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Rússia e Ucrânia concordam com corredor humanitário e 3ª rodada de negociações

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 03/03/2022
Após uma nova rodada de negociação entre Rússia e Ucrânia, que ocorreu em Belarus nesta quinta-feira (3), houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”. Apesar do avanço, o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana. As delegações concordaram em mais uma rodada de negociações, que deve ser marcada para o início da próxima semana. “A segunda rodada de negociações terminou. Infelizmente, os resultados que a Ucrânia precisa ainda não foram alcançados. Há uma solução apenas para a organização de corredores humanitários”, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak em um tweet. Também nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que os soldados continuarão avançando na Ucrânia e que seus alvos estão sendo atingidos. Putin também declarou que os militares russos não estão impedindo a saída de civis, rebatendo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky — assista acima ao vivo a cobertura especial da CNN. Anteriormente, a delegação ucraniana também havia divulgado que um cessar-fogo imediato e um armistício estavam entre os principais pontos levados para o encontro. A primeira conversa entre as delegações após o início dos ataques ocorreu na segunda-feira (28) e teve duração de cinco horas, mas terminou sem um avanço. Na terça-feira (1º), Zelensky disse que a Rússia deveria parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que um acordo ocorresse. Os ataques continuaram nesta quinta-feira (3), assim como a proximidade das tropas russas da capital. Segundo o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os russos estão “parados” para um reagrupamento antes de uma possível invasão da capital, ou enfrentando desafios como falta de suprimentos ou resistência de civis. Os russos assumiram o controle de Kherson, uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes. O prefeito de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou na quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade.”

Destaques das últimas 24 horas

  • Brasil autoriza concessão de visto humanitário para ucranianos
  • Casa Branca anuncia sanções a “companheiros de Putin e seus familiares”
  • Forcas russas atacam a cidade de Energodar, próxima à maior usina nuclear da Europa
  • Negociações entre Rússia e Ucrânia não atingem “resultados esperados”, diz assessor ucraniano
  • Putin: “Todos os alvos que estabelecemos estão sendo atingidos”
  • Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções contra a Rússia e diz “ter medo” de a Ucrânia “não existir mais”
  • Prefeito de Kherson indica que a cidade está sob controle russo
  • Rússia e Ucrânia têm 2ª rodada de negociações nesta quinta-feira (3)
  • Tribunal Internacional de Haia inicia investigações de possíveis crimes cometidos pela Rússia
  • Comitê Paralímpico Internacional decide banir atletas da Rússia e de Belarus da Paralímpiada de Inverno
  • Tropas russas se posicionam perto de Kiev para reagrupamento
  • O total de refugiados que deixaram a Ucrânia desde o início da guerra é de pelo menos 1 milhão, diz ONU

Sanções aos "companheiros de Putin e seus familiares"

A Casa Branca anunciou nesta quinta-feira (3) novas sanções aos oligarcas russos. Segundo o boletim divulgado, sofrerão consequências "companheiros de Putin e seus familiares". Os nomes listados serão cortados do sistema financeiro dos EUA, seus ativos nos EUA serão congelados e suas propriedades serão bloqueadas para uso. Haverá ainda sanções de bloqueio total a oito elites russas, além de seus familiares e associados. Além disso, os EUA também colocarão restrições de visto a 19 oligarcas e 47 de seus familiares e associados próximos. Essa medida terá como alvo os oligarcas "conhecidos por dirigir, autorizar, financiar, apoiar significativamente ou realizar atividades malignas em apoio à política externa desestabilizadora da Rússia".

Brasil concede visto humanitário a ucranianos

Uma portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quinta-feira (3) e assinada pelos ministros das Relações Exteriores, Carlos França, e da Justiça, Anderson Torres, autoriza a concessão de visto humanitário para ucranianos. A medida foi estabelecida em razão do conflito armado que ocorre há oito dias na Ucrânia. Segundo a portaria, a autorização se estende a quaisquer ucranianos que desejem vir ao país. O visto valerá por 180 dias e, durante esse período, os beneficiários podem requisitar autorização para residência –que poderá ter período determinado de até dois anos ou período indeterminado

Segunda reunião acaba sem acordo

Negociadores de Rússia e Ucrânia se encontraram nesta quinta-feira (3), pela segunda vez, para discutir condições e termos dos dois países no conflito, mas o encontro terminou sem os “resultados que a Ucrânia precisa”, afirmou um membro da comitiva ucraniana. “A segunda rodada de negociações terminou. Infelizmente, os resultados que a Ucrânia precisa ainda não foram alcançados. Há uma solução apenas para a organização de corredores humanitários”, disse o assessor presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak em um tweet. Na negociação entre os países, que ocorreu em Belarus, houve avanço na viabilidade de corredores humanitários e de um cessar-fogo em torno deles, segundo o principal negociador russo, Vladimir Medinsky, descrevendo-o como “progresso substancial”. Anteriormente, a delegação ucraniana também havia divulgado que um cessar-fogo imediato e um armistício estavam entre os principais pontos levados para o encontro.

Zelensky: Tenho medo da Ucrânia não existir mais

Em uma entrevista coletiva na capital ucraniana, Volodymyr Zelensky afirmou que apoia sanções do ocidente contra a Rússia, mas pediu mais apoio à Ucrânia, especialmente em relação ao bloqueio do espaço aéreo, para ampliar respostas contra os ataques. O presidente também afirmou "ter medo" da Ucrânia "não existir mais" caso não haja uma solução diplomática para a crise, e também opinou que outros países anteriormente soviéticos podem ser os próximos alvos da política externa de Putin. “Nosso povo é muito especial. Não quero vê-lo destruído. Quero ver os ucranianos sobreviverem na História. Não quero que se tornem a lenda dos 300 como os espartanos. Quero paz”, declarou.
Para Zelensky, o objetivo de Putin é "colocar uma nação de joelhos". Segundo ele, tropas russas estão impedindo cidadãos de saírem de Kherson recentemente dominada, e as cidades estão ficando sem acesso à energia, comida e suprimentos a fim de estimular que ucranianos migrem para a Rússia. Em seu último vídeo no Facebook, Zelensky afirmou que a Ucrânia não tem "nada a perder além de nossa própria liberdade”, acrescentando que o país está recebendo suprimentos diários de armas de seus aliados internacionais.

Putin a Macron: Rússia atingirá seus objetivos na Ucrânia

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou (24.fev.2022) / REUTERS
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira a seu colega francês Emmanuel Macron que os objetivos da operação da Rússia na Ucrânia -- sua desmilitarização e status neutro -- serão alcançados de qualquer forma, segundo informou o Kremlin. Putin disse que qualquer tentativa de Kiev de adiar as negociações resultaria em Moscou adicionando mais itens à sua lista de demandas. O presidente francês também teve conversas com Volodymyr Zelensky, da Ucrânia.

Ataque a Energodar

As forças russas atacaram nesta quinta-feira (3), a cidade ucraniana de Energodar, que fica próxima à maior usina nuclear da Europa. A informação foi concedida pelo assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, Anton Herashchenko. Segundo Herashchenko, as tropas intensificam a tentativa de tomada da usina de Zaporizhzhia. Na semana passada, os russos já assumiram o controle da usina desativada de Chernobyl.

1 milhão de refugiados deixaram a Ucrânia

Cerca de 1 milhão de refugiados fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, em um tweet na noite de quarta-feira. “Em apenas sete dias, testemunhamos o êxodo de 1 milhão de refugiados da Ucrânia para países vizinhos”, disse Grandi. “Para muitos outros milhões, dentro da Ucrânia, é hora de silenciar as armas, para que a assistência humanitária que salva vidas possa ser fornecida”, acrescentou.