Política

MT DÁ 1,35 MILHÃO DE VOTOS A FLÁVIO BOLSONARO, MAS LULA É REELEITO PRESIDENTE; DIFERENÇA NO ESTADO PASSA DE 656 MIL VOTOS

Candidato do PL conquista 66,06% dos votos em Mato Grosso, contra 33,94% do petista; mesmo derrotado no estado, Lula vence a disputa nacional e garante seu quarto mandato na Presidência da República

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 25/10/2026
MT DÁ 1,35 MILHÃO DE VOTOS A FLÁVIO BOLSONARO, MAS LULA É REELEITO PRESIDENTE; DIFERENÇA NO ESTADO PASSA DE 656 MIL VOTOS
Neste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou uma vantagem de 656.845 votos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado | Bloomberg via Getty Images

Mato Grosso encerrou o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 reafirmando sua preferência eleitoral pelo campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Neste domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou uma vantagem de 656.845 votos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado. Entretanto, o resultado mato-grossense não se repetiu nacionalmente: Lula foi reeleito presidente da República e conquistou seu quarto mandato, em uma disputa histórica que manteve o Brasil dividido entre dois projetos políticos.

Com 99,99% das seções eleitorais apuradas, correspondentes a 8.286 das 8.287 seções de Mato Grosso, Flávio Bolsonaro recebeu 1.350.912 votos, equivalentes a 66,06% dos votos válidos. Lula conquistou 694.067 votos, ou 33,94%. A diferença entre os candidatos chegou a 32,12 pontos percentuais, revelando uma expressiva vantagem regional do candidato do Partido Liberal.

Os números mostram que Flávio Bolsonaro recebeu quase o dobro dos votos destinados a Lula em território mato-grossense. Dos 2.085.040 votos contabilizados até a parcial apresentada, 2.044.979 foram válidos, 15.429 em branco e 24.632 nulos. Os dados de abstenção não estavam incluídos no levantamento consultado.

O cenário eleitoral de Mato Grosso confirma a continuidade de uma tendência observada na eleição de 2022. Naquele ano, Jair Bolsonaro venceu no estado com 65,08% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 34,92%. Quatro anos depois, Flávio Bolsonaro alcançou 66,06%, percentual 0,98 ponto superior ao obtido pelo pai na eleição presidencial anterior. Lula, por sua vez, ficou 0,98 ponto abaixo da votação proporcional registrada em 2022.

Na capital, Cuiabá, Flávio Bolsonaro também terminou o segundo turno na liderança. Com todas as urnas apuradas no município, o candidato do PL obteve 219.767 votos, ou 59,58% dos válidos. Lula recebeu 149.091 votos, correspondentes a 40,42%. A diferença foi de 70.676 votos. Apesar da vitória de Flávio na capital, a distância entre os candidatos foi menor do que a registrada no conjunto do estado.

A votação também revela que Lula ampliou seu número absoluto de votos em Mato Grosso entre os dois turnos de 2026. Na primeira votação, realizada em 4 de outubro, o petista havia recebido 581.681 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 1.298.581. No segundo turno, segundo a parcial de 99,99%, Lula acrescentou 112.386 votos e Flávio ampliou seu total em 52.331 votos. Ainda assim, a vantagem construída pelo candidato do PL permaneceu expressiva.

Embora tenha prevalecido em Mato Grosso, Flávio Bolsonaro não conseguiu reunir nacionalmente os votos necessários para derrotar Lula. O presidente petista venceu a disputa nacional e alcançou uma marca inédita na história democrática brasileira: sua quarta eleição para a Presidência da República, depois das vitórias de 2002, 2006 e 2022.

O contraste entre os resultados evidencia mais uma vez as diferenças regionais do comportamento eleitoral brasileiro. Enquanto Mato Grosso manteve ampla votação favorável ao candidato do PL, Lula conseguiu reunir, no conjunto do país, a maioria dos votos válidos necessários à reeleição. A eleição presidencial é decidida pela soma nacional dos votos, e não pelo número de estados vencidos por cada candidatura.

O resultado também terá reflexos na relação política entre Mato Grosso e o governo federal durante o mandato de 2027 a 2030. O estado, governado por Otaviano Pivetta, continuará dependendo da articulação institucional com a União para investimentos, obras de infraestrutura, políticas agrícolas, programas sociais e transferências de recursos federais. A divergência entre a preferência presidencial do eleitorado mato-grossense e o resultado nacional não altera as competências constitucionais dos governos estadual e federal.

Com a reeleição de Lula, o Brasil inicia um novo ciclo presidencial sob o comando do PT, enquanto Mato Grosso encerra a votação reafirmando sua preferência por Flávio Bolsonaro. Os números mostram duas realidades simultâneas: Flávio venceu com ampla vantagem no estado, mas Lula conquistou a Presidência no resultado nacional.

A eleição de 2026 deixa, assim, um retrato marcante da divisão territorial das urnas brasileiras e dos desafios políticos que acompanharão o próximo mandato presidencial.