma influência que parecia não conhecer limites vê agora um capítulo decisivo de sua trajetória chegar ao fim.

A festa política que começou em 1995, com sua chegada à Assembleia Legislativa, está prestes a perder sua última representação familiar no Parlamento.

As derrotas eleitorais de Janaina e Jéssica Riva, em outubro de 2026, encerram uma sequência de 32 anos de mandatos da família na Casa de Leis.

Não se trata necessariamente do fim de toda a influência de José Riva. Trata-se, porém, do fim de uma hegemonia parlamentar que marcou profundamente a história política mato-grossense.

E, diante da força das urnas, a pergunta de Drummond volta a ecoar pelos corredores do poder:

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?...(Carlos Drummond de Andrade, poema “José”)