Política
Governador encosta em Wellington e MT flerta com 2º turno inédito
Quaest mostra Wellington Fagundes com 27% e Otaviano Pivetta já com 23%; diferença de apenas quatro pontos coloca os dois no mesmo campo da margem de erro, enquanto governador vira o jogo na espontânea e aparece à frente do senador
A vantagem que parecia confortável virou uma disputa de tirar o fôlego. Otaviano Pivetta (Republicanos) encostou em Wellington Fagundes (PL) e colocou fogo na corrida pelo Governo de Mato Grosso.
Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25), encomendada pela Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), mostra Wellington ainda numericamente na liderança, com 27%, mas Pivetta já aparece logo atrás, com 23%.
São apenas quatro pontos percentuais de diferença em uma pesquisa cuja margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. Considerados os intervalos da margem de erro, as estimativas dos dois candidatos se sobrepõem.
Mais distante aparece Doutora Natasha (PSD), com 8%. Sargento Laudicério (Agir) e Rafaell Milas (Missão) têm 2% cada, enquanto Maurício Coelho (Mobiliza) registra 1%.
Mas o número que deixa o cenário ainda mais explosivo é o contingente de eleitores que ainda não está com nenhum candidato: 29% afirmam que votarão branco, nulo ou que não pretendem votar, e outros 8% estão indecisos.
Pivetta vira o jogo na espontânea
Se Wellington mantém vantagem numérica quando os nomes dos candidatos são apresentados, a situação se inverte quando o eleitor precisa lembrar sozinho em quem pretende votar.
Na pesquisa espontânea, Pivetta assume a liderança com 9%, contra 6% de Wellington.
Doutora Natasha, Rafaell Milas, Sargento Laudicério e Maurício Coelho aparecem com 1% cada.
O dado deve acender o sinal de alerta no grupo de Wellington.
Pivetta não apenas encostou na pesquisa estimulada como já aparece três pontos à frente do senador na lembrança espontânea do eleitorado.
Ao mesmo tempo, nada menos que 78% continuam indecisos nesse levantamento, mostrando que a eleição ainda está longe de uma consolidação.
Fantasma do segundo turno ronda Mato Grosso
É aqui que a Quaest apresenta um componente capaz de transformar 2026 numa eleição histórica.
Mato Grosso pode caminhar para um segundo turno na disputa pelo Palácio Paiaguás.
Desde que o sistema de dois turnos passou a valer para as eleições estaduais, Mato Grosso tem conseguido definir seus governadores no primeiro turno.
Agora, porém, a fragmentação captada pela Quaest coloca no horizonte uma possibilidade diferente.
Wellington tem 27%. Pivetta, 23%. Natasha soma 8%. Os demais candidatos também retiram votos da disputa, enquanto 37% dos entrevistados estão entre indecisos, brancos, nulos ou dizem que não pretendem votar.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa conquistar mais da metade dos votos válidos.
Se ninguém alcançar essa marca, os dois primeiros colocados voltam às urnas.
E a fotografia de hoje aponta Wellington e Pivetta como protagonistas desse eventual duelo.
Quaest já coloca os dois cara a cara
A possibilidade é tão concreta como cenário eleitoral que a própria Quaest testou um confronto direto entre Wellington e Pivetta.
No eventual segundo turno, Wellington aparece com 38%, contra 29% de Pivetta.
Mas a batalha estaria longe de resolvida: 22% permanecem indecisos, enquanto 11% escolheriam branco, nulo ou nenhum dos dois.
Há, portanto, uma parcela gigantesca do eleitorado disponível para ser disputada num eventual confronto direto.
Contra Doutora Natasha, Wellington aparece com 45% a 20%.
Já numa disputa entre Pivetta e Natasha, o governador venceria por 34% a 23%.
Pivetta tem um trunfo: o governo é aprovado
Pivetta chega aos 23% carregando um ativo poderoso: a administração estadual tem 53% de aprovação, segundo a própria Quaest.
Apenas 12% desaprovam o governo, enquanto 35% não souberam ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, 36% classificam a gestão como positiva, outros 36% como regular e somente 7% como negativa.
Há mais.
Quando a Quaest pergunta se Mauro Mendes merece eleger um sucessor, 55% respondem que sim, contra 26% que dizem não.
Para Pivetta, que assumiu o comando do Estado e representa a continuidade do grupo político que governou Mato Grosso nos últimos anos, esse número pode se transformar numa poderosa arma de campanha.
66% não querem rompimento total
Outro resultado reforça essa possibilidade.
Questionados sobre o rumo que o próximo governo deveria seguir, 32% defendem continuar o trabalho que já vem sendo realizado, enquanto 34% querem mudar apenas aquilo que não está bom.
Somente 29% defendem uma mudança completa.
Ou seja, 66% estão entre continuidade integral e continuidade com ajustes.
É um terreno eleitoral naturalmente importante para Pivetta explorar na tentativa de ultrapassar Wellington.
Wellington lidera, mas carrega rejeição maior
Nada disso significa que Wellington tenha perdido o favoritismo numérico.
O senador continua liderando a estimulada e também vence Pivetta na simulação de segundo turno.
Além disso, 38% dizem conhecê-lo e afirmam que votariam nele.
Mas Wellington carrega uma vulnerabilidade: 32% o conhecem e dizem que não votariam nele, a maior rejeição entre os principais candidatos.
Pivetta registra 24%.
O governador, por sua vez, possui um problema que também pode ser interpretado como oportunidade: 46% dos entrevistados ainda dizem não conhecê-lo.
Se conseguir aumentar seu grau de conhecimento sem elevar proporcionalmente a rejeição, Pivetta possui um contingente expressivo de eleitores ainda a alcançar.
Quase metade pode mudar de voto
A eleição está longe de congelar.
Para 52%, a escolha atual é definitiva. Mas 47% admitem que ainda podem trocar de candidato até 4 de outubro.
É praticamente metade do eleitorado dizendo que o voto continua aberto.
Debates, propaganda eleitoral, apoios nacionais, alianças municipais, erros de campanha e confronto direto entre Wellington e Pivetta podem alterar significativamente a fotografia atual.
A eleição pegou fogo
A Quaest deixa um recado cristalino para os dois principais grupos políticos.
Wellington continua na frente, mas Pivetta chegou ao seu retrovisor.
A distância caiu para quatro pontos na estimulada. Na espontânea, o governador já passa o senador por 9% a 6%. Pivetta ainda carrega uma administração com 53% de aprovação e tem a seu favor o fato de 55% considerarem que Mauro Mendes merece fazer seu sucessor.
Wellington, por outro lado, mantém 27%, lidera a corrida e vence o governador na primeira simulação de confronto direto.
É uma batalha aberta.
E, se nenhum deles conseguir disparar durante a campanha, Mato Grosso poderá quebrar uma tradição histórica e levar a decisão do Palácio Paiaguás para um segundo turno pela primeira vez.
O que antes poderia parecer uma corrida com líder isolado agora tem outra imagem:
Pivetta acelerou, encostou e já aparece no retrovisor de Wellington. A guerra pelo Governo de Mato Grosso começou para valer.
Sobre a pesquisa
A Quaest ouviu 804 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 21 e 24 de agosto.
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números MT-04846/2026 e BR-00817/2026.